SGB conclui projeto de pegmatitos no RN e PB

18/12/2025
Os resultados revelaram a potencialidade mineral da região, estimulando o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do setor mineral e apoiando pequenos e médios mineradores, além de gestores públicos.

 

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) concluiu o projeto “Avaliação do Potencial dos Pegmatitos dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba”. O estudo gerou informações sobre o potencial mineral da área, inclusive para a presença de minerais estratégicos para transição energética – como lítio e terras raras – e rochas ornamentais. Os resultados foram publicados em um informe de recursos minerais, quatro mapas simplificados do potencial mineral dos pólos estudados e um vídeo descritivo do projeto, disponíveis no Repositório Institucional de Geociências (RiGeo). Além disso, O SGB está finalizando um painel interativo (Dashboard), a ser lançado em 2026, com novos dados, além geoquímica do polo de Tenente Ananias.

As pesquisas foram realizadas em quatro polos, três nos municípios Currais Novos, Parelhas e Tenente Ananias, no Rio Grande do Norte; e um em Picuí, na Paraíba, para estudar de forma sistemática os corpos pegmatíticos da Província Pegmatítica da Borborema (PPB) e do Distrito Pegmatítico de Tenente Ananias (DPTA). Os estudos identificaram mais de 4,7 mil corpos pegmatíticos, número que pode ultrapassar 7 mil, a depender de avaliações adicionais. Os resultados revelaram a potencialidade mineral da região, estimulando o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do setor mineral e apoiando pequenos e médios mineradores, além de gestores públicos. “Essa é uma área extremamente relevante no que diz respeito à produção de bens minerais. Há décadas que se produz minerais importantes, considerados hoje críticos para transição energética, para segurança alimentar, para a indústria de uma maneira geral”, ressalta o diretor-presidente interino, Valdir Silveira, que também é diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB e esteve à frente do projeto nos primeiros anos.

O pesquisador Eugênio Pacelli, que conduz o projeto, explica que as zonas estudadas têm grande variedade de minerais, como berilo, granada, columbita, tantalita, espodumênio, turmalina e fosfato de lítio. “Além desses minerais, os pegmatitos são importantes por terem lítio e terras raras. Os minerais que ocorrem nessas zonas possuem grande importância econômica. O feldspato, na forma de caulim, é utilizado na fabricação de cerâmica; o quartzo em relógios e inúmeras outras aplicações, mais ainda são formadas pedras preciosas, como turmalina paraíba, a água-marinha e o berilo”, explica. Pacelli reforça a aplicação dos minerais encontrados em pegmatitos para a demanda por minerais usados na indústria de alta tecnologia: “Hoje a grande busca por pegmatito se deve ao fato de ocorrerem nessas rochas minerais raros e de grande uso na indústria de uma forma geral. Celulares, notebooks, aviões, carros elétricos, material bélico e inúmeras invenções só existem devido a esses minerais, e por tabela, devido aos pegmatitos”.

No Informe de Recursos Minerais número 44 da série Rochas e Minerais Industriais do SGB, são apresentadas as informações sobre os diferentes bens minerais encontrados nos polos, a geoquímica de minerais pegmatíticos, potencialidade para rochas ornamentais dos dois estados, além de uma listagem de mais de 1,7 mil jazimentos minerais nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, na área do projeto. A publicação também traz imagens aéreas georeferenciadas dos pegmatitos explorados nos diferentes polos. Confira no https://rigeo.sgb.gov.br/items/74e92200-a664-47ca-b6f4-772b70804288. Além do informe técnico, foram produzidos quatro mapas simplificados do potencial mineral dos polos de Currais Novos, Parelhas, Tenente Ananias e Picuí, um vídeo educacional descritivo do projeto e um dashboard, que será publicado no primeiro semestre de 2026.