Setor fecha com déficit de US$ 9,7 bilhões no primeiro semestre
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) registrou receita líquida total de vendas foi de R$ 24,229 bilhões, queda de 10,7% sobre junho de 2025, mas retração de 5,4% frente a maio, após ajuste sazonal. No mercado interno, o setor movimentou R$ 18,671 bilhões, recuo de 11,8% na comparação com um ano antes, enquanto o consumo aparente somou R$ 33.954 bilhões, 7% inferior na comparação com junho do último ano. No primeiro semestre a receita líquida total atingiu R$ 130 bilhões, 13,6% a menos do que no mesmo período de 2025. Já a receita líquida interna e o consumo aparente alcançaram R$ 96,461 bilhões e R$ 184,2 bilhões, com retrocessos de 17% e 13,8%, respectivamente, sobre o primeiro semestre do ano passado. A análise por grupos setoriais mostra que a maior retração ocorreu nas atividades agrícolas. Em sentido oposto, os segmentos relacionados às obras de infraestrutura ajudaram a amortecer a queda do setor em 2026. O mercado doméstico continua sendo o principal fator de limitação ao crescimento. A receita interna caiu 17% no primeiro semestre e acumula retração de 9,1% em 12 meses. O resultado evidencia os efeitos da política monetária restritiva sobre o investimento produtivo. O elevado custo do capital reduz a viabilidade de novos projetos e adia decisões de substituição e modernização do parque industrial.
As exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 1,083 bilhão, com aumento de 3,4% em relação a junho de 2025. No primeiro semestre, as exportações acumulam alta de 12,7%, com US$ 6,503 bilhões. Parte desse crescimento decorre da baixa base de comparação do primeiro trimestre de 2025, período marcado pela desaceleração da atividade norte-americana. Além disso, a expansão das exportações permanece concentrada nos segmentos de componentes e de máquinas destinadas à construção, à infraestrutura e à agricultura. As vendas externas de máquinas para bens de consumo e para extração de petróleo continuam abaixo dos níveis observados em 2025. A valorização acumulada de aproximadamente 10,5% do real frente ao dólar, por sua vez, reduziu o impacto positivo das exportações sobre a receita do setor em moeda nacional. Assim, embora haja crescimento em dólares e no volume embarcado, o efeito sobre o faturamento em reais permanece limitado. O cenário internacional também continua impondo volatilidade. As oscilações mensais das exportações refletem um ambiente de crescimento moderado, tensões geopolíticas e maior seletividade dos investimentos globais. Ainda assim, o avanço das vendas para a maior parte dos principais mercados indica que a indústria brasileira preserva competitividade em segmentos específicos.
Já as importações atingiram US$ 2,851 bilhões em junho, crescimento de 9,9% frente a 2025. No primeiro semestre, as importações somam US$ 16,275 bilhões, um acréscimo de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado chama atenção porque ocorre simultaneamente a uma retração significativa dos investimentos domésticos. Mesmo em um mercado menor, os equipamentos importados continuam ampliando sua participação. No primeiro semestre, as máquinas importadas representaram 47,7% do consumo nacional, 2,1 pontos percentuais acima do observado no mesmo período de 2025. A China permanece como principal responsável por esse movimento. As importações provenientes do país cresceram 15,9% no semestre, enquanto as compras originadas dos demais mercados recuaram 1,8%. O avanço concentrou-se em segmentos relevantes, como logística, construção civil, máquinas agrícolas e equipamentos destinados à indústria de transformação. Essa dinâmica mostra que o desafio enfrentado pela indústria nacional não é apenas conjuntural. Mesmo em um ambiente de baixo crescimento, os fornecedores externos continuam ampliando sua presença, o que reforça o risco de perda de participação e de competitividade da produção nacional. O setor acabou fechando com déficit de US$ 1,767 bilhão em junho e resultado negativo de US$ 9,772 bilhões nos seis primeiros meses de 2026, aumento de 14,3% e queda de 1,2%, respectivamente.
O nível de utilização da capacidade instalada recuou ligeiramente para 78%, praticamente o mesmo patamar de um ano antes. Embora relativamente elevado, esse nível ainda não tem sido suficiente para estimular novos investimentos em ampliação da capacidade produtiva. A carteira de pedidos, por sua vez, aumentou para 9,7 semanas, 4,8% acima do nível de maio. O movimento foi impulsionado principalmente por atividades associadas à infraestrutura e à indústria de base, cujos projetos demandam mais tempo de maturação. Apesar da melhora mensal, a média do semestre permaneceu 1,8% abaixo da registrada em 2025. No mercado de trabalho, houve alta marginal de 0,1% no emprego, com o setor atingindo 416,6 mil trabalhadores. A recuperação observada nos últimos dois meses, especialmente entre fabricantes voltados à indústria de transformação, à logística e à produção de componentes, sugere redução do ritmo de ajuste. Ainda assim, o setor emprega cerca de 3,8 mil trabalhadores a menos do que em junho de 2025, indicando que a estabilização ainda é gradual.
Os resultados de junho mostram que a indústria de máquinas e equipamentos continua apresentando baixo dinamismo. O investimento produtivo segue enfraquecido, o mercado doméstico permanece condicionado pelos juros elevados e as exportações, embora resilientes, não compensam a retração da demanda interna. Ao mesmo tempo, as importações ampliam sua participação, especialmente as provenientes da China, mantendo elevada a pressão competitiva sobre a indústria nacional. O primeiro semestre encerrou-se sob o efeito de fatores que limitaram o desempenho do setor. Há sinais pontuais de estabilização na carteira de pedidos e no emprego, mas ainda insuficientes para caracterizar uma retomada consistente. Uma recuperação mais firme dependerá da melhora do ambiente macroeconômico, da redução do custo do capital, do fortalecimento da confiança empresarial e de medidas que ampliem a competitividade da produção nacional diante do avanço dos fornecedores externos.