Brasil volta a ser comprador ativo do metal e reservas crescem 33% em 2025
Seguindo a linha de outros países como Cazaquistão, Polônia e Turquia, o Brasil voltou a ser um comprador ativo de ouro, através do Banco Central, para aumentar suas reservas. Em 2025, o Banco Central quebrou um hiato que durava desde 2021 e voltou a adquirir o metal precioso, adotando uma estratégia de diversificação das reservas internacionais brasileiras, como forma de fazer frente a um cenário de alta volatilidade global. Em apenas um mês, setembro de 2025, o BCB adquiriu 15 toneladas de ouro, em uma única operação. Ao longo do ano passado, a estimativa é que as reservas brasileiras do metal tenham aumentado cerca de 33%, alcançando um volume de aproximadamente 145 toneladas. Com a alta do preço do metal em 2025 (o aumento no ano foi da ordem de 65%), o valor das reservas brasileiras de ouro praticamente dobrou em 2025, passando de US$ 11,7 bilhões para mais de US$ 23 bilhões.
As motivações do Brasil para voltar a ser um comprador ativo de ouro incluem a desdolarização das reservas, já que o Brasil, assim como outros países dos BRICS, tem buscado reduzir a dependência exclusiva da moeda americana (a participação do dólar nas reservas brasileiras caiu de 89% para cerca de 78% nos últimos sete anos), a proteção das reservas, já que o ouro é visto como um “porto seguro” contra a inflação global e as incertezas geopolíticas como as tensões no Oriente Médio e as políticas tarifárias dos EUA, e a busca por rentabilidade e diversificação. Com o ouro atingindo máximas históricas (tendo superado os US$ 4.600 por onça em momentos de 2025 e ultrapassando US$ 5 mil em 2026), o metal tornou-se um dos ativos mais rentáveis da carteira do Banco Central do Brasil. Em março de 2026, as reservas brasileiras de ouro estão avaliadas em cerca de US$ 29 bilhões, consolidando o metal como uma fatia relevante do colchão de liquidez do Brasil. (Francisco Alves)