Líder do futuro: Comunicação, storytelling e objetividade

31/10/2023
Uma comunicação clara, objetiva e assertiva está em absolutamente todos os momentos do nosso dia a dia.

 

Pensando na pauta da Coluna deste mês, revisitei os nossos últimos temas. Já falamos de transição energética, atração de talentos, fundo de investimentos, inteligência artificial, cultura organizacional e diversidade & inclusão. Sem exceção, todos tópicos fundamentais e imprescindíveis quando falamos em uma mineração do futuro.

Muito embora acredito termos ainda muitos temas relacionados à mineração do futuro, decidi, neste mês, trazer um tópico que trata de liderança, que pode ser aplicado ao nosso mundo da mineração, mas também para qualquer outro setor. Minha ideia para os próximos meses é de trazer para vocês assuntos sobre o que eu penso ser o líder do futuro, isto é, um líder de sucesso. Me perguntam muito o que funcionou para mim e o que recomendo evitar, então resolvi compartilhar as minhas experiências e aprendizados que me trouxeram até aqui.

E hoje vou inaugurar esta série falando de uma habilidade essencial para qualquer profissional que queira se destacar: a comunicação. Quem me conhece sabe que estou sempre falando sobre o poder de uma comunicação clara, objetiva e assertiva. E isso está em absolutamente todos os momentos do nosso dia a dia.

Por experiência própria, posso garantir que quando vamos defender um orçamento ou outro projeto complexo, ter uma apresentação estruturada, com início, meio e fim, e com uma história que faça sentido, faz toda a diferença. E é por isso que as técnicas de storytelling ganharam tanta fama. É um tópico que vem ganhando audiência nos últimos anos, mas que sempre esteve presente no meu dia a dia. Meu interesse pela disciplina iniciou quando eu ainda estava na faculdade, em 1990/1991, ‘embalado’ por ferramentas de apresentação que estavam despontando no mercado.

Pensar na experiência e na jornada da sua audiência e ter uma narrativa concisa é essencial para qualquer negócio. E arrisco dizer que também para a vida pessoal. Quando fazemos apresentações ou e-mails muito longos ou com excesso de detalhes, por óbvio, perdemos a atenção do nosso público. E, ainda pior, transferimos a responsabilidade para eles filtrarem o que é importante e o que pode ser ignorado. É justamente nesse momento que perdemos eficiência, já que não podemos garantir que a nossa audiência irá dar atenção ao que de fato merece destaque. Para mim, esse é o primeiro ponto de atenção – termos respeito por nossa audiência. Em um e-mail, carta, relatório ou apresentação – devemos sempre pensar em facilitar a vida da audiência, do leitor. Ele ou ela são nossos clientes nesse momento.

Outra dica que dou para todos que trabalham comigo: apresentações, e-mails ou quaisquer outros materiais precisam, obrigatoriamente, estar no formato que chamo de “client ready”. Isto é, precisam estar bem escritos, bem formatados e com todos os detalhes revisados. A experiência de analisar um material que tem um capricho por trás é totalmente diferente e é possível ver o comprometimento do time responsável nos pequenos detalhes. Aprendi isso com alguns chefes extremamente exigentes que tive ao longo da minha vida e, sem dúvidas, carreguei isso comigo em todas as minhas posições de liderança.

Como em tantas outras coisas na vida, estamos aqui falando de esmero, cuidado e atenção para com nossa audiência.

Como você se sente quando recebe um e-mail dizendo: ‘... para sua informação...’ ou ‘FYI’? Eu sinto que o autor desse e-mail delegou todo o trabalho para a audiência. E, como falei anteriormente, ao fazer isso ele está correndo o risco de a audiência ter uma interpretação completamente diferente daquela desejada. Ainda pior – quando fazemos isso para os nossos gestores, estamos delegando o nosso trabalho para eles.

Aqui não estamos dizendo que temos que escrever longas explanações – pelo contrário. Temos que investir tempo e pensamento para escrevermos (ou falarmos) de forma eficiente, breve e com impacto para que nossa mensagem seja recebida da forma certa.

Samuel Clemens, também conhecido como Mark Twain, cunhou a famosa frase, que para mim resume muito o que estamos falando: ‘... não tive tempo para lhe escrever uma carta curta, então acabei escrevendo uma carta longa...’. É crucial que o tempo merecido seja investido em todas as nossas peças de comunicação. Confiem em mim – esse tempo investido se paga!

E por fim, outra dica que para mim funciona muito bem: O sucesso é constituído por 10% de inspiração e 90% de transpiração. Treino, treino e treino. Comunicar-se bem é uma habilidade que se pode desenvolver. Assim, ensaie seus argumentos, colete feedbacks de colegas e de seus líderes, trabalhe sobre eles para melhorar, e antecipe possíveis perguntas até chegar à excelência que você deseja. A excelência que sua audiência merece.

Nos próximos meses, pretendo abordar outras habilidades que julgo essenciais para se ter sucesso nas nossas carreiras profissionais. E você, o que gostaria de ouvir sobre minhas experiências? (Paulo Castellari Porchia)

Direto da Fonte