PUBLICIDADE
AUTORREGULAÇÃO

Novos paradigmas no setor mineral brasileiro

Novos paradigmas no setor mineral brasileiro

Por Grace Juliana Gonçalves de Oliveira *

A mineração no Brasil tem sido sacudida por novas exigências de mercado. A crescente necessidade em aumentar a credibilidade do setor mineral, visa trazer maior segurança e assertividade aos investidores frente às incertezas inerentes ao setor. Os altos investimentos e as incertezas associadas com as etapas iniciais de Exploração Mineral, Pesquisa e Prospecção, que vão desde a definição do alvo e seleção de ambientes prospectivos até a confirmação de prospectos de qualidade, é um longo caminho a ser percorrido, cujos riscos devem ser minimizados.

Estatisticamente, para cada 1.000 (mil) projetos de pesquisa, apenas 1 (um) se confirma como jazida com viabilidade técnico-econômica. Adicional às incertezas inerentes aos trabalhos de pesquisa e aos altos investimentos, inúmeros casos de fraudes na mineração têm exigido do setor mecanismos de Auto Regulação em busca de maior credibilidade e competitividade. O setor passou a exigir uma série de normas e padrões para a regularização da atividade e dos relatórios técnicos, com o surgimento de uma série de códigos internacionais que se definem como “Boas Práticas”, cujo objetivo é assegurar níveis de confiabilidade para os relatórios com os Resultados de Exploração, Recursos e Reservas Minerais, de modo a diminuir os riscos e “surpresas” inerentes aos investimentos e resultados.

Atualmente, existem inúmeros códigos internacionais, entre eles o National Instrument 43-101 ou (NI 43-101), o código JORC, além de outros. Em 1994, a partir de um esforço mundial para a padronização do conteúdo dos relatórios técnicos, surge o CRIRSCO (Committee for Mineral Reserves International Reporting Standards), cujas diretrizes foram aprovadas por órgãos profissionais em países como Austrália, Chile, Canadá, Europa, Mongólia, Rússia, África do Sul e EUA. O Brasil foi um dos últimos países a se tornar membro do CRIRSCO, em 2015, com a Criação da CBRR – Comissão Brasileira de Recursos e Reservas.

A CBRR é uma iniciativa do setor privado, sem fins lucrativos, articulada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB) e o Instituto Brasileiro de Mineração, para auto regularização do setor, em consonância com as diretrizes dos códigos internacionais, colocando o Brasil como o 9° (nono) país a ser Organização Representativa do CRIRSCO.

Os modelos internacionais de relatórios públicos para declaração de resultados de exploração, recursos e reservas minerais elaborado pelo CRIRSCO, instituição reconhecida como a principal organização internacional que representa a indústria da mineração em questões relacionadas à classificação e declaração de ativos minerais (representada no Brasil pela CBRR), buscam estabelecer um conjunto de normas e procedimentos relativos aos resultados de exploração, recursos e reservas minerais, com o objetivo de divulgar e de dar transparência às atividades de pesquisa e exploração mineral desenvolvidas no país, atraindo investidores e capital estrangeiro.

Em 2017 foi criada no Brasil a ANM – Agência Nacional de Mineração, que extinguiu o DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral, pela Lei n.º 13.575, de dezembro de 2017, cuja atribuição é a formulação de políticas públicas para a pesquisa, a lavra, o beneficiamento, a comercialização e o uso dos recursos minerais dada pelo Decreto n.º 9.406/2018, o regulamento do Código de Mineração. Desde o seu surgimento, a ANM tem caminhado no sentido de adequar seus relatórios técnicos segundo as “Boas Práticas” internacionais. A Resolução n.º 94, de 07 de fevereiro de 2022, normatiza o inciso XXXV do art. 2º da Lei n.º 13.575, de 26 de dezembro de 2017, e disciplina a classificação das reservas minerais, com base em padrões internacionalmente aceitos de declaração de resultados, nos termos do § 4º do art. 9º do Decreto n.º 9.406, de 12 de junho de 2018, e dá outras providências.

As Declarações Públicas dos Resultados de Exploração, Recursos e Reservas Minerais devem seguir as orientações e recomendações dos modelos e guias de elaboração de relatórios públicos para declaração de resultados de exploração, recursos e reservas minerais, publicados pelo CRIRSCO e CBRR (§ 2º do Art. 5º). Entretanto, a entrega da Declaração Pública dos Resultados de Exploração, Recursos e Reservas Minerais é opcional e o seu conteúdo não será considerado objeto de sigilo, implicando na aceitação tácita de sua divulgação pela ANM. A resolução traz, ainda, que a ANM não possui atribuição como instituição certificadora dos resultados de exploração, recursos e reservas minerais apresentados nas declarações públicas pelos titulares de direitos minerários, sendo de responsabilidade do titular do direito minerário e do responsável técnico por sua elaboração, os quais responderão por eventuais adulterações ou fraudes, nos termos da legislação civil, penal e administrativa.

Desse modo, a ANM terceiriza a responsabilidade dos dados e resultados da exploração, pesquisa e prospecção ao profissional competente (Qualified Person - QP), que deverá se responsabilizar pela transparência e materialidade dos dados e resultados declarados, que serão confrontados por pares, a partir de due dilligence (auditoria externa), cujas implicações e consequências de declarações inverídicas ou duvidosas poderão acarretar em responsabilização financeira e jurídica para o QP e para o minerador.

A entrega das Declarações Públicas dos Resultados de Exploração, Recursos e Reservas Minerais não substitui a obrigatoriedade da entrega dos documentos técnicos relativos a cada fase do processo de direito minerário, previstos na legislação minerária, e as informações constantes das declarações públicas devem guardar coerência com aquelas constantes dos documentos técnicos, vinculados aos processos de direito minerário e entregues à ANM. A ANM garante aprovação tácita em até 60 dias para os casos de Declaração dos Resultados de Exploração, Recursos e Reservas.

