Indústrias de cerâmica e siderúrgica migram para mercado livre

08/12/2025
O mercado de gás natural industrial do Brasil ultrapassa novos limites e atingiu um marco histórico, com 13,3 milhões de m³ diários até setembro de 2025, impulsionado pela liberalização do mercado

 

Segundo o relatório “Ainda em aceleração?”, da Wood Mackenzie, o mercado de gás natural industrial do Brasil ultrapassa novos limites e atingiu um marco histórico, com 13,3 milhões de m³ diários até setembro de 2025, impulsionado pela liberalização do mercado, que está remodelando fundamentalmente o cenário energético do País. A onda migratória para o mercado de gás, que abrange 68 empresas industriais, representa uma mudança sem precedentes no setor brasileiro. Grandes empresas industriais respondem por mais de 8,7 milhões de m³/dia, evidenciando uma significativa concentração entre os principais consumidores. “O Brasil demonstra como a liberalização do mercado pode catalisar mudanças estruturais rápidas”, disse Lucas Rego, analista de gás da Wood Mackenzie. “A migração ganhou força significativa no quarto trimestre de 2024 e no primeiro trimestre de 2025, quando os maiores consumidores industriais iniciaram sua transição. Os volumes aumentaram drasticamente durante esse período, antes de se estabilizarem em um ritmo constante de aproximadamente 0,6 milhões de metros cúbicos por mês”.

O setor de cerâmica liderou a migração, representando 40% de todas as empresas que fizeram a transição para o mercado livre de gás e com uma demanda de 3,3 milhões de m³ por dia. O setor siderúrgico apresenta um volume semelhante, também de 3,3 m³ diários. Juntos, esses dois setores respondem por metade de todo o volume migrado das Distribuidoras Locais de Gás (LDCs) para o mercado livre. Três empresas dominantes definem o cenário competitivo. A Petrobras lidera com 25 contratos direcionados estrategicamente a grandes clientes industriais. A Galp conquistou 21 contratos com foco em pequenas e médias empresas. A Edge se posicionou com um portfólio equilibrado de 18 contratos em diferentes segmentos de consumo. Juntas, essas três fornecedoras detêm 67% da participação de mercado.

A região Sudeste capturou 89% dos volumes de mercado livre provenientes de países em desenvolvimento, consolidando sua posição como o principal campo de batalha para a competição entre fornecedores. Observadores do setor preveem que a região Sul se tornará o próximo foco estratégico para os fornecedores. O Nordeste apresenta maiores barreiras de entrada devido a níveis de preços estruturalmente mais competitivos. "Com a maioria dos contratos atualmente com duração de até três anos e a migração de clientes em curso, a concorrência entre fornecedores está prestes a se intensificar significativamente", acrescentou Rego. "Este ainda é um mercado em amadurecimento e esperamos ver estratégias cada vez mais sofisticadas à medida que os fornecedores disputam relacionamentos de longo prazo com os clientes”. A análise destaca um padrão de concentração notável: embora a maioria dos contratos se situe na faixa de até 0,1 Mcmd, esses acordos menores representam apenas uma fração do volume total de 13,3 m³ diários do mercado livre. Isso reforça a ideia de que os grandes consumidores industriais são os principais impulsionadores da transformação do mercado. A participação se estende por diversos setores, incluindo construção, mineração, refino, fertilizantes, papel e celulose, produtos químicos e fabricação de vidro.