35 países conseguem reduzir emissões e têm plano de descarbonizar

13/11/2025
A estimativa é de que as políticas existentes que apoiam a redução das emissões nacionais no âmbito do Acordo de Paris conduzam a um aquecimento global de 2,8 °C acima dos níveis pré-industriais até ao final deste século.

 

Órgão internacional para pesquisa científica na Austrália, a Csiro atualizou seu panorama global de mudanças climáticas, onde foi constatado que as emissões globais de combustíveis fósseis devem atingir um novo recorde histórico em 2025, com todas as fontes – carvão, gás e petróleo – contribuindo para esse aumento. Por outro lado, as emissões de dióxido de carbono e dos sumidouros de carbono mostram que pelo menos 35 países têm um plano de descarbonização. Austrália, Alemanha, Nova Zelândia e muitos outros apresentaram reduções estatisticamente significativas nas emissões de carbono fóssil na última década, enquanto suas economias continuaram a crescer. As emissões da China também têm crescido a um ritmo muito mais lento do que as tendências recentes e podem até mesmo se estabilizar até o final do ano.

Enquanto líderes mundiais e delegados se reúnem no Brasil para a cúpula climática global das Nações Unidas, a COP30, muitos países que apresentaram novos compromissos de redução de emissões até 2035 demonstraram maior ambição. Mas, a menos que esses esforços sejam ampliados substancialmente, as tendências atuais da temperatura global deverão exceder significativamente a meta do Acordo de Paris, que visa manter o aquecimento bem abaixo de 2°C.

Em conjunto com colegas de 102 instituições de pesquisa em todo o mundo, a Csiro acaba de lançar o Global carbono Project e divulgou o Orçamento Global de carbono 2025. Trata-se de um levantamento anual das fontes e sumidouros de dióxido de carbono em todo o mundo. A agência publicou também os principais avanços científicos que permitiram identificar com maior precisão as fontes e os sumidouros globais de dióxido de carbono, tanto naturais quanto humanos. Os sumidouros de carbono são sistemas naturais ou artificiais, como florestas, que absorvem mais dióxido de carbono da atmosfera do que liberam.

As emissões globais de CO provenientes da queima de combustíveis fósseis continuam a aumentar. Prevê-se um aumento de 1,1% em 2025, além de um crescimento semelhante em 2024. Todos os combustíveis fósseis contribuem para esse aumento. As emissões do gás natural cresceram 1,3%, seguidas pelas do petróleo (1,0%) e do carvão (0,8%). No total, os combustíveis fósseis produziram 38,1 bilhões de toneladas de CO em 2025. Nem todas as notícias são ruins. A pesquisa revela que as emissões do maior emissor, a China (32% das emissões globais de CO), aumentarão significativamente mais lentamente do que na última década, com um modesto aumento de 0,4%. As emissões da Índia (8% das globais) devem aumentar 1,4%, também abaixo das tendências recentes.

No entanto, as emissões dos Estados Unidos (13% do total global) e da União Europeia (6% do total global) deverão crescer acima das tendências recentes. Para os EUA, a projeção de crescimento de 1,9% é impulsionada por um início de ano mais frio, aumento das exportações de gás natural liquefeito (GNL), maior consumo de carvão e maior demanda por eletricidade. Prevê-se que as emissões da UE cresçam 0,4%, devido à menor produção de energia hidroelétrica e eólica em função das condições meteorológicas. Isso levou a um aumento na geração de eletricidade a partir de GNL (Gás Natural Liquefeito). As incertezas nos dados atualmente disponíveis incluem também a possibilidade de ausência de crescimento ou de uma ligeira queda.

