Brasil precisa avançar na transformação e modernização da indústria
Reunindo representantes da Anglo American, ValOre Metals, Meteoric Resources e Vale Base Metals e contando com a moderação de Marcos André Gonçalves, da Adimb, o primeiro painel do Brazilian Mining Day discutiu as perspectivas para a indústria mineral brasileira em termos de potencial, inovação e perspectivas para o futuro.
Felipe Werneck, VP de Integrating Permitting da Anglo American, destacou os avanços rápidos conseguidos pela indústria, como melhoria na gestão de rejeitos, mineração de precisão, via sensores e uso da IA e a parceria com as comunidades como pilar da sustentabilidade.
Thiago Diniz, VP de Exploração da ValOren Metals, salientou o enorme potencial geológico do Brasil, onde há províncias minerais maduras com espaço para novas descobertas e áreas negligenciadas, mencionando como exemplos Alta Floresta e Tapajós, que em sua opinião podem ser revisitadas com novas tecnologias e uso de IA. Ele também citou uma parceria com empresa de IA para reprocessar grandes bases de dados. Diniz apontou desafios à exploração no Brasil, como a necessidade de ambiente regulatório estável e previsível, melhoria de infraestrutura e adequação dos prazos legais aos ciclos e realidades de desenvolvimento mineral.
Marcelo Carvalho, Country Manager da Meteoric Resources, defende que o Brasil pode liderar um novo mercado global sustentável de terras raras, do minério ao ímã, superando o domínio chinês com projetos de melhor qualidade, energia limpa e operações responsáveis. Ele citou iniciativas em terras raras, como a primeira entrega de 20 kg de mistura carbonática pela Magbras e lembrando que há planos-piloto no Brasil para separação de óxidos com múltiplas tecnologias. Em sua visão, é preciso construir a cadeia com governo, BNDES e investidores para reduzir risco e agregar valor local.
Por fim, José Luís Marques, da Vale Base Metals, disse que vê forte oportunidade em minerais críticos (cobre, níquel, lítio, cobalto), apoiada por tendências tecnológicas (IA, data centers) e que o Brasil está bem dotado em termos de recursos, destacando a província polimetálica de Carajás e a infraestrutura existente. Falando de política pública e licenciamento, ele disse que há consenso de que é preciso tornar os processos mais eficientes e confiáveis, sem “atalhos”. Para ele, os projetos avançam no ritmo da confiança entre reguladores, empresas e comunidades. Como ajustes regulatórios, ele sugeriu incentivar a agregação de valor doméstico, apoio à P&D de processamento (inclusive PGEs), extensão responsável de prazos de exploração com metas de desempenho, avanço de projetos de lei e atuação coordenada entre governos, bancos e setor privado. Sobre a perspectiva de Mercado, o representante da VBM lembrou que a demanda global de cobre pode quase dobrar até 2045, passando de aproximadamente 26–27 Mt/ano para ~50 Mt/ano, exigindo grandes novas minas. E que o Brasil está bem posicionado para contribuir, desde que mantenha colaboração público-privada e previsibilidade regulatória.