12/06/2020
ARTIGO TÉCNICO

A VISÃO DA WALM ENGENHARIA: Cenário legal e técnico das barragens de rejeitos de mineração no Brasil

A enorme demanda internacional por minérios, iniciada na última década do século XX, teve como consequência a geração de gigantesca quantidade de rejeitos, impondo aumento significativo nas dimensões das barragens e mudando, consideravelmente, os níveis de tensão aplicados aos aterros e suas fundações. Porém, muitas barragens continuaram a ser projetadas com base nos princípios clássicos da Mecânica dos Solos. Paralelamente, sociedade e órgãos reguladores registraram, em todo o planeta, o rápido incremento nas dimensões das barragens e têm adaptado regulamentações a esta nova situação. Contudo, no exterior e no Brasil ocorreram três grandes acidentes de rupturas de barragens, sendo um no Canadá, em 2014, e dois no Brasil, em 2015 e 2019. Estes acidentes, pelas suas causas (liquefação de um setor da fundação, no caso canadense, e liquefação do maciço nos casos brasileiros), tornaram-se marcos que impuseram completa mudança nos critérios de dimensionamento das barragens de rejeitos, e nas normas regulamentadoras no Brasil.

Atualmente, a Portaria 70.389/2017 e a Resolução N° 13/2019, ambas da Agência Nacional de Mineração, juntamente com os regulamentos complementares estaduais, formam o arcabouço legal que rege projetos, auditorias de segurança e descaracterização de barragens. Constatou-se que a liquefação, um fenômeno que era um ponto de atenção em zonas de média e grande sismicidade, ocorre também em condições de carregamento estático em estruturas que podem desenvolver cisalhamento não drenado nos materiais. Assim, métodos de investigação, tais como ensaios in situ CPTU e CPTU sísmico, e ensaios de laboratório do tipo direct simple shear (DSS) foram introduzidos como rotina, bem como passaram a ser utilizadas metodologias de análise de estabilidade, visando modelar o comportamento strain softening dos rejeitos. Protocolos de dimensionamento baseados na Mecânica dos Solos dos Estados Críticos, que melhor descrevem o comportamento do rejeito, também têm sido implementados.

Neste novo enfoque das barragens de rejeito, a gestão da água passou a ter muito maior importância em decorrência de seu potencial impacto na estabilidade das estruturas geotécnicas, requerendo estudos hidrológicos e projetos hidráulicos mais detalhados, em função de sua relevância para a concepção e operação segura das estruturas de contenção de rejeitos. Destaca-se também que, recentemente, mineradoras brasileiras passaram a adotar o sistema denominado “Engenharia de Registro” para suas barragens. Este sistema permite o acompanhamento sistemático das estruturas, por profissional independente, auditando-as continuamente para maximizar a confiabilidade nos estudos e projetos desenvolvidos para as barragens.

A WALM Engenharia, com escritório em Belo Horizonte - MG, acompanha este processo de mudanças legais, técnicas e de gestão, referentes às barragens de rejeitos, e está preparada para atender a este complexo conjunto de exigências, com profissionais altamente capacitados e treinados na utilização de softwares de última geração para análise de percolação e estabilidade de taludes, bem como para modelagem numérica da tensão versus deformação bidimensional e tridimensional. A empresa afirma que inovação, qualidade, eficiência e sustentabilidade são os pilares fundamentais do seu negócio, os quais sustentam a conquista dos melhores resultados para seus clientes, por meio de soluções técnicas estratégicas e criativas, na vanguarda do atual cenário e tendências mundiais da mineração.

A WALM Engenharia é uma empresa de Engenharia Geotécnica, Hidrologia, Hidráulica, Geologia de Engenharia e Mecânica de Rochas, atendendo aos setores de Mineração, Manufatura, Infraestrutura, Energia, Óleo e Gás, e Saneamento e possui equipe multidisciplinar, com vastos conhecimentos teórico e prático. Para atendimento às normas JORC e NI 43-101, a empresa também oferece profissional com certificação QP/CP (Qualified Person/Competent Person) em Geotecnia, pelo AusIMM (Australasian Institute of Mining and Metallurgy).