13/09/2017
AÇO

Entidades se unem contra aumento de preços

Um grupo de 18 entidades de classe decidiu assinar um pleito endereçado à Presidência da República para tentar evitar um aumento no Custo Brasil por meio do crescimento no preço do aço no País. O aumento no preço do aço prejudicaria a indústria nacional junto a concorrentes da Europa e Estados Unidos. 
 
O grupo alerta sobre o risco do direito de antidumping e medidas compensatórias de subsídios sobre as importações chinesas e russas de aços laminados planos a quente. Para José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, além de impedir a aplicação do direito antidumping, a ideia é também reduzir a margem de aumentos de preço deste insumo nos próximos anos e proteger a competitividade da indústria nacional. 
 
Levar o tema à Presidência, segundo as entidades, mostram a preocupação com o processo nº 52272.001392/2016-01, que trata da investigação da existência de dumping nas exportações para o Brasil de laminados planos, de aço ligado ou não ligado, de largura igual ou superior a 600 mm, laminados a quente, em chapas (não enrolados) de espessura inferior a 4,75 mm, ou em bobinas (em rolos) de qualquer espessura, originárias da Federação da Rússia e da República Popular da China. De acordo com Velloso, tal processo vai contra o interesse público do setor produtivo brasileiro, com inevitáveis repasses de preços internos desse insumo. O aço plano laminado a quente se constitui em material de grande relevância para a economia nacional e poderá ter seus preços majorados, ocasionando perda de competitividade para as exportações em um cenário já adverso de valorização cambial.
 
Segundo as entidades, o prosseguimento do processo acarretará aumento do desemprego no Brasil, já que a aplicação do direito antidumping e o inevitável repasse de preços por parte das siderúrgicas nacionais gerará impactos multiplicadores para todas as cadeias produtivas do País. O grupo alerta ainda que o encerramento imediato desta investigação está relacionado com a clara inexistência de relação causal entre o dano e as importações investigadas, ressaltando-se o fato de que um aumento de custos implicará em maiores perdas para toda a cadeia e a necessidade de diminuir outros custos como a manutenção do emprego. 
 
Velloso lembra ainda que se trata de um "tiro no pé", pois com a medida os consumidores de aço no Brasil ficam com seus custos majorados, mas os bens fabricados com os mesmos aços feitos na China e Rússia entram no Brasil. “O Brasil está sendo inundado de bens fabricados com este mesmo aço vindo da China e Rússia. Somente em máquinas, em 2016, foram 3,6 milhões de toneladas de bens importados. “Mas, diante deste grave cenário econômico apresentado, o pleito que será encaminhado à Presidência da República é que essa investigação seja arquivada sem que a CAMEX aplique qualquer direito antidumping, sob pena de graves danos à competitividade da indústria brasileira, à reputação brasileira na OMC e à segurança jurídica interna”, concluiu Velloso.