Mineradoras catarinenses debatem digitalização e eficiência operacional

25/05/2026
O evento reuniu donos de mineradoras de agregados e gestores de planta em torno de uma pauta estratégica que incluiu perspectivas econômicas, otimização de plantas, digitalização e sucessão empresarial.

 

A Metso em parceria com o distribuidor local - Lick Máquinas promoveu um encontro entre os donos de produtoras de agregados de Santa Catarina em Itajaí para discutir os rumos econômicos e tecnológicos do setor, em um momento de demanda aquecida por materiais voltados à construção civil e à infraestrutura. O evento reuniu donos de mineradoras de agregados e gestores de planta em torno de uma pauta estratégica que incluiu perspectivas econômicas, otimização de plantas, digitalização e sucessão empresarial.

Na abertura, o especialista do HSBC Daniel Lavardafez uma leitura macroeconômica onde reforçou a correlação entre o desempenho da indústria de agregados e os principais vetores do PIB, especialmente consumo, investimentos e construção. “Embora os fundamentos da economia sustentem um nível consistente de demanda, o ambiente ainda inspira cautela diante das incertezas relacionadas ao cenário eleitoral, que podem influenciar decisões de investimento no curto prazo. Ainda assim, a combinação de urbanização, necessidade de infraestrutura e resiliência do setor posiciona os agregados como um segmento com boas perspectivas”. Para os empresários presentes, a mensagem foi clara: há um ciclo favorável, mas ele exigirá maior disciplina operacional e agilidade na tomada de decisão.

Um dos consensos do encontro foi que a tecnologia deixou de ser a principal barreira e a digitalização atualmente engloba monitoramento em tempo real, integração de sistemas e uso de dados para tomada de decisão, fatores que ganham força em resposta a quatro vetores estruturais como a exigência por eficiência energética e hídrica ligadas às mudanças climáticas; o avanço da digitalização e eletrificação das operações; a crescente importância da economia circular e a necessidade de uso mais eficiente de recursos naturais. Nesse contexto, especialistas da Metso destacaram que o futuro das operações passa por maior previsibilidade, menor dependência de intervenção manual e uso intensivo de inteligência embarcada nos processos produtivos.

Na frente técnica, um dos principais focos foi a otimização de plantas de britagem como alavanca direta de rentabilidade. Segundo Hugo Athayde, gerente de propostas da Metso, o setor ainda convive com operações marcadas por instabilidade, um fator que impacta diretamente o custo final. “Onde há instabilidade, há desperdício. Onde há controle, há resultado”, resumiu o especialista. Athayde ressaltou que as operações tradicionais ainda apresentam produção intermitente, com equipamentos tendo uma alta carga circulante, manutenções corretivas baseadas no modelo “quebra-conserta”, e com isso os componentes tem um desgaste irregular, diminuindo a vida útil e aumento o custo por tonelada do material final. Em contrapartida, plantas otimizadas operam com produção contínua, controle em tempo real e melhor aproveitamento dos ativos, resultando em redução de consumo energético, maior vida útil de componentes e menor custo operacional. Nesse cenário, o uso do software Bruno Process® foi apresentado como ferramenta central para simulação e otimização de circuitos. A solução identifica gargalos, estabiliza a alimentação dos equipamentos e garante operação dentro da faixa ideal, com impacto direto na produtividade e na qualidade do produto final.

Na apresentação do especialista da Metso, Rafael A. Rodrigues, ocorreu a análise de dados que hoje é um fator-chave para tomada de decisões operacionais mais assertivas. Um dos principais gargalos das plantas, segundo ele, ainda é a manutenção inadequada. “A falta de controle sobre variáveis críticas, como temperatura, lubrificação e carga, reduz a vida útil dos equipamentos e aumenta a incidência de paradas não planejadas. A automação, nesse contexto, vai além do ganho de produtividade. Ela permite o aumento significativo da disponibilidade dos equipamentos, reduzindo a variabilidade do processo, garantindo uma padronização da qualidade do produto final e minimizando a dependência de mão de obra especializada”. Rodrigues concluiu dizendo que para atender às demandas do mercado é preciso ter agregados melhores, em termos de granulometria e consistência, onde controle operacional se consolida como um diferencial competitivo direto, garantindo um menor custo por tonelada. Complementando a agenda técnica, a Linck apresentou o Powertrack, linha de equipamentos móveis de origem chinesa integrada ao portfólio da Metso. A solução foi posicionada como uma alternativa competitiva para produtores que buscam maior flexibilidade operacional e rapidez de implantação, com destaque para a melhor relação custo-benefício, menor investimento inicial, facilidade de mobilização e versatilidade em diferentes aplicações. Segundo a empresa, o modelo atende sobretudo operações que demandam agilidade e expansão de capacidade com maior controle de investimento.

Além das questões operacionais, o encontro debateu a sucessão nas empresas familiares de agregados. Com forte presença de negócios conduzidos pelos fundadores ou pela primeira geração, cresce a preocupação com a continuidade das operações no longo prazo. Entre os desafios estão a identificação e preparação de sucessores, profissionalização da gestão, formação de novas lideranças e atração de talentos. Aldo Macri da GoNext, trouxe sua experiência pessoal e sua vivência como consultor em planos de sucessão para orientar aos participantes, a importância de iniciar com antecedência o diagnóstico da empresa e os possíveis programas de sucessores. Nesse contexto, a digitalização também aparece como catalisador de mudança organizacional, exigindo novas competências e estruturas mais profissionais.

O Metso Day Itajaí evidenciou que a indústria de agregados atravessa um momento decisivo. O crescimento da demanda está dado, mas sua tradução em resultados dependerá da capacidade das empresas de avançar em uma agenda clara com operações orientadas por dados, adoção consistente de automação, engenharia focada em eficiência e ROI, integração entre tecnologia e gestão. Mais do que investir em equipamentos, o desafio passa por evoluir o modelo de negócio. Para os empresários presentes, ficou evidente que o próximo ciclo de crescimento do setor будет definido menos pelo mercado e mais pela capacidade de executar com precisão, eficiência e inteligência operacional.