Tailings Brazil compromete-se com segurança e boas práticas
Organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) o Tailings Brazil 2026 ocorreu dia 26 de maio em Belo Horizonte em um momento em que segurança, governança e inovação ocupam posição central nas discussões sobre o futuro da mineração. O evento reuniu especialistas, autoridades públicas, representantes da indústria mineral e profissionais da área técnica para discutir avanços, desafios e soluções voltadas à gestão segura de rejeitos e estéreis da mineração. A abertura do encontro teve a participação do presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA) e diretor da Martins Lanna Mineração, Gustavo Rosa Lanna; do secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Lyssandro Norton Siqueira; e do diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário. Durante a solenidade, os participantes destacaram a importância do diálogo técnico, da inovação e da integração entre empresas, órgãos reguladores e especialistas para o fortalecimento da governança e da segurança das estruturas no setor mineral.
Na abertura, Pablo Cesário destacou que o Tailings Brazil se consolidou como o principal fórum nacional dedicado à gestão segura de estruturas de disposição de rejeitos. “Reunimos aqui engenheiros, gestores, reguladores e especialistas internacionais com um propósito compartilhado, o de elevar continuamente o padrão técnico e de governança da mineração brasileira. Neste fórum, a indústria reafirma seu compromisso com a segurança, com as boas práticas e expõe publicamente, com transparência, como atua no dia a dia operacional”, afirmou. “As empresas vêm investindo sistematicamente no aprimoramento da gestão das estruturas, incorporando sistemas de monitoramento que combinam dados de campo, alertas automatizados, modelagem tridimensional e análise preditiva para apoiar decisões preventivas e reforçar protocolos de segurança e gestão de risco”.
Atualmente, o Brasil possui mais de 30 mil barragens cadastradas, das quais 911 pertencem à mineração. “Conseguimos reduzir em 18% o número de barragens em situação de alerta ou emergência em 2025, passando de 109 para 90 estruturas. Também houve redução das barragens com alteamento a montante, tecnologia já proibida no Brasil, que caiu de 52 para 45 estruturas no último ano”, destacou. Para ele, o compromisso com a segurança deve permanecer como prioridade absoluta do setor. “Esse precisa ser o nosso maior compromisso com os nossos funcionários e com as nossas comunidades”, completou. Representando o setor mineral mineiro, Gustavo Rosa Lanna reforçou a relevância econômica e estratégica da mineração para Minas Gerais e para o país. “Falar de mineração é falar da essência e do futuro de Minas Gerais. Nosso setor está presente em mais de 500 municípios, gerando emprego, arrecadação, desenvolvimento social e oportunidades. Minas Gerais responde por quase 40% de todo o faturamento mineral do Brasil e hoje ocupa posição de protagonismo na transição para uma economia verde, com minerais estratégicos como lítio, nióbio e terras raras”, afirmou. Lanna também destacou que segurança e sustentabilidade devem estar no centro das decisões do setor. “Após os episódios difíceis do passado, Minas Gerais respondeu com protagonismo e assumiu uma movimentação pioneira na mudança da regulamentação, proibindo o alteamento a montante e exigindo a descaracterização dessas estruturas. Segurança precisa estar na engenharia, nos investimentos e na relação de cada empresa com o território. Inovação e sustentabilidade não são agendas concorrentes, são complementares”, disse.
Já o secretário Lyssandro Norton Siqueira enfatizou a importância da parceria entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil para o fortalecimento da segurança das barragens. “Se não tivermos um diálogo franco, honesto e leal entre o setor produtivo, o setor público e a sociedade civil, voltaremos a olhar para um passado que ainda nos assombra”, afirmou. O secretário também chamou atenção para a importância dos planos de ação emergencial para barragens de mineração e para a complexidade da sua implementação. “É um plano que envolve patrimônio histórico, fauna, saúde, segurança, recursos hídricos e defesa civil. Por isso, exige integração, responsabilidade e participação de todos os atores envolvidos”, destacou. Ao longo dos dois dias de programação, o Tailings Brazil 2026 promoverá debates sobre evolução dos processos de licenciamento, requisitos técnicos voltados à ampliação da segurança, boas práticas em geotecnia e alinhamento aos mais elevados padrões internacionais. O seminário também abordará a atuação integrada entre engenheiros de registro, projetistas e grupos independentes de especialistas, reforçando a relevância da cooperação técnica para mitigação de riscos e desenvolvimento sustentável da mineração brasileira.