Vendas crescem 4,1% e somam 5,5 milhões de toneladas em novembro

08/12/2025
No acumulado do ano até novembro, os números alcançaram 62,2 milhões de toneladas, um crescimento de 3,6% comparado a igual período do ano passado.

 

O Sindicato nacional da Indústria do Cimento (SNIC) divulgou que o setor vendeu 5,5 milhões de toneladas de cimento em novembro de 2025, um aumento de 4,1% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado do ano até novembro, os números alcançaram 62,2 milhões de toneladas, um crescimento de 3,6% comparado a igual período do ano passado. O desempenho do setor segue influenciado por um cenário macroeconômico de alta complexidade. Por um lado, os dados mostram robustez no emprego e na renda: o desemprego atingiu 5,4% em outubro, o menor da série histórica, com apenas 5,9 milhões de pessoas desempregadas. A população ocupada registrou novo recorde (102,5 milhões) e o rendimento médio atingiu o maior valor histórico, alavancando a massa salarial. O mercado de trabalho aquecido elevou a confiança do consumidor em novembro, atingindo o maior nível desde dezembro de 2024. Por outro lado, há a desaceleração do PIB ao longo do ano e um ambiente de crédito e consumo desafiador. As expectativas de inflação para 2025 e 2026 seguem acima da meta, com a necessidade de manutenção de juros altos.

O cenário de incertezas impactou a confiança da indústria, que registrou queda pela oitava vez no ano devido à fraca demanda e aos estoques elevados. Na construção, embora a confiança tenha subido em novembro impulsionada pelos segmentos de infraestrutura e serviços especializados, o nível ainda é insuficiente para recuperar o patamar do início do ano. No varejo de materiais de construção, as vendas caíram 2% em outubro na comparação anual, levando o setor a reduzir, pela segunda vez, a projeção de crescimento de 2025 de 1,8% para 0,5%. O mercado imobiliário apresenta sinais distintos. Enquanto os lançamentos subiram 1,6% no 3º trimestre, as vendas caíram 6,5% no mesmo período, o que aumentou o volume de unidades em estoque. O financiamento imobiliário via SBPE sofreu forte retração, com queda de 36,12% no número de unidades financiadas para construção no acumulado até outubro, reflexo da alta dos juros.

Os lançamentos do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) cresceram 7,9% e as vendas aumentaram 15,5% até novembro. O impacto do MCMV na indústria do cimento é expressivo: uma unidade de 45 m² consome entre 4 a 6 toneladas do insumo, dependendo se construída com blocos ou paredes de concreto. O setor projeta que para atingir a meta de superar 2 milhões de unidades entre 2023 e 2026, o consumo de cimento será ampliado consideravelmente. Somam-se a isso as novas regras de crédito habitacional, que permitirão o uso de até 100% dos recursos da poupança e elevarão o teto de financiamento, medidas que, aliadas às mudanças no Imposto de Renda, buscam recompor a capacidade de compra e investimento da classe média e reduzir o déficit habitacional mesmo considerando os níveis de juros atuais.

Em novembro, a indústria apresentou seu novo Roadmap Net Zero 2050 durante a COP30, em Belém, detalhando a rota para a neutralidade de carbono apoiada em uma trajetória de sustentabilidade sólida. O Brasil já se destaca no cenário mundial emitindo 580 kg de CO por tonelada de cimento, uma marca inferior à média global de 610 kg/t. Além disso, o setor consolidou-se como referência na substituição de combustíveis fósseis, alcançando 32% de sua matriz energética proveniente de combustíveis alternativos, como biomassas e resíduos, reafirmando o coprocessamento como uma atividade crucial na transição energética.A indústria do cimento chega ao final de 2025 observando atentamente a dinâmica entre o aquecimento do mercado de trabalho e as travas do crédito. Enquanto o mercado imobiliário financiado pela poupança sofre com os juros altos, a habitação social confirma seu papel estratégico. Os avanços das obras do Minha Casa, Minha Vida e os investimentos contínuos em infraestrutura, com destaque para a forte expansão do pavimento de concreto rodoviário e urbano, aliados ao nosso renovado compromisso com a agenda climática, serão determinantes para sustentar a demanda no próximo ano”, disse Paulo Camillo Penna, Presidente do SNIC.