ABAL recorrerá de decisão sobre importações da China

04/02/2022
A entidade apresentou estudo econômico que demonstrava a existência de práticas de dumping e de dano à indústria nacional.

 

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) vai recorrer da decisão da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) no processo de investigação antidumping aberto para produtos laminados oriundos da China. “Ficamos surpresos com a decisão da Secex, que reconhece a existência de dumping, mas, ao mesmo tempo, alega que não havia nexo de casualidade, ou seja, não tinha como comprovar que as perdas na indústria nacional foram por causa das importações de laminados chineses”, disse Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL. 

A entidade apresentou estudo na ocasião da abertura do processo com base em estudo econômico que demonstrava a existência de práticas de dumping e de dano à indústria nacional. Em fevereiro de 2021, em caráter preliminar, a Secex constatou a existência de dumping. Durante a investigação, no entanto, Janaina disse que a ABAL forneceu todos os dados sobre o comportamento das importações de laminados de alumínio de 2015 a 2019. Pelos dados, a produção nacional cresceu 23%. No mesmo período, as importações de laminados provenientes da China cresceram 212%. Os volumes e valores absolutos dos produtos objeto da investigação não são públicos, em razão da possibilidade de identificação de dados individuais das empresas peticionárias e demais envolvidos”, informou a ABAL.

As compras de laminados da China representavam em 2015 menos de 10% da produção nacional e passaram para mais de 24% em 2019, último período considerado na investigação, segundo a entidade. “Daí a surpresa com o desfecho do processo, uma vez que a própria Secex já havia reconhecido a deterioração dos indicadores da indústria doméstica. Por isso, vamos recorrer administrativamente da decisão”, afirmou a executiva.

Segundo Janaina, a resolução da Secex vai contra os esforços de outros países em coibir práticas comerciais desleais da China no mercado de alumínio. “Outros países e blocos econômicos, como Estados Unidos, Argentina, México, Índia, Turquia, Rússia e União Europeia também aplicam direitos antidumping e medidas compensatórias contra importações chinesas neste mesmo segmento”, ressaltou.