CSN venderá ativos de infraestrutura e cimento para reduzir dívidas e investir em mineração

15/01/2026
O plano prevê uma redução da dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões ao longo de 2026, por meio da venda de ativos considerados relevantes.

 

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) apresentou ao mercado, em sua Reunião de Atualização Estratégica, um amplo plano de reorganização do portfólio e da estrutura de capital, com foco claro na desalavancagem financeira e na captura de valor em seus negócios de maior retorno. No centro dessa estratégia está a CSN Mineração, apontada pela administração como a principal avenida de crescimento do grupo nos próximos anos.

Segundo a companhia, o objetivo é destravar o potencial de valor dos ativos sob seu controle, especialmente em mineração e infraestrutura, abrindo caminho para um novo ciclo de crescimento sustentável. “A aprovação, pelo Conselho, dos movimentos estratégicos necessários para equacionar definitivamente a estrutura de capital do grupo marca um ponto de inflexão na história recente da CSN”, destacou Marco Rabello, CFO/ Diretor Financeiro e de Relações com Investidores.

O plano prevê uma redução da dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões ao longo de 2026, por meio da venda de ativos considerados relevantes, mas não centrais no novo desenho estratégico. Entre as principais iniciativas estão a alienação do controle da CSN Cimentos e a venda de uma participação relevante na Newco CSN Infraestrutura.

De acordo com a companhia, essas medidas permitirão reduzir de forma estrutural a alavancagem financeira e gerar uma economia anual estimada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão em despesas financeiras. “Nosso foco é a redução material do endividamento bruto, com alocação de capital eficiente e disciplina rigorosa”, afirmou Rabello.

Nesse novo portfólio, a CSN Mineração assume papel protagonista. Atualmente a empresa figura entre as sete maiores exportadoras de minério de ferro do mundo, com histórico recente de recordes operacionais, elevada geração de caixa e margens robustas. A apresentação destacou a longa vida útil das reservas, estimadas em cerca de 2,5 bilhões de toneladas, e a continuidade de um plano de expansão baseado em projetos maduros, de alta rentabilidade e com foco em produtos de maior teor de ferro.

O principal vetor desse crescimento é o projeto P15, que avança em ritmo acelerado e deve adicionar um delta de EBITDA da ordem de R$ 4 bilhões por ano quando plenamente operacional. “A mineração é hoje o negócio com maior retorno incremental do grupo e aquele que nos levará a um novo patamar de geração de valor”, disse Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração e CEO da CSN, ressaltando que a CSN Mineração concentra parcela crescente do EBITDA consolidado.

Outro pilar relevante da estratégia é a CSN Infraestrutura, que reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais considerados estratégicos para o escoamento de commodities no Brasil. A empresa opera uma plataforma integrada, com ativos maduros e projetos brownfield em expansão, sustentados por demanda contratada e execução comprovada. Segundo a CSN, trata-se de uma infraestrutura “única e irreplicável”, com impacto positivo relevante no EBITDA futuro. Ainda assim, como parte do plano de desalavancagem, o grupo prevê a venda de uma participação relevante nesse segmento a partir de 2026, mantendo o foco na otimização do capital investido.

Cimentos, siderurgia e energia: ajustes e eficiência

Na CSN Cimentos, líder na produção integrada no Brasil, a companhia enxerga forte potencial de crescimento orgânico por meio de projetos greenfield e brownfield, além de uma recuperação do mercado já perceptível. Mesmo assim, a decisão estratégica é pela alienação do controle em 2026, movimento visto como fundamental para liberar capital e reforçar o balanço.

A CSN Siderurgia, por sua vez, atravessa um processo de recuperação gradual de rentabilidade, com foco em produtos de maior valor agregado e soluções integradas. A administração informou que avalia alternativas e parcerias para maximizar a geração de caixa no curto prazo, preservando o caráter estratégico do ativo.

Já a CSN Energia foi destacada como um suporte essencial ao grupo. Autossuficiente em energia renovável desde 2023, a plataforma energética contribui para a redução de custos, apresenta resultados resilientes e está alinhada à agenda de transição energética. “Trata-se de um negócio de alto retorno, baixo risco e intensivo em geração de caixa”, ressaltou Steinbruch.

Com o redesenho do portfólio, a CSN projeta que, em até oito anos, será possível dobrar o EBITDA e a rentabilidade do grupo, operando com endividamento em torno de 1x, concentrado em negócios de maior crescimento, sinergia e retorno. “O novo ciclo da CSN será sustentado por mineração de alta performance, infraestrutura estratégica e uma estrutura de capital mais leve e eficiente”, concluiu o CEO.

(Mara Fornari/Francisco Alves)