18/05/2017
BARRAGENS

Construção à seco é apontada como solução

O principal ponto debatido no XXXI Seminário Nacional de Grandes Barragens (SNGB), que teve início no dia 15 de maio, em Belo Horizonte, foi a construção de barragens com novas tecnologias, mediante projetos definidos e geridos por equipes especializadas do início ao fim. Este foi um dos aspectos tratados no primeiro dia do II Seminário de Gestão de Riscos e Seguranças de Barragens de Rejeito, que faz parte da programação. O Brasil é o país que tem as barragens mais altas do mundo. Antigamente, elas não passavam dos 30 metros de altura. Há dez anos, as barragens no Brasil já atingiam 240 metros. “E em 2030 podemos ter barragens com 500 metros de altura. Para fazer frente à demanda, as novas tecnologias são cruciais, assim como a regulamentação para garantir a segurança”, alertou o canadense Andy Robertson, consultor internacional, na abertura do evento. 
 
Por outro lado, o consultor acredita que o modelo de barragens mais altas é mais eficiente e seguro do que inúmeras pequenas barragens. “Muitas barragens são projetadas para um determinado tempo, mas poderiam ter uma vida bem maior se não houvesse descontinuidade nas equipes e nos projetos.”
 
Segundo Marta Sawaya, geóloga do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que participou como relatora do evento, estudo realizado pelo órgão mostra que 41% das barragens de Minas Gerais são do tipo alteamento por montante de lama e trazem mais riscos de acidentes. A geóloga defende novos critérios para a construção das estruturas e cita que uma das alternativas seria a construção de barragens de rejeitos a seco, mais caras, porém mais eficazes. Ela citou inclusive que hoje existe um decreto estadual proibindo estruturas de alteamento. Só no Estado de Minas são 700 barragens para mineração e indústria, o que traz ainda mais relevância ao debate técnico. 
 
O especialista Joaquim Pimenta, da Pimenta de Ávila Consultoria, apontou que empresas como a Votorantim já estão utilizando a nova tecnologia a seco no município de Vazante, no Noroeste de Minas Gerais. Também a Alunorte usa o sistema no Pará. “Inicialmente esse sistema tem um custo mais alto, mas a tecnologia com o tempo tende a ter seu preço reduzido.”
 
Na cerimônia de abertura, o presidente do Comitê Internacional de Grandes Barragens - ICOLD, o suíço Anton Schleiss, alertou sobre a necessidade dos países se capacitarem para fornecer água e energia de forma sustentável para as próximas gerações do planeta. 

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