EUA admitem que poderão financiar projetos de refino no Brasil
Os Estados Unidos poderão apoiar o desenvolvimento de projetos de refino de minerais críticos no Brasil, desde que faça sentido economicamente. Foi o que admitiu o secretário de Estado Adjunto para Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais dos EUA, Caleb Orr, durante coletiva de imprensa, no dia 11 de fevereiro, para discutir os resultados da reunião ministerial sobre minerais críticos realizada em Washington no dia 4 de fevereiro, que contou com a participação de delegações de 54 países da Comissão Europeia com o objetivo de adotar medidas e fortalecer as cadeias de suprimento de minerais críticos seguras e resilientes.
Durante a entrevista, ele reiterou que os minerais críticos são uma prioridade do governo Trump e que os Estados Unidos acreditam que as cadeias de suprimento resilientes reduzem os riscos de vulnerabilidades externas. Orr acrescentou que as Américas estão no centro da segurança das cadeias de suprimento globais, incluindo os minerais críticos. Por esta razão, os EUA estão desenvolvendo parcerias no sentido de atrair investimentos para projetos de minerais críticos.
“O hemisfério ocidental é essencial para as cadeias de suprimento energéticas resilientes, por que as maiores reservas de minerais como lítio, cobre, terras raras, são prevalentes na região”, disse Orr, acrescentando que as embaixadas em todas as regiões estão priorizando a diplomacia para atrair investimento externo em mineração, processamento e refino. “Estamos reforçando a colaboração para minérios críticos nas Américas com parceiros que participaram na ministerial, como é o caso de Argentina, Brasil, Bolívia, Canadá, República Dominicana, Equador, México, Paraguai e Peru. Essas parcerias reforçarão cadeias de suprimento transparentes, criarão bons empregos, atrairão investimento em infraestrutura, criando alternativas aos fornecedores não confiáveis”, afirmou. Nesse sentido, ele mencinou acordos já firmados com Argentina, Paraguai, Equador e Peru. “Lançamos uma iniciativa forte, com projetos de 30 bilhões de dólares, para garantir a segurança das nossas cadeias e criar oportunidades de investimentos sólidos”, disse o secretário Adjunto.
Indagado sobre se o governo dos Estados Unidos e as empresas norte-americanas estão preparados para apoiar o processamento local e a transferência de tecnologia para o Brasil, ele disse os Estados Unidos vêem o País como parceiro estratégico na construção da cadeia de suprimento de minerais críticos resiliente e segura, explorando oportunidades para apoiar a capacidade no Brasil através do financiamento e de cooperação técnica através da Corporação de Financiamento Internacional, conhecida como DFC. “Há dois projetos para os quais a DFC já está providenciando financiamento, que são os da Serra Verde e da Aclara. O Brasil tem reservas ricas, principalmente em terras raras, e acreditamos que é um parceiro promissor para os Estados Unidos. A nossa abordagem reconhece cadeias de suprimento que exigem parcerias sólidas, seja processando no Brasil, nos Estados Unidos ou em ambos os países. E ansiamos continuar o trabalho com o Brasil”, salientou. Ele também explicou que os Estados Unidos querem uma solução ganha-ganha em termos de refino, que poderá ser feito no Brasil, “desde que faça sentido do ponto de vista econômico. “Os Estados Unidos estão interessados em desenvolver capacidade de processamento no Brasil e em outros países que sejam próximos aos Estados Unidos e que se encontram dentro dessas cadeias de suprimento seguras que estamos tentando criar. Como eu disse, dada a grande concentração de terras raras no Brasil, os Estados Unidos já estão financiando alguns desses projetos e um passo seguinte natural é ajudar nesse processo”, concluiu. (Francisco Alves)