Nas notícias positivas, as emissões líquidas de carbono provenientes de mudanças no uso da terra, como desmatamento, degradação e reflorestamento, diminuíram na última década. Prevê-se que produzam 4,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono em 2025, abaixo da média anual de 5 bilhões de toneladas da década anterior. O desmatamento permanente continua sendo a maior fonte de emissões. Esse número também leva em consideração os 2,2 bilhões de toneladas de carbono absorvidas anualmente pelo reflorestamento realizado por humanos. Três países – Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo – contribuem com 57% das emissões globais líquidas de CO decorrentes da mudança no uso da terra. Ao combinarmos as emissões líquidas provenientes da mudança no uso da terra e dos combustíveis fósseis, constatamos que as emissões globais totais causadas pela atividade humana atingirão 42,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono em 2025, 0,3% a mais ao ano na última década, em comparação com 1,9% na década anterior (2005-2014).

Os sumidouros naturais de carbono nos oceanos e ecossistemas terrestres removem cerca de metade de todas as emissões de carbono causadas pelo homem. Mas nossos novos dados sugerem que esses sumidouros não estão crescendo como seria de se esperar. O sumidouro de carbono oceânico tem permanecido relativamente estagnado desde 2016, em grande parte devido à variabilidade climática e aos impactos das ondas de calor oceânicas. A capacidade de absorção de CO pela terra tem permanecido relativamente estagnada desde 2000, com um declínio significativo em 2024 devido às condições mais quentes do El Niño, somadas ao aquecimento global recorde. Estimativas preliminares para 2025 indicam uma recuperação dessa capacidade de absorção para os níveis pré-El Niño.

Desde 1960, os efeitos negativos das mudanças climáticas sobre os sumidouros naturais de carbono, particularmente sobre o sumidouro terrestre, suprimiram uma fração do potencial total de absorção. Isso resultou em mais CO na atmosfera, com um aumento na concentração de CO em 8 partes por milhão. Este ano, espera-se que os níveis de CO atmosférico atinjam pouco mais de 425 ppm.

Apesar do aumento contínuo das emissões de carbono em nível global, os dados mostram claros sinais de progresso em direção a energia e uso da terra com menor emissão de carbono. Atualmente, 35 países reduziram suas emissões de carbono fóssil na última década, mantendo o crescimento econômico. Muitos outros, incluindo a China, estão migrando para fontes de energia mais limpas. Isso resultou em uma desaceleração significativa do crescimento das emissões. A estimativa é de que as políticas existentes que apoiam a redução das emissões nacionais no âmbito do Acordo de Paris conduzam a um aquecimento global de 2,8 °C acima dos níveis pré-industriais até ao final deste século.

Esta previsão representa uma melhoria em relação à avaliação anterior de 3,1°C, embora as alterações metodológicas também tenham contribuído para a projeção de aquecimento mais baixa. Os novos compromissos de redução de emissões até 2035, para os países que os apresentaram, demonstram uma maior ambição de mitigação.

Este nível de mitigação esperado ainda está muito aquém do necessário para atingir a meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento bem abaixo de 2°C. Nos níveis atuais de emissões, a Csiro calcula que o orçamento global de carbono restante – o dióxido de carbono que ainda pode ser emitido antes de atingir temperaturas globais específicas (média calculada ao longo de vários anos) – será esgotado em quatro anos para 1,5°C (170 gigatoneladas restantes), 12 anos para 1,7°C (525 Gt) e 25 anos para 2°C (1.055 Gt).

“Nosso orçamento global de carbono, aprimorado e atualizado, mostra o aumento implacável das emissões globais de CO provenientes de combustíveis fósseis. Mas também revela um progresso detectável e mensurável rumo à descarbonização em muitos países. A recuperação dos sumidouros naturais de CO é uma descoberta positiva. No entanto, a grande variabilidade anual demonstra a alta sensibilidade desses sumidouros ao calor e à seca. De forma geral, o relatório deste ano sobre emissões de carbono mostra que, mais uma vez, não conseguimos atingir o pico global no consumo de combustíveis fósseis. Ainda não iniciamos o rápido declínio nas emissões de carbono necessário para estabilizar o clima”.