Appian Capital inicia projeto de lavra subterrânea na Bahia, que custará R$ 3,3 bilhões
Com a detonação que marcou a abertura do Portal Sul, no dia 26 de março, a Appian Capital Advisory Limited, através de sua controlada Atlantic Nickel, deu início ao Projeto Underground, que prevê a lavra subterrânea na mina Santa Rita, em Itajibá, na Bahia, que produz níquel sulfetado e que atualmente opera a céu aberto. O projeto, que demandará investimentos de R$ 3,3 bilhões, segundo o Country Manager da Appian Capital Brazil, Milson Mundin, permitirá que a vida útil da mina Santa Rita seja estendida por pelo menos mais 34 anos. Esta será a única mina subterrânea de níquel sulfetado na América Latina.
"A abertura do Portal Sul marca o alcance de uma importante etapa para a Atlantic Nickel e reforça nossa forte convicção no potencial de longo prazo desse ativo. A transição para a mineração subterrânea prolongará significativamente a vida útil da mina, permitindo uma recuperação mais eficiente de recursos e reduzindo nossa pegada ambiental superficial. Essa próxima fase posiciona a Atlantic Nickel como uma operação de níquel de alta qualidade e longa duração, apoiando a crescente demanda global por minerais críticos produzidos de forma responsável’, acrescenta Mundin.
Segundo a empresa, para lavra do depósito subterrâneo, de teor mais elevado, será utilizado o método de produção sublevel caving, que tem sua eficiência comprovada em grandes minas da Suécia, África do Sul e Austrália. “O método foi selecionado para aumentar a recuperação de recursos mantendo a capacidade de produção com impacto superficial mínimo. A tecnologia apoia a exploração em profundidades significativas ao empregar um sistema controlado de quebra e manuseio de rochas, garantindo alta produtividade e segurança operacional. O método também é idealmente adaptado às condições geológicas do depósito, otimizando eficiência e segurança durante todo o processo de extração. Espera-se que o método sublevel caving reduza os impactos ambientais em comparação à mineração a céu aberto, limitando poeira, ruído e distúrbios na superfície, mantendo o desempenho da produção”.
A mina a céu aberto, localizada no município de Itajibá, no estado da Bahia, cuja operação foi retomada pela Atlantic Nickel em 2019, tem operado com capacidade de processamento de cerca de 6,6 milhões de toneladas de minério por ano. Desde 2020, a empresa exportou mais de 632.000 toneladas de concentrado de níquel gerado a partir do minério extraído na mina para Canadá, China e Finlândia em mais de 50 embarques. Atualmente, a escala de produção da mina é da ordem de 15 mil t/ano de níquel em concentrado. Além de níquel, são obtidos como subprodutos cobre, cobalto, ouro, platina e paládio.
A expectativa era que a mina a céu aberto tivesse reservas suficientes para apenas mais 8 anos de operação. Mas as pesquisas geológicas realizadas indicaram que existem recursos minerais suficientes para sustentar uma operação de lavra subterrânea por mais de três décadas. Assim, em 2024 a Atlantic Nickel realizou um Estudo de Pré-Viabilidade ("PFS") que reforçou ainda mais a confiança da Appian no projeto, delineando uma mina com o potencial de perdurar durante décadas com uma taxa anual de produção anual mais alta, de 30 mil toneladas de níquel equivalente (NiEq) por ano, com baixa intensidade de capital e uma estrutura de custos competitiva. Atualmente, a empresa está realizando o Estudo Definitivo de Viabilidade (DFS), que deverá estar concluído até meados de 2026. Enquanto conclui o DFS, a empresa inicia os trabalhos preliminares de desenvolvimento da mina, que poderá começar a produzir até 2028.
Na cerimônia que marcou o início do desenvolvimento da mina subterrânea estiveram presentes o chefe da Divisão de Metais Básicos da Appian Capital Adivisory, Ignacio Bustamante, o Country Manager da Appian Capital Brazil, Milson Mundin, o presidente da CBPM (que arrenda a mina para a Atlantic Nickel), Henrique Carballal, que representou o governador da Bahia, prefeitos das cidades da área de influência da mina, além de outras autoridades e convidados.
A Atlantic Nickel retomou a operação da mina de níquel Santa Rita, anteriormente conhecida como Mirabela Mineração do Brasil, no segundo trimestre de 2019. É a única mina de níquel sulfetado atualmente em operação no Brasil e foi adquirida pela Appian em 2018. O projeto da mina foi otimizado, as instalações de processamento reformadas e reiniciada a operação em 2019. As operações atuais envolvem mineração a céu aberto e um concentrador com capacidade de aproximadamente 6,5 milhões de toneladas por ano, produzindo um concentrado de sulfeto de níquel. O concentrado também contém subprodutos, incluindo cobre, cobalto, platina, paládio e ouro. Em 2024, Santa Rita processou 6,6 milhões de toneladas (Mt) de minério a céu aberto, produzindo 31,8 milhões de libras de níquel, 10,1 milhões de libras de cobre e 0,6 milhão de libras de cobalto em concentrados. (Por Francisco Alves)