23/10/2020
SETOR MINERAL

Receita alcança R$ 50 bi no trimestre

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) divulgou o desempenho da indústria mineral no 3° trimestre de 2020. De acordo com a entidade, o faturamento do setor alcançou R$ 50 bilhões, impulsionado pela valorização cambial e também pelos preços das commodities minerais. A produção estimada saltou de 210 milhões de toneladas (2T) para 287 milhões de toneladas (3T). O montante é também superior aos 280 milhões de toneladas registrados no mesmo trimestre de 2019. O desempenho da indústria mineral no 3º trimestre aponta para a melhoria em diversos indicadores, como atração de novos investimentos; exportação; faturamento; recolhimento de royalties e tributos; redução das importações; geração de empregos, entre outros. 

No acumulado até setembro, o setor mineral faturou R$ 126 bilhões. O resultado de todo o ano de 2019 se situou em R$ 153 bilhões. Do total, o minério de ferro respondeu por 63% do faturamento, em reais (R$ 32 milhões), seguido pelo ouro (13% = R$ 6,6 bilhões); cobre (6% = R$ 3,2 bilhões); calcário dolomítico (3% = R$ 1,4 bilhão); bauxita (2% = R$ 1,1 bilhão); fosfato (1% = R$ 5,8 milhões). No trimestre, as maiores evoluções do faturamento (em reais) em relação ao 2º trimestre foram as do calcário dolomítico (54%); minério de ferro (37%); ouro e fosfato (22% cada); cobre (6%). Já o faturamento da bauxita declinou em 17%. 

Entre os estados, o Pará detém a maior participação no faturamento da indústria mineral brasileira, com 43% ou R$ 21,6 bilhões e evolução de 29% em relação ao 2º trimestre. O estado da região Norte é seguido por Minas Gerais, participação de 38% no faturamento nacional (ou R$ 19 bilhões) e evolução de 30% em comparação com o trimestre anterior ; Goiás, 4% do faturamento nacional  (R$ 1,8 bilhão), evolução de 40%. Mato Grosso, 3% do faturamento nacional (R$ 1,4 bilhão), crescimento de 45% e Bahia, 3% do faturamento nacional (R$ 1,7 bilhão), crescimento de 28%. 

O recolhimento de tributos cresceu 28% entre julho e setembro em relação ao trimestre anterior, chegando a mais de R$ 17 bilhões, sendo R$ 1,44 bilhão em royalties (CFEM - Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) e mais de R$ 16 bilhões em impostos, taxas e outros. No acumulado até setembro, o setor mineral recolheu R$ 43,46 bilhões em tributos. Em todo o ano de 2019, o total foi de R$ 52,94 bilhões. Os R$1,33 bilhão de CFEM do trimestre significa crescimento de 32,5% em relação ao 2º trimestre e de 23,6% em relação ao 3º trimestre de 2019. No 3º trimestre de 2020, o Pará recolheu, 47,4% de CFEM, seguido por Minas Gerais, 40,5%, Goiás (2,4%) e Bahia (2%). O recolhimento de CFEM aconteceu sobre 91 substâncias minerais, das quais quatro delas responsáveis por mais de 80% de toda a arrecadação no trimestre: minério de ferro (76,6%); ouro (cerca de 7%); cobre (4,5%); calcário dolomítico (2,4%). “Os dados refletem o que o IBRAM tem afirmado desde o início do ano, ou seja, que a indústria mineral será – e efetivamente está sendo – uma das principais responsáveis pela retomada da economia nacional. São empregos mantidos e também criados; geração de negócios para milhares de empresas das cadeias produtivas; divisas importantes para a estabilidade econômica; tributos para fortalecer o poder público; e muitas ações de solidariedade e apoio direto e contínuo às comunidades neste momento delicado de pandemia”, diz Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do IBRAM. 

