Vendas somam 5,4 milhões de toneladas em abril
Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), as vendas de cimento somaram 5,4 milhões de toneladas em abril de 2026, um crescimento de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro quadrimestre, o setor apresentou um crescimento de 1,9% frente ao ano passado. O volume de vendas de cimento por dia útil registrou 243,4 mil toneladas, um acréscimo de 0,9% em comparação ao mês de março e de 2,2% ante o mesmo mês de 2025. No primeiro quadrimestre do ano, o desempenho registra crescimento de 1,9%.
O panorama da indústria do cimento segue influenciado pelo mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego fechou em 6,1% no primeiro trimestre – o mais baixo para o período desde 2012, mantendo a massa salarial em seu maior nível histórico. Somado à isenção do imposto de renda, o cenário fez com que a confiança do consumidor subisse pela segunda vez consecutiva em 2026, com destaque para a melhora na percepção da situação financeira entre as famílias de renda mais baixa. O mercado imobiliário também atua como um importante indutor de crescimento para o setor, onde as vendas e lançamentos continuam em alta, impulsionados principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que já responde por 52% dos lançamentos imobiliários. No acumulado até março de 2026, o número de unidades financiadas saltou 149%, corrigindo o forte recuo do ano passado. Os ajustes no MCMV ampliaram o acesso da classe média a imóveis maiores e melhor localizados, elevando o teto de renda e o valor das unidades. Todo esse movimento é sustentado por um novo aporte, anunciado em abril, de R$ 20 bilhões provenientes do Pré-sal, o que permitiu ao governo elevar a meta de contratação para 3 milhões de moradias, de 2023 até o final de 2026.
Apesar de boas perspectivas na habitação, o ambiente macroeconômico inspira cautela e a confiança na construção caiu em abril, mesmo movimento observado na percepção da indústria, que apresentou retração pela primeira vez nos últimos cinco meses, refletindo um ambiente menos aquecido e estoques levemente acima do normal. Além da dificuldade com a atração de mão-de-obra, os impactos da guerra no Oriente Médio foram determinantes para o pessimismo desses indicadores. A instabilidade internacional elevou as expectativas de inflação para 2026, impactando diretamente as projeções para a taxa Selic. O mercado previa o fechamento do ano em 12%, mas agora projeta 13%, reflexo direto da pressão do preço do petróleo, do frete nos custos de produção e da volatilidade cambial.
O endividamento atingiu nível recorde e comprometeu 49,9% da renda da população e a inadimplência afeta 82,8 milhões de brasileiros. O avanço acelerado das apostas on-line (bets) subtraiu R$ 143,8 bilhões do comércio nos últimos dois anos e tem levado milhares de famílias à inadimplência, consumindo parte dos recursos antes voltados para a construção. O setor ainda enxerga com apreensão as diretrizes do Novo Desenrola, programa que prevê a utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação de dívidas das famílias, fugindo da função principal do fundo, criado estruturalmente para financiar a aquisição de imóveis. Essa medida desvia, mais uma vez, recursos essenciais e ameaça a sustentabilidade do principal funding do crédito habitacional no Brasil. “Apesar dos resultados positivos nas vendas de cimento até agora, a atividade já sente os efeitos do conflito no Oriente Médio. Tivemos um forte impacto com o reajuste no coque de petróleo, componente majoritariamente importado, que responde por cerca de 40% do custo de produção. Além disso, incrementos representativos de insumos oriundos do exterior, como explosivos, amônia, uréia, aditivos do cimento e o próprio frete marítimo registraram forte aumento. No mercado doméstico, persistem as pressões com os reajustes de óleo diesel e o frete rodoviário, modal que representa cerca de 90% da distribuição do cimento no Brasil”, disse Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.