Vale tem início sólido em 2026 com EBITDA de US$ 3,9 bilhões no 1T, alta de 21% na comparação anual
A Vale divulgou nesta terça-feira, 28 de abril, seu desempenho operacional e financeiro referente ao primeiro trimestre de 2026, com EBITDA Proforma de US$ 3,895 bilhões — alta de 21% na comparação com o 1T25 e queda de 19% frente ao trimestre imediatamente anterior, reflexo da sazonalidade típica entre o quarto e o primeiro trimestres do ano.
O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 1,893 bilhão, avanço de 36% ano contra ano. A receita líquida de vendas totalizou US$ 9,258 bilhões, crescimento de 14% a/a, sustentada pela combinação de maiores volumes vendidos em todos os segmentos e preços realizados mais elevados, sobretudo em cobre e níquel.
"Entregamos um início sólido em 2026, refletindo nossa execução disciplinada, excelência operacional e o contínuo desenvolvimento de projetos estratégicos em todo o nosso portfólio. Durante o trimestre, alcançamos recordes de produção em múltiplos ativos", afirmou o CEO Gustavo Pimenta no comunicado de resultados.
Vendas crescem em todos os segmentos
O desempenho comercial foi homogêneo entre as linhas de produto. As vendas de minério de ferro avançaram 4% (+3 milhões de toneladas), as de cobre cresceram 11% (+9 mil toneladas) e as de níquel subiram 15% (+6 mil toneladas) na comparação com o mesmo período de 2025.
No minério de ferro fino, o preço realizado ficou em US$ 95,8 por tonelada, alta de 5,5% a/a e estabilidade em relação ao 4T25. As pelotas, por outro lado, registraram preço médio de US$ 133,8/t, recuo de 5% a/a, mas com leve recuperação de 2% no comparativo trimestral.
Cobre e níquel puxam a recuperação dos metais básicos
O grande destaque do trimestre foi a Vale Base Metals (VBM), cujo EBITDA mais que dobrou na comparação anual, saltando 116% para US$ 1,2 bilhão. O preço realizado do cobre alcançou US$ 13.143/t — alta de 48% a/a e 19% t/t —, enquanto o níquel atingiu US$ 17.015/t (+6% a/a, +13% t/t).
No segmento de cobre, os custos all-in ficaram em US$ -642/t no trimestre, refletindo o impacto positivo das fortes receitas de subprodutos, especialmente ouro, cujo preço realizado disparou 69% a/a para US$ 4.975/oz. A operação de Salobo respondeu por US$ 697 milhões do EBITDA do segmento, e Sossego contribuiu com US$ 309 milhões — alta de 286% ano contra ano.
Já no níquel, os custos all-in recuaram 48% a/a, para US$ 8.184/t, em função das maiores receitas de subprodutos de ativos polimetálicos e do menor CPV unitário. Voisey's Bay & Long Harbour saíram do prejuízo e geraram EBITDA positivo de US$ 66 milhões no trimestre, ante perdas de US$ 50 milhões no 1T25.
Custos do minério de ferro pressionados pelo câmbio
O custo caixa C1 do minério de ferro, excluindo compras de terceiros, totalizou US$ 23,6/t no trimestre — 12% acima do registrado no 1T25. A apreciação do real frente ao dólar (-10% no câmbio médio) foi o principal vetor de pressão, somada a efeitos de giro de estoques e à desconsolidação da Aliança Energia.
A companhia indica que, considerando o consenso de mercado para 2026 (câmbio médio de R$ 5,25/US$ e Brent a US$ 90/barril), o custo caixa C1 anual deve se aproximar do limite superior da faixa anteriormente divulgada (US$ 20–21,5/t), assim como o custo all-in (US$ 52–56/t).
Investimentos e endividamento
O CAPEX somou US$ 1,089 bilhão no trimestre, em linha com o guidance anual de US$ 5,4 a US$ 5,7 bilhões para 2026. Os investimentos em projetos de crescimento recuaram 42% a/a, principalmente devido ao avanço físico do projeto Serra Sul +20 — que atingiu 86% de progresso físico e tem início de operação previsto para o segundo semestre deste ano. O Britador de Compactos S11D, com 91% de avanço, segue o mesmo cronograma de start-up.
A dívida líquida expandida fechou o trimestre em US$ 17,8 bilhões, US$ 2,2 bilhões acima do 4T25. A variação reflete o pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio no período, parcialmente compensado pela geração de fluxo de caixa livre de US$ 813 milhões — 61% superior ao 1T25.
Agenda ESG e descarbonização
Entre os destaques de sustentabilidade, a Vale anunciou acordo com a Shandong Shipping Corporation para o afretamento de embarcações Guaibamax movidas a etanol, com previsão de início de operação em 2029 e potencial de redução de até 90% nas emissões de gases de efeito estufa frente ao óleo combustível pesado.
No capítulo de barragens, as estruturas Maravilhas II e Laranjeiras Norte tiveram seus níveis de emergência removidos após aprovação da ANM. Desde 2020, 28 barragens foram retiradas dessa condição — redução acumulada de 80%.
A reparação de Brumadinho atingiu 81% dos compromissos concluídos até o 1T26, enquanto o programa de reparação da Samarco já desembolsou R$ 74,7 bilhões até 31 de março.
A teleconferência com analistas e investidores está marcada para esta quarta-feira, 29 de abril, às 11h (horário de Brasília).
A próxima edição da Brasil Mineral irá abordar os investimentos da Vale em 2026, confira clicando aqui.