09/08/2017
MEIO AMBIENTE

Óleo usado de cozinha na captura de mercúrio

Uma tecnologia desenvolvida pela Flinders University, no sul da Austrália, está sendo testada em sites de mineração para o seqüestro de mercúrio e poderá contribuir para reduzir os impactos causados pela lixiviação de mercúrio no ambiente após os processos de mineração e a queima de combustível fóssil. 
 
O desenvolvimento da tecnologia teve origem quando uma equipe da Flinders University, liderada pelo Dr. Justin Chalker, desenvolveu um polímero denominado Sulfur-Limonene Polysulfide (SLP) a partir do óleo de laranja, em 2015, para tentar resolver o problema da poluição por mercúrio. O alto custo do SLP e sua limitada aplicação, no entanto, fez com que a equipe buscasse alternativas. “Um grande número desses sites onde queremos remediar a poluição por mercúrio – minas de ouro, plantas de cloro-álcalis e alguns segmentos da agricultura em que são usados fungicidas ricos em mercúrio – exige uma grande quantidade do material e por isto precisa ser muito barato, para se tornar viável”, disse Chalker. Em razão disso, a equipe procurou óleos de plantas mais baratos, como os de canola e, mais do que isso, os óleos de cozinha usados, o que permite um corte significativo nos custos das matérias primas. Além disso, o óleo usado de cozinha é mais durável, porque resiste a altas temperaturas e pode capturar uma maior diversidade de espécies de mercúrio, como aqueles encontrados no campo. 
 
O novo polímero tem apenas dois ingredientes: óleo de canola usado e enxofre, um subproduto de baixo custo da produção de petróleo. O polímero pode ser usado na remediação de solo, água e ar. 
 
Depois de absorver a poluição por mercúrio, o polímero (uma espécie de borracha) muda de cor, passando do marrom ao preto, indicando que o trabalho foi feito. O mercúrio permanece no polímero e pode ser estocado de forma segura, sem riscos ao meio ambiente. Chalker disse que a equipe demonstrou que o polímero baseado em óleo de canola e enxofre pode capturar mercúrio orgânico e inorgânico, mercúrio de metal e mercúrio na forma gasosa. Além do mercúrio, a equipe agora está mirando outras formas de poluição e até outras aplicações para o material. 
 
Obrigação legal 
 
“Em qualquer indústria onde o mercúrio é emitido ou usado intencionalmente, a empresa é obrigada legalmente a adotar planos para o controle das emissões e no caso em que não há tecnologia cujo uso seja viável a um preço razoável, terá que se buscar outras alternativas. Nós desejamos preencher essa lacuna”, disse Chalker. 
 
O polímero é licenciado para venda através da empresa Kerafast, uma companhia americana de reagentes que tem como principal objetivo desenvolver ferramentas de pesquisa e torná-las acessíveis à comunidade científica. Agora a equipe está trabalhando com firmas de engenharia em Adelaide para projetar plantas piloto e reatores que permitam produzir uma tonelada ou mais do material, disse o professor. A expectativa é que no próximo ano já se possa saber exatamente a escala em que o polímero pode ser usado. “Há outros materiais que podem ser adquiridos agora, como carvão ativado, mas pensamos que nosso polímero será bem mais barato, seguro e pode ser produzido em escalas bem maiores do que as desses outros materiais”, finalizou.

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