Brasil precisa impulsionar o conhecimento geológico para atrair investimentos
O quarto painel do Brazilian Mining Day abordou a necessidade de impulsionar o conhecimento geológico e a inovação para revelar o potencial ainda não descoberto do Brasil em termos de exploração mineral. Julio Cezar Santos, gerente geral de Exploração da Nexa Resources, atuou como moderador e o painel teve como debatedores Francisco Valdir Silveira, diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), William Cosentino, gerente de Geologia da CBPM, Armado Masucatto, gerente de Exploração e Geologia da Jaguar Mining e Adrian McArthur, presidente da Meridian Mining.
Francisco Valdir Silveira afirmou que o SGB-CPRM disponibiliza amplo acervo gratuito, via Plangeo, como mapas geológicos em múltiplas escalas, dados geoquímicos, geofísicos e relatórios, continuamente atualizados. Ele disse que o SGB acelera novos levantamentos, mencionando como exemplos o mapeamento na escala 1:100.000 como base para investimento, a retomada de aerogeofísica (MAG, gamaespectrometria, EM, gravimetria), com dezenas de milhões de reais investidos em 2023–2026 e um forte programa geoquímico.
Silveira disse, no entanto, que há um desafio estrutural, já que o Brasil tem 14,2 milhões km² (incluindo área marinha) e que apenas cerca de 30% conta com bom conhecimento. Além disso, 60% do território é composto por bacias sedimentares com baixo nível de informação.
O representante da CBPM (Companhia Baiana de Produção Mineral) afirmou que a empresa atua como “primeiro dólar” e redutor de risco, realizando mapeamento, geoquímica e perfurando para atrair capital. Masucarro acrescentou que o foco da CBPM atualmente está na nova Província do Norte da Bahia e no apoio a pequenos e grandes investidores. A Bahia tem atualmente várias oportunidades, segundo o geólogo, em níquel-cobre-cobalto-ferro-vanádio-titânio, terras raras com teores >10% TREO, grafite, areia de sílica de alta pureza, agrominerais (fosfato e calcário). No caso do titânio, ele menciona que há uminteresse crescente, por fatores geopolíticos.
O gerente de Exploração da Jaguar Mining disse que a empresa está focada no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais que, apesar da maturidade da província, mantém descobertas combinando atividades de campo com uso da IA, geofísica magnética extensa e integração de dados históricos. Existem atualmente centenas de alvos, segundo ele, mas a empresa enfrenta atrasos regulatórios e relacionados com a obtenção de licenças.
O presidente da Meridian Mining explicou que a empresa está concentrada no projeto Cabaçale, Mato Grosso, fazendo reinterpretação como VMS com sobreposição aurífera. A empresa também faz o resgate de dados históricos, expansão sistemática de malhas e perfurações (>10.000 m/ano) e identificou várias árias anomalias de 2 km e novos indícios hidrotermais no cinturão.
Para os participantes do painel, existem gargalos que precisam ser resolvidos. É o caso da necessidade de padronização/captura de dados de exploração em formato eletrônico, de agilizar licenças e possibilitar acesso à terra (CAR e acordos). Também há necessidade de se revisar prazos de alvarás. Eles defendem que, com regulação adequada e capital, as descobertas fluem.
Francisco Valdir Silveira, em sua fala final, disse que o SGB aponta províncias emergentes e maduras, como é o caso do lítio (no Sertão Central/Solonópole; Jequitinhonha/Seridó mais maduros), terras raras (Poços de Caldas, Mata da Corda, Arco Magmático de Goiás) e ouro (Rondônia Central, Juma/Transamazônica, Seridó; Tapajós e Cuiabá mais maduros).