03/09/2020
MERCADO

Mesmo na pandemia, a mineração se valoriza

Apesar da pandemia, no segundo trimestre de 2020 a capitalização de mercado da indústria de mineração teve um crescimento de 32%, alcançando US$ 1,393 trilhão, enquanto o Índice de Preço de Exploração chegou a 135,9, o mais alto desde março de 2013, influenciado principalmente pelo significativo peso do ouro e pela performance positiva do preço do metal nos últimos três meses. 

Em contrapartida, os financiamentos para a atividade foram reduzidos em US$ 5 bilhões, chegando a US$ 7,2 bilhões. Considerando por regiões, o Canadá figura no topo da lista, com US$ 1,05 bilhão. O financiamento das majors se reduziram a cerca da metade do verificado no primeiro trimestre, enquanto para as juniors mais do que dobraram, indicando um forte mercado para os prospectores de ouro. A América Latina ficou em segundo lugar, com US$ 911,9 milhões, seguido pela Ásia, Pacífico e Oriente Médio (US$ 821,4 milhões), Austrália (US$ 818 mihões), Africa (U$$ 510,3 milhões), Europa (US$ 459,9 milhões) e  Estados Unidos (US$ 421,4 milhões). 

Já os investimentos em Capex das 150 principais companhias mineradoras, com apresentaram uma redução de US$ 7,5 bilhões, com forte redução nas empresas que atuam na produção de metais base.  

Já as atividades de perfuração tiveram queda de 21% no número de projetos e de 17% nos furos realizados. Um fato positivo é que as métricas ainda estão acima dos níveis registrados em 2016. No total, havia, no segundo trimestre de 2020, cerca de 400 projetos em atividade. 

No que se refere a fusões e aquisições, foram observados no período 38 acordos, no valor total de US$ 4,12 bilhões, sendo que apenas o ouro respondeu por 75%, totalizando US$ 3,13 bilhões. Os destaques foram a aquisição da Alacer Gold pela SSR Mining, por US$ 1,9 bilhão, e da Tibet Julong Copper pela Zijin Mining, por US$ 453 milhões. Apenas estas duas transações representaram cerca de 41% do valor total no período. 

Desempenho de preços

Os preços do cobre tiveram um bom aumento no trimestre, passando de US$ 4.618/t em março para US$ 6.434/t no final de julho, motivado pela forte demanda na China depois que ela flexibilizou o confinamento por conta do coronavírus. 

O minério de ferro passou de US$ 100/t no período, depois de ter chegado a US$ 79/t no início de fevereiro. Como a expansão do coronavírus colocou dúvidas sobre a capacidade de exportação do Brasil no segundo semestre de 2020,  a S&P Global mantém sua projeção de preço para a commoditiy em US$ 90/t para o ano de 2020. 

Há expectativa de que a produção primária de níquel na Indonésia cresça 46%, chegando a 550 mil t em 2020. Na ausência de suficiente demanda primária, o aumento de produção da Indonésia não será absorvido. Isto levará a uma sobre-oferta de 100 mil t de níquel no mercado, em contraste com um déficit de 30 mil t em 2019. Em razão disso, a média de preços projetada para 2020 é de US$ 12.290/t. 

Quanto ao zinco, apesar da alta de preços no segundo trimestre,  o metal não conseguiu recuperar os níveis de preços pré-Covid. Abril foi o mês da menor cotação, US$ 1.914/t, enquanto junho registrou a maior alta: US$ 2.032/t. As previsões são de que o mercado de zinco estará sobre-ofertado em 2020 e 2021, já que a demanda deve cair na Índia (15 mil t), México e Brasil (5 mil t).

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