Projeto do Nap.Mineração/USP visa sustentabilidade

05/11/2021

Capacitar garimpeiros (ou mineradores artesanais) para conseguir fazer parcerias de sucesso com o setor privado e adotar práticas mais sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental. Este é o objetivo do projeto “ASGM - Coexistência no Brasil”, que o Núcleo de Pesquisa para a Mineração Responsável da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (NAP.Mineração/USP), está iniciando e que conta com financiamento do fundo EGPS (Extractive Global Programmatic Support), do Banco Mundial, além de parcerias com a Organização Brasileira de Cooperativas (OCB), Cooperativa dos Garimpeiros do Vale do Rio Peixoto (COOGAVEPE), Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Lourenço (COOGAL) e University of British Columbia (UBC), bem como da empresa privada Newlox Gold.

A ideia é “preparar os garimpeiros para o século XXI, estabelecendo modelos de mineração mais seguros e eficientes e disseminando técnicas de recuperação de ouro sem mercúrio, práticas e princípios de Saúde e Segurança, ESG, Gestão Econômica e Igualdade de Gênero”, segundo o diretor do Nap. Mineração, professor Giorgio De Tomi, que coordena o projeto, o qual também tem a participação do pesquisador Carlos Henrique Xavier de Araújo. O projeto venceu um edital internacional, com a participação de seis concorrentes internacionais. O Nap.Mineração, única entidade brasileira a se apresentar, foi o ganhador. 

Serão realizados, no âmbito do projeto, estudos inéditos com duas cooperativas de garimpeiros, a COOGAVEPE, localizada no município de Peixoto de Azevedo (MT) e a COOGAL, localizada no Distrito de Lourenço no Amapá (uma cooperativa diferenciada, por ser uma das únicas a contar com portaria de lavra, ao invés de Permissão de Lavra Garimpeira).  O projeto também incluirá um programa inicial de capacitação para garimpeiros que envolve treinamento em questões-chaves da mineração de ouro. 

Segundo De Tomi, o projeto será realizado em quatro fases: a primeira é de entendimento, em que escuta os garimpeiros, a empresa que tem a experiência de convivência e proposição do modelo de coexistência que seria adequado para as duas cooperativas. Na segunda etapa, define-se o tipo de capacitação que vai ser feita para os garimpeiros. Na terceira, é feita a entrega do treinamento. Também estão inclusos nesta fase visitas de uma delegação do Amapá e outra do Mato Grosso para a Costa Rica, para que os garimpeiros daqui interajam com os de lá. E a última fase é disseminação, quando o programa será disponibilizado para cooperativas de garimpeiros em todo o Brasil.