Projeto Carina, da Aclara, requer investimentos de US$ 780,9 milhões
A Aclara anuncia que concluiu o Estudo de Viabilidade do projeto Carina, em Goiás, com base na norma canadense 43.101, confirmando um projeto com capacidade de produção média anual de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras (REO) contidos em um concentrado misto de terras raras com alto teor de disprósio e térbio (DyTb) e neodímio e praseodímio (NdPr) de 4,2% e 27,2%, respectivamente. O projeto prevê também a produção de outros elementos de terras raras pesados (HREE) estratégicos, como: 173 toneladas de Samário (Sm), 176 toneladas de Gadolínio (Gd), 10 toneladas de Lutécio (Lu) e 1.160 toneladas de Ítrio (Y). Segundo a empresa, a produção futura de Disprósio e Térbio em Carina equivale a cerca de 11,8% da estimativa de produção da China em 2024. A vida útil prevista para o empreendimento inicialmente é de 18 anos.
O Custo de capital inicial (Capex de Construção) é de US$ 678,2 milhões, mais uma contingência de US$ 102,7 milhões, totalizando US$ 780,9 milhões. Este valor é US$ 100,4 milhões superior ao Capex de Construção anteriormente divulgado pela empresa em seu Estudo de Pré-Viabilidade, “devido principalmente à variação cambial, à inflação e à maior precisão da engenharia”. O Valor Presente Líquido (VPL) após impostos é de aproximadamente US$ 1,7 bilhão, a uma taxa de desconto de 8,0%, com base nas previsões de preços da Argus Media. A Taxa Interna de Retorno (TIR) após impostos é de 26,9%, com um período de retorno de 2,9 anos. A Receita líquida média anual prevista é de US$ 599 milhões e o lucro médio anual antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de aproximadamente US$ 460 milhões.
A empresa planeja iniciar os trabalhos preliminares no local até o terceiro trimestre de 2026, como parte do investimento em construção. Isso inclui a construção de acampamentos, melhorias nas estradas e determinada infraestrutura auxiliar para preparar o local para a construção acelerada em 2027. O Estudo de Viabilidade incorpora uma estratégia de modularização que permite a fabricação e a preparação do local em paralelo, reduzindo custos. Estima-se que o comissionamento comece no primeiro semestre de 2028, com a produção inicial no segundo semestre de 2028 e aumento gradual da produção ao longo de 2029.
Segundo o diretor de operações da Aclara, Hugh Broadhurst, "Concluir um Estudo de Viabilidade apenas seis meses após o nosso Estudo de Pré-Viabilidade é uma conquista significativa, e quero reconhecer o esforço dedicado de nossa equipe e parceiros técnicos que o tornaram possível. O nível de detalhamento de engenharia que estamos apresentando hoje é substancial — e reflete o trabalho considerável que foi investido no Projeto Carina desde o início. Continuamos sendo a única empresa no mundo a relatar reservas de minerais de terras raras pesadas provenientes de argilas iônicas, de acordo com a norma NI 43-101. Demonstramos nosso processo metalúrgico por meio de uma planta piloto de operação contínua. Este Estudo de Viabilidade se baseia nessa fundação com um nível de rigor apropriado à importância do Projeto. Nosso caminho para o mercado, por meio de nossa instalação de separação 100% própria, que está planejada para ser construída na Louisiana, EUA, reduz ainda mais os riscos do Projeto Carina e apoia nossa estratégia de vender terras raras confiáveis e rastreáveis para clientes de alto padrão. Isso estabelece firmemente nossa cadeia de suprimentos inicial inteiramente no continente americano. Nosso produto de alta pureza, O design de processos sustentáveis e a estratégia integrada "da mina ao ímã" agora são sustentados pela engenharia de uma das empresas líderes mundiais. Continuaremos trabalhando para aprimorar nossa tecnologia, que, a médio prazo, também planejamos aplicar no Brasil e em outros países onde operamos. O mundo precisa de um fornecimento concreto, independente e resiliente de terras raras pesadas — e a Aclara foi criada para fornecer exatamente isso."
“Brasil deve pensar a longo prazo”
“Embora esteja correto em sua estratégia de que a etapa de separação dos Elementos Terras Raras seja feita no Brasil, o governo brasileiro deveria encarar isto como uma política de longo prazo, a ser alcançada por etapas". É o que defende Ramón Barúa, CEO da Aclara Resources, que instalou em 2025, em Goiás, uma planta piloto para purificação do concentrado de ETR, recentemente inaugurou uma planta piloto de separação de terras raras na Virgínia Tech, no estado norte-americano de Virgínia.
Ele afirma que o interesse da Aclara é avançar com a tecnologia de separação das terras raras, que também poderá ser utilizada futuramente no Brasil. “Creio que a estratégia do governo brasileiro faz sentido, e nós a apoiamos. Mas defendo que o Brasil precisa pensar a longo prazo nessa direção, não apenas nessa pequena etapa, a separação de elementos de terras raras, mas, sobretudo, precisa considerar os usos de elementos de terras raras, de ímãs permanentes, que, como sabemos, têm aplicações em veículos elétricos, mas também em robótica e em diversas indústrias de alto valor agregado. A etapa de separação é relativamente pequena”, diz o executivo.
No caso da Aclara, segundo ele, que tem a mina no Brasil e a separação nos EUA, o valor agregado está sendo gerado no Brasil e não lá. “Vamos investir mais de US$ 780 milhões no Brasil, enquanto nos EUA o investimento será de apenas US$ 270 milhões. No Brasil, vamos gerar 2.500 empregos de qualidade, enquanto nos EUA apenas 130. E o valor estimado dos impostos que pagaremos no Brasil, comparado ao que pagaríamos nos EUA, é cerca de seis vezes maior. Portanto, acredito que, se considerarmos essas variáveis, a maior parte do valor agregado é gerada nas etapas de mineração, concentração e purificação, o que nos permite atingir um concentrado com 97% de pureza. Penso que o Brasil deveria incentivar a existência dessa primeira etapa, para que possamos avançar para as próximas”, argumenta.
Outros fatores que Ramón Barúa considera importantes para respaldar seu ponto de vista: “atualmente, a tecnologia de separação é dominada e controlada pela China. E para criar essa tecnologia, para replicá-la no Ocidente, existe um ecossistema acadêmico e de inovação nos EUA que faz dele o lugar certo para esse desenvolvimento. Estamos trabalhando com a Virginia Tech e o Laboratório Nacional de Argonne, o que nos permitirá aprender sobre essa tecnologia. E, uma vez que a tenhamos, poderemos trazê-la para o Brasil. Por quê? Porque no Brasil já existem mais de 40 projetos de terras raras, e haverá mais. Na Aclara, por exemplo, continuamos explorando terras raras e estamos interessados em outros depósitos de argila iônica, pois sabemos que existem. E acredito que, se o Brasil desenvolver uma estratégia inteligente e robusta, com incentivos para atrair investimentos, poderá se tornar uma potência mundial no desenvolvimento de terras raras. Mas, primeiro, precisa adquirir essa tecnologia”. (Por Francisco Alves)