Transporte marítimo mundial cai 1% em julho

10/08/2026
O transporte para a China, o maior importador marítimo de minério de ferro a granel, aumentou 2%, e atingiu 108,2 milhões de toneladas.

 

Segundo números da Signal Ocean Ltd, o transporte marítimo global de minério de ferro a granel atingiu 145 milhões de toneladas em julho de 2026, uma queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado e mais de 5% inferior ao mês anterior. O transporte para a China, o maior importador marítimo de minério de ferro a granel, aumentou 2%, e atingiu 108,2 milhões de toneladas. Junho continua sendo o único mês de 2026 em que a China importou menos minério de ferro do que no ano anterior. O transporte de minério de ferro destinado a portos fora da China caiu mais de 6% em relação ao ano anterior, indicando uma demanda fraca da indústria siderúrgica. As exportações do projeto Simandou caíram nos últimos dois meses, após atingirem o pico de 2,8 milhões de toneladas em maio. Em julho, o volume registrado foi de 1,8 milhão de toneladas. Austrália e Brasil continuam sendo os principais exportadores de minério de ferro, com exportações previstas para julho de 2026 de 77,4 milhões de toneladas e 34,3 milhões de toneladas, respectivamente.  

Os dados mais recentes da produção chinesa de aço bruto, divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS), mostram que o país está com um déficit de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, o número de junho, o mais recente disponível, apresentou um aumento de 20% em comparação com maio, chegando a 24,3% se considerarmos a produção diária. Os estoques portuários de minério de ferro na China permanecem elevados, tendo aumentado para 174 milhões de toneladas nas duas últimas semanas de julho, mais de 22% acima do mesmo período do ano anterior. A combinação do aumento dos estoques portuários e da menor demanda da indústria siderúrgica deverá gerar impactos negativos e pressionar as exportações de ferro do Brasil e da Austrália, sendo esta última a que provavelmente enfrentará os desafios mais imediatos devido à menor qualidade de seu minério de ferro. O projeto Simandou continuará sua expansão lenta e controlada e, dada a maior qualidade do minério de ferro, provavelmente se consolidará como a principal fonte de matéria-prima de alta qualidade para a indústria siderúrgica chinesa.  

Apesar da esperada desaceleração na demanda por minério de ferro no futuro, o mercado de navios Capesize está bem-posicionado para se beneficiar. Qualquer tonelagem substituída por minério de ferro de Simandou representa um aumento significativo em toneladas-milhas, o que ajudará a sustentar as cotações do mercado de navios Capesize. 

A demanda por minério de ferro está perdendo força, mas as implicações para o transporte marítimo são mais complexas do que os volumes divulgados sugerem. Os elevados estoques nos portos chineses e a menor produção de aço apontam para uma menor necessidade de importações nos próximos meses, criando riscos de queda para as exportações australianas e brasileiras. Ao mesmo tempo, a retomada gradual das operações em Simandou começa a remodelar os fluxos comerciais, em vez de simplesmente aumentar a oferta. À medida que o minério guineense de alta qualidade conquista uma parcela maior das importações chinesas, as distâncias médias de viagem aumentam, sustentando a demanda por tonelada-milha, mesmo que os volumes transportados por via marítima diminuam. Para o mercado de navios Capesize, a geografia em evolução do comércio de minério de ferro pode compensar parcialmente a menor demanda por carga, reforçando a crescente divergência entre os volumes de carga e a demanda por embarcações.