Cedro implanta TCLD na mina de Mariana para aposentar carretas

01/07/2026
O projeto está inserido no plano de expansão da mina, com aportes total de R$ 4 bilhões, que tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva para cinco milhões de toneladas anuais de pellet feed, conhecido como o minério verde.

 

A Cedro Participações irá investir cerca de R$ 700 milhões na implantação do Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD) em sua mina de minério de ferro, localizada em Mariana, Minas Gerais, para substituir o uso do transporte rodoviário por carretas no deslocamento do minério até a interface logística ferroviária. O projeto está inserido no plano de expansão da mina, com aportes total de R$ 4 bilhões, que tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva para cinco milhões de toneladas anuais de pellet feed, conhecido como o minério verde.

O TCLD terá 20 km de extensão e movimentará entre 1.800 e 2.000 ton/h, com velocidade de 4 m/s, com a correia 1200 mm de largura. “A tecnologia empregada neste TCLD elimina a necessidade de construir prédios estruturais a cada mudança de direção, o que gera economia de recursos, reduzindo intervenções civis no terreno e evitando a geração de poeira durante a transferência do minério”, afirma o Diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da Cedro Mineração, Ricardo Jeunon. O TCLD a ser implementado é diferente dos modelos convencionais, pois é projetado para para fazer curvas horizontais diminuindo os serviços de terraplanagem e a quantidade de casas de transferências, além de facilitar a transposição entre vales e montanhas da região. “Esse mecanismo utilizará IA e sensores de vibração, temperatura para indicar a necessidade de manutenções preventivas, eliminando o risco da exposição humana em campo. Ademais, o funcionamento será operado integralmente de forma remota através de uma sala de controle”, pontua o diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da Cedro Mineração.

Além de promover a substituição do uso de frotas de carretas, o TCLD da Cedro evitará a emissão de aproximadamente 54.000 toneladas de gás carbônico (CO2) por ano, eliminando a queima de diesel e o desgaste de pneus. “A retirada dos veículos pesados das vias rodoviárias reduzirá drasticamente o ruído e a poeira para as comunidades vizinhas aos cerca de 20 km do trajeto.  Toda a estrutura será alimentada pela rede elétrica da operadora de energia de do estado de Minas Gerais, que é proveniente de fontes renováveis, e o TCLD contará também com acionamentos regenerativos contribuindo com a redução do consumo de energia”, pontua Jeunon. O diretor acrescenta os benefícios do TCLD com a redução do volume de poeira e a diminuição de ruídos. “Esse é um sistema que pode movimentar milhares de toneladas por hora, com fluxo constante, reduzindo gargalos e tráfego e diminuindo a abertura de estradas internas. Além disso, a redução drástica do tráfego rodoviário, com a substituição dos motores a diesel pelo sistema de correias elétricas, diminui drasticamente o ruído, poeira e emissão de CO2”, comenta o diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da Cedro Mineração.

A Cedro está prestes a conseguir a Licença de Instalação (LI) ambiental e, em paralelo, a holding está finalizando a engenharia detalhada do projeto e o Plano de Execução do Projeto (PEP). “Após a liberação da licença, as obras (como supressão vegetal e terraplanagem) poderão ser iniciadas. O prazo estimado de conclusão da planta é de cerca de 36 meses, podendo variar conforme a janela do período de chuvas na região”, detalha o diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da empresa. O projeto para o aumento da capacidade produtiva em Mariana integra os planos da Cedro para atingir nove milhões de toneladas até 2028, volume que deverá subir para 20 milhões até 2030, o que irá transformar a empresa na quinta maior mineradora de ferro do Brasil. Atualmente, a mina de Mariana produz cerca de três milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Com os investimentos em infraestrutura e equipamentos, serão adicionadas mais dois milhões toneladas e toda a produção passará a ser de pellet feed, conhecido como ‘minério verde’. Esta é uma matéria-prima com alto teor de qualidade e baixos níveis de impurezas, que diminuem em até 50% as emissões de carbono na atmosfera da indústria siderúrgica, hoje considerada uma das principais responsáveis pelo aquecimento global.

Essa solução soma-se às outras práticas inovadoras como a filtragem e empilhamento a seco, tecnologia que a Cedro já vem utilizado para eliminar completamente o risco das barragens de rejeito, e o reaproveitamento de 85% da água utilizada em seus processos. Além disso, a Cedro já trabalha para migrar sua produção de sinter feed (minério de ferro com partículas finas) e impulsionar a produção do pellet feed de redução direta (PFRD). A Cedro tem a sustentabilidade como eixo-central de sua estratégia e, até o fim da década, quer ter 100% da sua produção em PFRD, se posicionando como uma das grandes mineradoras na produção deste “minério verde”, e sendo um dos principais players no atendimento das demandas de países da Europa e do Oriente Médio.