“A perspectiva para os próximos trimestres é manter a curva ascendente nesses indicadores, desde, é claro, que a pandemia ou outros fatores não interfiram no desempenho industrial, no Brasil e nos mercados compradores de minérios”, avalia Flávio Penido, diretor-presidente do IBRAM. Recentemente foi lançado o “Programa Mineração e Desenvolvimento” pelo Governo Federal, o que é sinal positivo para atrair investimentos no longo prazo, já que estabelece metas para o planejamento e a implantação de projetos sustentáveis de mineração. O programa é um documento dividido em dez planos e um conjunto de 108 metas. 

Segundo Penido, o plano procura estimular a mineração legalizada com foco na geração de resultados que proporcionem crescimento e desenvolvimento sustentável do país. “A população brasileira e os investidores internacionais sentirão mais confiança no desempenho do setor mineral e isso será muito positivo para todas as partes, inclusive, em atendimento ao interesse nacional por mais condições de promover o desenvolvimento socioeconômico e, isso, com cada vez mais participação da indústria da mineração”, completa Wilson Brumer. A perspectiva do IBRAM é abrir oportunidades bilionárias para mais investimentos ao longo da próxima década e um termômetro para isso será a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2020), fórum de debates e de negócios para o setor na América Latina, organizado pelo IBRAM há quase 40 anos. Este ano, em razão da pandemia, será realizado a partir de Belém (PA), de 24 a 26 de novembro, no entanto, 100% online para preservar a segurança das pessoas diante da pandemia. O IBRAM aguarda a participação de 50 mil pessoas de várias partes do mundo. 

Em relação aos investimentos, o IBRAM diz que estão previstos cerca de US$ 37 bilhões entre 2020-2024, sendo que o minério de ferro receberá aportes de US$ 15 bilhões ou quase 40% do total e bauxita (minério que dá origem ao alumínio) outros US$ 8 bilhões (quase 22% do total). Em seguida estão os investimentos para minérios utilizados na fabricação de fertilizantes, com US$ 6 bilhões (17%) e investimentos em projetos de cobre com US$ 2 bilhões (5,4%).

O IBRAM também apurou o saldo mineral no acumulado do ano, de janeiro a setembro de 2020: cerca de US$ 21 bilhões. Para efeito de comparação, este valor equivale a quase 47% do saldo comercial brasileiro no mesmo período. Em 2019, de janeiro a setembro, o saldo mineral tinha sido de US$ 19 bilhões, correspondendo a 66% do saldo comercial brasileiro. A exportação de minérios no 3º trimestre (107,8 milhões ton.) foi 35,8% superior em toneladas a do 2º trimestre de 2020 (79 milhões ton.) e 2,4% acima do realizado no 3º trimestre de 2019 (105 milhões de ton.). As exportações de minério de ferro – que representa os maiores negócios de comércio exterior do setor mineral brasileiro – totalizaram cerca de US$ 8 bilhões (103 milhões de toneladas). As exportações de ouro no 3º trimestre de 2020 foram de US$ 1,4 bilhão (quase 26 toneladas), resultado 26% superior em dólar e 13% em toneladas aos números do 2º trimestre: US$ 1,1 bilhão (23 toneladas) As exportações de manganês, pedras e revestimentos e bauxita foram superiores em dólar em relação ao 2º trimestre: 86%, 55% e 11%, respectivamente. Houve queda em dólar para nióbio, caulim e cobre: 39%, 2,8% e 2,2%, respectivamente. As vendas externas das demais substâncias minerais foram inferiores em dólar: nióbio (57%); bauxita (42,5%); caulim (15%); manganês (14,7%). 

Já as importações somaram 9,3 milhões de toneladas de minérios, total 9,6% inferior em toneladas e 13% em dólar ao importado no 2º trimestre. O Brasil importou com mais relevância, os seguintes minérios: carvão mineral, cobre, enxofre, potássio, rocha fosfática, pedras e revestimentos e zinco. Houve incremento, em dólar, nas importações de pedras e revestimentos (39%); rocha fosfática (18%); potássio (11%), enquanto as quedas foram de 52% na importação de zinco e de 59% na de carvão mineral.

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