Simandou fornece recorde de 1,2 milhão de toneladas em abril
Os fluxos globais de minério de ferro atingiram mais de 143 milhões de toneladas em abril de 2026, um aumento de pouco menos de 7% em relação ao ano anterior e ao mês anterior. A China recebeu 74% do total, em linha com o mesmo mês de 2025, mas, dado o maior volume de fluxos, isso equivale a mais de 7 milhões de toneladas em abril de 2026 em comparação com abril de 2025. O resto do mundo registrou um aumento de 5% em relação ao ano anterior, para 37 milhões de toneladas, com os países do Leste Asiático e do Sudeste Asiático dominando e apresentando grandes aumentos anuais.
A Austrália e o Brasil continuam a dominar as origens do minério de ferro. Em abril de 2026, a Austrália foi responsável por 55% do fluxo de minério de ferro e o Brasil por 23%. Ambas as porcentagens estão em linha com a média de longo prazo desde 2022. O aumento da produção em Simandou, portanto, continua sendo a mudança mais interessante no fornecimento de minério de ferro, tendo embarcado 1,2 milhão de toneladas em abril de 2026, um recorde desde o início das operações da mina. A mina terá capacidade para embarcar cerca de 10 milhões de toneladas por mês quando estiver totalmente otimizada.
O aumento do fluxo de minério de ferro para a China não refletiu uma melhora no consumo das siderúrgicas. Em vez disso, os estoques de minério de ferro nos portos têm atingido níveis historicamente altos, com relatos de que chegaram a 172 milhões de toneladas na última semana de abril, contra cerca de 139 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. A dimensão desse acúmulo de estoques torna-se ainda mais impactante quando medida em dias de consumo.
A produção média mensal de aço bruto no primeiro trimestre de 2025 foi de 86,4 milhões de toneladas, com estoques portuários de minério de ferro em torno de 139 milhões de toneladas, o que representa um consumo de minério de ferro nos portos chineses equivalente a 30 dias de produção. Esse número sobe para 39 dias quando se utilizam os dados do primeiro trimestre de 2026 para a produção de aço, com média de 82,3 milhões de toneladas por mês, e estoques portuários de 172 milhões de toneladas. Dado o declínio estrutural na produção de aço bruto desde 2021, é improvável que esses estoques estejam se acumulando para sustentar um aumento na produção. Consequentemente, espera-se uma pressão sobre a demanda de minério de ferro da China no futuro, o que impactará os fluxos, sendo a Austrália provavelmente a mais afetada, visto que o minério de Simandou possui um teor mais elevado.
O apetite de compra da China será o principal fator a moldar a variação nos fluxos de ferro para o restante deste trimestre. Com os estoques atingindo níveis recordes já em 2026 e o consumo da siderurgia fraco, uma retração nos fluxos é o resultado mais provável. Dada a participação chinesa na operação de Simandou e a alta qualidade do material extraído, haverá pressão sobre os fluxos provenientes de origens de menor qualidade, como a Austrália. Caso os embarques da África Ocidental substituam os volumes australianos, o mercado de frete se beneficiará de uma duração de viagem significativamente maior. Com as exportações de bauxita da Guiné permanecendo robustas, a demanda por navios Capesize na região parece preparada para um suporte contínuo à medida que nos aproximamos do terceiro trimestre.