Escala produtiva, automação, beneficiamento sem água, redução de emissões e transformação territorial fizeram do S11D mais do que uma mina de minério de ferro — um marco tecnológico, ambiental e econômico que continua influenciando a estratégia da Vale e os rumos da mineração no país.
Poucos projetos minerais conseguiram concentrar tantas expectativas antes mesmo de começar a operar quanto o S11D. Quando a Vale inaugurou oficialmente o empreendimento, em dezembro de 2016, em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, havia a percepção de que o complexo nascia destinado a se tornar referência mundial — não apenas pelo porte, mas pelo que representava em termos de engenharia, logística e inovação.
Dez anos depois, essa percepção se confirma. Com capacidade instalada de 90 milhões de toneladas anuais, Carajás Serra Sul (como passou a se chamar o S11D, após a entrada em operação) tornou-se uma das operações mais estratégicas da Vale e um dos maiores símbolos da mineração contemporânea. Mais do que ampliar a oferta global de minério de ferro de alto teor, o S11D ajudou a consolidar um novo modelo operacional baseado em menor intensidade energética, redução do uso de água, automação em larga escala, planejamento territorial e integração ambiental desde a concepção do projeto.
Mas talvez o aspecto mais relevante dessa trajetória seja justamente o fato de que o legado construído ao longo da década ultrapassa os indicadores industriais. O S11D não mudou apenas a forma de produzir minério. Mudou a forma de pensar a mineração. “Carajás Serra Sul redefiniu a fronteira tecnológica da mineração global ao combinar produção em larga escala, eficiência logística e soluções ambientais inovadoras, além de contribuir com o crescimento econômico de Canaã dos Carajás”, afirma Danilo Goldoni, diretor de Operações de Carajás Serra Sul.
Na avaliação do executivo, o projeto materializa um conceito que a Vale passou a defender com mais intensidade ao longo dos últimos anos: a mineração como atividade capaz de integrar competitividade empresarial, preservação ambiental e desenvolvimento regional: “na Vale, aliamos produção mineral, proteção ambiental e desenvolvimento regional. No Pará, onde estamos presentes há mais de quatro décadas, isso se materializa em operações como Serra Norte, Serra Leste, Serra Sul e também nos ativos de metais básicos. Esse conjunto sustenta a competitividade da empresa e contribui diretamente para o desenvolvimento do território”.
Uma nova fronteira industrial dentro de Carajás
O S11D nasceu em um momento em que o mercado global ainda era fortemente impulsionado pela expansão chinesa e pela demanda por minério de ferro. Mas, diferentemente de muitos projetos concebidos naquele ciclo, Serra Sul foi desenhado com objetivos que iam além do aumento de produção.
Desde a origem, havia o desafio de desenvolver uma operação de grande escala em uma das províncias minerais mais relevantes do planeta sem reproduzir integralmente os modelos tradicionais de lavra e beneficiamento. A resposta veio por meio de uma combinação inédita de soluções técnicas e ambientais.
O principal símbolo dessa proposta foi o sistema truckless. Ao substituir parte expressiva do transporte interno por longas correias transportadoras, a Vale reduziu significativamente a necessidade de circulação de caminhões fora de estrada na mina — alterando não apenas a operação logística, mas o próprio desenho do empreendimento.
“Carajás Serra Sul provou que é possível operar em grande escala com baixo impacto”, diz Goldoni, enfatizando que “a redução do número de caminhões e o uso ampliado de correias transportadoras permitiram, por exemplo, que a usina e as pilhas de estéril fossem instaladas em áreas de fazendas anteriormente degradadas, fora da Floresta Nacional de Carajás”, destaca Goldoni.
A decisão foi determinante para preservar o mosaico ambiental da região e exigiu integração desde o início com órgãos ambientais federais como ICMBio e Ibama. Mais do que reduzir a circulação de equipamentos pesados, o sistema também trouxe ganhos relevantes em emissões, segurança operacional e eficiência energética.
Mineração em grande escala
Ao longo dos últimos dez anos, a Vale consolidou indicadores que ajudam a dimensionar o impacto operacional dessa escolha. Segundo a companhia, a combinação entre sistema truckless, transporte contínuo por correias e beneficiamento à umidade natural permitiu reduzir 40% das emissões de carbono, 73% do consumo de energia e 93% do consumo de água. São números expressivos para qualquer operação industrial. Ainda mais em um projeto que movimenta dezenas de milhões de toneladas por ano.
Um dos pilares desse desempenho está no beneficiamento à umidade natural — processo que dispensa o uso de água no tratamento do minério. Em vez do modelo convencional, baseado em processamento úmido, o minério é beneficiado preservando sua umidade natural, eliminando etapas industriais e reduzindo drasticamente a necessidade hídrica. Em um setor em que água, rejeitos e segurança de barragens se tornaram temas centrais do debate global, o modelo adotado em Serra Sul ganhou peso estratégico.
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