Grandes empresas preocupadas com Agenda ESG

09/06/2022
A pesquisa foi feita em setembro de 2021 pela Aberje junto a 79 companhias de diferentes segmentos.

Segundo pesquisa produzida pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), a maior parte das grandes empresas do setor minerometalúrgico e de materiais dispõe de programas para implementar os parâmetros ESG em suas organizações, tendo como foco assegurar o respeito à legislação, reduzir os riscos e melhorar a imagem institucional. O levantamento foi apresentado no Fórum de Líderes, evento que reuniu dirigentes de algumas das principais companhias do setor para discutir a adoção da agenda ESG como parte da 6ª edição da ABM WEEK. 

A pesquisa teve nove perguntas e seguiu modelo de investigação feita em setembro de 2021 pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) junto a 79 companhias de diferentes segmentos. Segundo o estudo, 89% das companhias ouvidas têm programas ou ações relacionadas à aplicação dos princípios ESG. A maior parte tem uma estrutura formal para trabalhar com o assunto – e 22% delas têm uma equipe específica para monitorar e gerir cada um dos fatores ESG. Na pesquisa da Aberje, o índice foi de 9%, o que aponta que o setor minerometalúrgico e de materiais já avançou mais na implementação da agenda.

No levantamento, todas as empresas indicaram como metas prioritárias reduzir os riscos para o negócio (para a Aberje, o índice foi de 62%), assegurar a observância da legislação (54% para a Aberje) e melhorar a reputação da companhia (57% para a Aberje). O estudo da ABM também demonstrou que boa parte das companhias determinaram métricas e metas relacionadas a reduzir o uso geral de água pela organização (78%, contra 30% dos respondentes à Aberje) e a reduzir as emissões de gases que geram efeito estufa (66%, contra 51% para a Aberje). Para 66% das companhias do setor, os principais desafios à implementação da agenda ESG são a dificuldade em medir o desempenho e quantificar benefícios e a falta de mecanismos de monitoramento transparentes e eficazes.

Cenira de Moura Nunes, gerente geral de meio ambiente da Gerdau, disse que enxerga uma mudança cultural a partir de 2014, de modo que a empresa passou a ser mais diversa, mais inclusiva e mais ágil. “Preparamos a nossa empresa para que ela pudesse absorver os conceitos de sustentabilidade, um valor maior que o valor financeiro para a organização”, ela afirmou.

A Novelis “tem contribuído desde os primórdios com a estrutura de reciclagem no país, por meio dos centros de coleta e com um trabalho muito próximo as cooperativas”, explicou Francisco Pires, presidente da Novelis América do Sul. A empresa recicla 21 milhões de latas por ano e, no passado, já assumiu desafios importantes, como reduzir em 30% emissões até 2026 e totalmente em 2050”, Pires afirmou.

A ArcelorMittal aderiu a certificações que estabelecem princípios concretos que devem ser seguidos para que suas operações sejam consideradas sustentáveis, explicou Guilherme Correa Abreu, gerente geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal. “Sem mensurar ESG, não é possível entendê-lo”, ele completou. 

Já Ricardo Fonseca de Mendonça Lima, vice-presidente da CBMM, ressaltou o histórico de responsabilidade social na companhia, que instalou operações em Araxá (MG) há 60 anos, investindo na capacitação da comunidade envolvente.

O conceito de licença social, desenvolvido pela Ternium Brasil, emergiu justamente por causa da necessidade de assegurar a sustentabilidade social do negócio, explicou Titus Friedrich Schaar, COO da empresa. O progresso na implantação dos princípios ESG só será possível se o setor admitir seu atual impacto, ele argumentou. “Nossa indústria responde por mais ou menos 10% das emissões no mundo. Isso é muito. É preciso reconhecer isso antes de tudo”, ele afirmou.

A consultora Vânia Lúcia de Lima Andrade, conselheira da ABM e coordenadora do Fórum de Líderes, disse que as empresas do setor e consumidores têm que saber se estão “dispostos a pagar mais por um produto produzido corretamente e dentro dos padrões ESG”. Vânia questionou os participantes do Fórum sobre qual deveria ser o papel da ABM na promoção da agenda ESG no setor. Houve unanimidade sobre a Associação atuar na difusão de boas práticas e exemplos. “Somente com o exemplo a gente poderá promover a agenda ESG. A ABM pode desempenhar o papel de difundir bons exemplos de sustentabilidade, já que ela tem um arcabouço imenso de matéria prima [de conhecimento]”, sugeriu Guilherme Abreu, da ArcelorMittal.