05/01/2017
TERRAS RARAS

Embrapii e CBMM investem em nova etapa

A Unidade Embrapii IPT e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) anunciaram início da segunda etapa do projeto que tem como meta a produção da liga didímio-ferro-boro, essência da constituição dos chamados ímãs permanentes, criados com elementos de terras raras. O novo projeto receberá aportes de R$ 2,7 milhões e tem duração prevista de um ano.

“A cadeia de produção dos superímãs se inicia na extração dos minérios, que é feita em Araxá (MG) pela CBMM. Depois, ocorre a concentração das terras raras, a produção dos óxidos e a obtenção do didímio, realizada na etapa anterior”, explica João Batista Ferreira Neto, pesquisador do Laboratório de Processos Metalúrgicos do IPT. “Nessa segunda etapa, o objetivo é obter a liga de didímio, ferro e boro, para então passarmos à terceira fase, em que poderemos produzir o pó da liga e o superímã em escala laboratorial”, acrescentou.

Atualmente os superimãs são aplicados em turbinas eólicas, carros elétricos e motores de alto desempenho, como os utilizados em eletroeletrônicos e os principais consumidores são países da Europa, Japão e Estados Unidos. Para o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, o valor agregado deste projeto é inestimável. “Este não é apenas um projeto que visa atender a uma demanda específica. Ele vai deixar um legado de capacitação científica para o Brasil, que poderá competir em um mercado em que o fornecimento é praticamente exclusivo”, declarou.

Em um mercado atual quase completamente controlado pela China, que possui mais de 55 milhões de toneladas de reservas em terras raras e domina toda a cadeia de produção dos ímãs, a entrada do Brasil neste segmento representa muito, economicamente. “Depois da China, temos a maior reserva de terras raras do mundo, com 22 milhões de toneladas, e ainda temos uma vantagem produtiva: as terras raras estão no rejeito da extração do minério de nióbio explorado pela CBMM, de maneira que o custo de extração seria abatido do custo total de produção”, esclarece o pesquisador.