Bahia quer exportar produtos com maior valor agregado

08/11/2021

O presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Antonio Carlos Tramm, disse que questões ambientais e, consequentemente, a proibição da comercialização de veículos movidos a combustíveis fósseis pela União Europeia, a partir de 2035, têm acelerado a adoção de carros elétricos em todo o planeta. "Precisamos deixar de ser exportadores de 'pau-brasil' e fortalecer a nossa indústria de transformação para exportar mais produtos com valor agregado. Hoje, por exemplo, somos o único produtor de Vanádio da América Latina, através da Largo Resources, mas a startup de baterias de vanádio para carros elétricos que eles anunciaram no ano passado será instalada em Boston, nos Estados Unidos", diz Tramm.

A expectativa é que cresça nos próximos anos a demanda por matérias-primas para baterias, como cobre, níquel e lítio. A Atlantic Nickel produz níquel em Itagibá (BA) e planeja duplicar a capacidade produtiva, com o início da operação subterrânea na Mina Santa Rita, prevista para 2028, o que vai elevar o tempo de vida útil da mina de oito para 34 anos. A CBPM realizou pesquisas e constatou novo depósito com potencial significativo de recursos de níquel a 26km da mina atual. 

Utilizado para a fabricação de condutores elétricos e em ligas metálicas como latão e bronze, o cobre respondeu por 18% da produção mineral baiana comercializada em 2020. Produzido pela Mineração Caraíba, o cobre é exportado para África do Sul, Canadá, China e Índia."O cenário otimista é fruto da evolução tecnológica impulsionada pelas novas exigências de mercado, motores elétricos e a busca por energias limpas e livres de poluentes. Já estamos vivendo a transição marcada pela busca de meios de produção com menores impactos ambientais. O cobre tem um papel fundamental nessa revolução verde que já está acontecendo", afirma Eduardo De Come, diretor financeiro da Mineração Caraíba. 

Para Tramm, a verticalização da produção mineral na Bahia fortaleceria as próprias empresas. "Hoje somos todos reféns das cotações das commodities. Se o preço no mercado cai, a empresa cai junto. Quem investir na produção final sai desse ciclo e se fortalece. Temos aqui boa mão de obra, matéria-prima, dez portos aptos para escoamento dos produtos. Não há razão para não fazer", conclui.