Diante do cenário atual, de abertura de mercado ao capital externo e das exigências de Auto Regulação do setor, as Declarações Públicas dos Resultados de Exploração, Recursos e Reservas Minerais trazem confiabilidade e credibilidade ao investidor, ao estabelecer critérios de transparência, materialidade e competência, segundo as melhores práticas e padrões internacionais do setor mineral. Apesar da sua não obrigatoriedade, a adoção das “Boas Práticas” trazidas pelos códigos internacionais e pela CBRR garante a consistência e melhoria dos padrões nacionais dos relatórios e da apresentação dos dados geológicos nas diferentes etapas da exploração, pesquisa e prospecção, o que irá refletir em maior assertividade nas tomadas de decisões e redução dos riscos associados ao setor mineral.

Aos poucos o Brasil avança em credibilidade e competividade, atraindo investidores e capital estrangeiro interessados no potencial geológico diversificado, afiançando o país como potência mundial na produção de minerais conhecidos comercialmente como “minerais críticos”, em particular aqueles que vão ter papel de destaque para a transição energética e que serão utilizados na fabricação dos veículos elétricos e de suas baterias, como cobre, níquel, lítio e vanádio. Neste contexto, o Brasil foi destaque no “The Brazilian Mining Day”, realizado em Toronto entre os dias 05 a 08 de março, PDAC (2023), cujas expectativas são atrair novos projetos e expandir aqueles que já foram iniciados, fomentando e transformando a indústria mineral brasileira em direção à maior competitividade e diversidade do setor.

"
* Grace Juliana Gonçalves de Oliveira é Geóloga, MSc. e PhD. em Geociências, Supervisora da Divisão de Mineração da Chiavini e Santos Mineração e Meio Ambiente.

VEJA TAMBÉM

Braminvest 2026 selecionará projetos que buscam investidores
NEGÓCIOS

Braminvest 2026 selecionará projetos que buscam investidores

O foco da seleção abrange uma ampla gama de substâncias, com destaque para o ouro, cobre, níquel, lítio e terras raras, além de nióbio, grafita, manganês e rochas ornamentais.

19/06/2026

Eminence Minerals inicia perfuração em Campo Grande
TERRAS RARAS

Eminence Minerals inicia perfuração em Campo Grande

O programa foi projetado para avaliar sistematicamente três corredores-alvo prioritários identificados em atividades de exploração anteriores e para fornecer a primeira avaliação do subsolo da mineralização prospectiva de terras raras em Campo Grande.

18/06/2026

South Star conquista bons resultados operacionais em Santa Cruz
GRAFITE

South Star conquista bons resultados operacionais em Santa Cruz

Desde a retomada das operações da planta, aproximadamente 5.136 toneladas de minério bruto foram processadas e produziram cerca de 25 toneladas de concentrado de grafite.

10/06/2026

Artigos Relacionados

Braminvest 2026 selecionará projetos que buscam investidores
NEGÓCIOS
Braminvest 2026 selecionará projetos que buscam investidores

O foco da seleção abrange uma ampla gama de substâncias, com destaque para o ouro, cobre, níquel, lítio e terras raras, além de nióbio, grafita, manganês e rochas ornamentais.

19 de junho, 2026
Eminence Minerals inicia perfuração em Campo Grande
TERRAS RARAS
Eminence Minerals inicia perfuração em Campo Grande

O programa foi projetado para avaliar sistematicamente três corredores-alvo prioritários identificados em atividades de exploração anteriores e para fornecer a primeira avaliação do subsolo da mineralização prospectiva de terras raras em Campo Grande.

18 de junho, 2026
South Star conquista bons resultados operacionais em Santa Cruz
GRAFITE
South Star conquista bons resultados operacionais em Santa Cruz

Desde a retomada das operações da planta, aproximadamente 5.136 toneladas de minério bruto foram processadas e produziram cerca de 25 toneladas de concentrado de grafite.

10 de junho, 2026
A história de uma das entidades mais influentes do setor mineral no Brasil
ADIMB 30 ANOS
A história de uma das entidades mais influentes do setor mineral no Brasil

Fundada em 1996, a ADIMB atua como um braço de inteligência e técnica entre empresas, governo e academia.

5 de maio, 2026
SIGBM passa por atualização para reforçar segurança
ANM
SIGBM passa por atualização para reforçar segurança

A Agência Nacional de Mineração (ANM) atualizou o domínio do SIGBM para reforçar a segurança tecnológica, exigindo que usuários atualizem seus dados e acessos.

16 de abril, 2026
Audiência pública afirma que mineração deve ouvir comunidades
TERRAS INDÍGENAS
Audiência pública afirma que mineração deve ouvir comunidades

Os especialistas ouvidos pelo grupo também pediram equilíbrio entre as questões econômicas, ambientais e sociais envolvidas na exploração mineral.

15 de abril, 2026
AMIG Brasil critica falta de transparência da ANM sobre CFEM
MUNICÍPIOS MINERADORES
AMIG Brasil critica falta de transparência da ANM sobre CFEM

AMIG Brasil critica a falta de transparência da ANM na distribuição da CFEM, questionando a clareza dos critérios e a disponibilidade de dados para os municípios afetados pela mineração.

6 de abril, 2026
VBM amplia reservas e planeja elevar a produção de cobre para 700 mil toneladas até 2035
VALE
VBM amplia reservas e planeja elevar a produção de cobre para 700 mil toneladas até 2035

Em 2025, as reservas de cobre cresceram 6%, somando 53 milhões de toneladas, enquanto o níquel avançou 13%, alcançando 14 milhões de toneladas.

31 de março, 2026