Setor fecha maio com déficit de US$ 1.6 bilhão

01/07/2026
A receita líquida interna somou R$ 17.332 bilhões no mês, 23,2% a menos sobre maio de 2025, enquanto o consumo aparente totalizou R$ 31.104 bilhões em maio de 2026, decréscimo de 19,5% em relação ao mesmo mês do ano passado.

 

Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor registrou faturamento de R$ 22.504 bilhões em maio de 2026, uma queda de 20,4% na comparação com o mesmo mês do último ano. A receita líquida interna somou R$ 17.332 bilhões no mês, 23,2% a menos sobre maio de 2025, enquanto o consumo aparente totalizou R$ 31.104 bilhões em maio de 2026, decréscimo de 19,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. As exportações renderam US$ 1,037 bilhão, um aumento de 5,5% quando comparado a maio de 2025. Já as importações somaram US$ 2,646 bilhões, uma leve queda de 0,6% sobre maio do último ano. Com isto, o setor fechou o mês com déficit de US$ 1,609 bilhão, 4,2% inferior ao registrado um ano antes. A Abimaq registrou 415,7 mil pessoas nos postos de trabalho em maio de 2026, 0,8% a menos na comparação com maio do ano passado. Os números mostram que o setor permanece significativamente inferior ao observado há um ano e os investimentos em máquinas e equipamentos acumulam retração de 15% ao longo dos cinco primeiros meses do ano.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o faturamento alcançou R$ 105,9 bilhões, uma queda de 13,9 % sobre o mesmo período de 2025. Já a receita líquida interna e o consumo aparente somaram R$ 77,9 bilhões e R$ 150,4 bilhões até maio, o que corresponde a recuos de 17,9% e 15%, respectivamente.

As vendas externas alcançaram US$ 5,418 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 13.423 bilhões, o que significa incrementos de 14,7% e 2,7%, respectivamente, na comparação com os cinco meses iniciais de 2025. O setor fechou o período entre janeiro e maio de 2026 com déficit US$ 8004 bilhões, um aumento de 4%. Os postos de emprego somaram 417,2, em média, até maio deste ano, um crescimento de 1,3% sobre o mesmo período do último ano.

Esses números sugerem que o setor atravessa uma fase mais prolongada de ajuste. Diferentemente do que se observou em ciclos anteriores, a desaceleração não está concentrada em um único segmento ou associada a um choque específico. Ela reflete um enfraquecimento mais amplo dos investimentos produtivos, consequência da combinação entre juros elevados, menor crescimento econômico e aumento da cautela empresarial. Parte relevante da expansão das exportações decorre da base de comparação deprimida observada no início de 2025, quando a desaceleração da atividade industrial norte-americana afetou significativamente a demanda por máquinas brasileiras. Além disso, após a forte expansão observada em abril, as exportações recuaram quase 30% em maio na comparação mensal, retornando para um patamar próximo de US$ 1 bilhão. Essa volatilidade foi resultado de embarques de projetos de grande porte.

Outro fator limitante é o câmbio. A valorização próxima de 11% do real reduziu significativamente o impacto positivo das exportações sobre a receita medida em moeda nacional. Assim, embora o desempenho externo contribua para amortecer a desaceleração da atividade produtiva, ele não tem sido suficiente para alterar a tendência geral de enfraquecimento da receita do setor. Apesar da desaceleração da economia doméstica, as compras externas seguem ampliando sua participação no mercado brasileiro. No acumulado de janeiro a maio, as importações recuaram 11% (Valores em Reais), enquanto a demanda doméstica retraiu 17,9%. Como resultado, os equipamentos importados passaram a representar 48,1% do consumo nacional, participação superior à observada em 2025.Mais uma vez, a China desempenha papel central nessa dinâmica. As importações provenientes do país cresceram, enquanto as originadas dos demais mercados recuaram. O avanço ocorre justamente em segmentos estratégicos para a indústria brasileira, como logística, construção civil, agricultura e indústria de transformação. Isso indica que a perda de competitividade da produção nacional vai além das condições conjunturais e está cada vez mais associada a fatores estruturais relacionados a custos, escala, financiamento e produtividade.

O nível de utilização da capacidade instalada caiu para 78,3% em maio, ficando abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior. Embora a redução seja relativamente pequena, ela interrompe a estabilização observada nos meses anteriores. O setor aborda que mais preocupante ainda é a evolução da carteira de pedidos. O indicador recuou para 8,2 semanas, ficando 10,6% abaixo do nível observado em maio de 2025. No acumulado do ano, a carteira permanece 6,1% inferior à do mesmo período do ano passado. Esse comportamento sugere que a fraqueza das receitas deverá persistir ao longo dos próximos meses, uma vez que o fluxo de novos contratos continua insuficiente para sustentar uma recuperação mais robusta da produção.