Lucro líquido atinge R$ 896 milhões no primeiro trimestre
A Usiminas registrou Ebitda Ajustado Consolidado de R$ 653 milhões no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 56% em relação ao último trimestre de 2025, mas uma queda de 11% quando comparado ao mesmo trimestre de 2025. A Margem EBITDA atingiu 11%, ante 7% no trimestre anterior e em linha com o primeiro trimestre do ano passado. O lucro líquido alcançou R$ 896 milhões, aumentos de 596% e 166% sobre o quarto trimestre e o primeiro trimestre de 2025, respectivamente, o que refletiu a evolução do resultado operacional e do resultado financeiro, beneficiado por ganhos cambiais líquidos no período. Já a receita líquida alcançou R$ 5,9 bilhões, redução de 5% em relação ao 4T25 e de 14% frente ao 1T25 por causa da queda nas Unidades de Siderurgia e de Mineração.
Os resultados da Usiminas no trimestre foram beneficiados pela melhoria do mix de produtos, da redução de custos e do fortalecimento da competitividade da companhia. A Usiminas encerrou o trimestre com Caixa Líquido de R$ 391 milhões e alavancagem de -0,20x (Dívida Líquida/EBITDA), reafirmando a solidez do balanço patrimonial e disciplina financeira. O Fluxo de Caixa Livre foi positivo em R$ 84 milhões, mesmo com CAPEX de R$ 285 milhões no período. “Estamos trabalhando fortemente para melhorar o retorno para os nossos stakeholders, por meio da busca contínua por eficiência operacional, disciplina na alocação de capital, otimização do mix de produtos e fortalecimento das relações comerciais. Seguimos confiantes na capacidade do nosso time de capturar as oportunidades geradas pelo novo cenário competitivo e entregar resultados cada vez mais consistentes”, afirmou Marcelo Chara, presidente da Usiminas. “Os resultados são reflexo do compromisso da equipe em gerar valor sustentável”, comentou Chara. Para o executivo, os próximos trimestres tendem a ser desafiadores por conta do conflito do Irã e o impacto na economia brasileira, devido ao aumento no preço do petróleo e do gás natural, aumento da inflação e queda mais lenta das taxas de juros, além do risco de disrupção nas cadeias de suprimentos, em particular no transporte marítimo de mercadorias. “Apesar deste cenário complexo, para o próximo trimestre temos uma expectativa de resultados operacionais consolidados relativamente estáveis. Na Siderurgia o volume de vendas deve permanecer no mesmo patamar, se mantendo a dinâmica positiva no segmento automotivo e desafiadora nos segmentos comerciais, pelo alto nível de importação observado no primeiro trimestre de 2026. Na Mineração, esperamos recuperação no volume de vendas e aumento dos custos logísticos, pelos maiores preços do diesel e do frete marítimo”, sinaliza.
Em fevereiro, o Brasil aplicou direitos antidumping sobre as importações de aços laminados a frio e de aço revestidos. Essas ações começaram a alterar o ambiente competitivo, sinalizando maior defesa à indústria doméstica frente a práticas comerciais desleais. Os importadores aumentaram temporariamente os níveis de estoque do material importado no mercado brasileiro. A expectativa é que os estoques sejam normalizados nos próximos meses. Além das medidas já implementadas, está em fase final a investigação de laminados a quente da China. “Estamos confiantes com a finalização dentro da data divulgada de julho/26. É importante dar seguimento às medidas de defesa comercial contra práticas desleais, considerando que essas medidas são complementares, uma vez que o antidumping é exclusivo da China, mas já há importações de aços a preços subsidiados de outros países da Ásia”, afirma Marcelo Chara.
Na área de Siderurgia, o Ebitda Ajustado somou R$ 544 milhões no trimestre, crescimento de 140% frente ao período anterior, impulsionado por um aumento de 4,9% na receita líquida por tonelada — reflexo de melhores preços e mix de vendas, com destaque para o aumento nas vendas ao segmento automotivo — e pela redução de 1,8% no Custo de Produtos Vendidos por Tonelada (CPV/t), beneficiada pela desvalorização do dólar frente ao real. A produção alcançou 729 mil toneladas de aço bruto, 7% a menos que o último trimestre de 2025 e 6% inferior em relação a um ano antes. As vendas foram de 1.007 mil toneladas no trimestre, com quedas de 7% e 8%, respectivamente, na comparação com os períodos.
Na divisão de Mineração, o Ebitda Ajustado atingiu R$ 111 milhões no primeiro trimestre de 2026, retração de 40,1% em relação ao último trimestre de 2025, bem como queda na comparação com um ano antes. A produção somou 1,9 milhão de toneladas até março, 18% a menos em relação ao quarto trimestre de 2025, porém, 10% acima sobre o mesmo período do último ano. O desempenho no último trimestre foi impactado por chuvas mais intensas e contínuas, acima do trimestre anterior, que alteraram as características do material processado e reduziram a eficiência operacional. Além disso, houve ajustes operacionais para priorizar áreas de maior produtividade. Continuam em andamento os projetos prioritários para a Usiminas, como a planta de PCI (Pulverized Coal Injection), com finalização prevista para o segundo semestre de 2026, mas com benefícios já sendo capturados ao longo primeiro trimestre; a reconstrução e reparo a quente das baterias de coque e a construção do novo gasômetro.