11/08/2020
CIMENTO

Vendas internas crescem 18,9%

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), as vendas de cimento no mercado interno alcançaram 5,9 milhões de toneladas em julho, um crescimento de 18,9% em relação ao mesmo mês de 2019. No acumulado do ano (janeiro a julho), os números também foram positivos, chegando a 32,9 milhões de toneladas, um aumento de 6,5% comparado ao mesmo período do ano passado. 

A indústria observa ainda com cautela o consumo de cimento no Brasil, após um primeiro semestre imprevisível. Os três primeiros meses de 2020 registraram queda pela demanda do produto em virtude das fortes chuvas de janeiro e fevereiro e do início do isolamento social e das restrições de circulação em março. Já no segundo trimestre, o setor começou a notar a retomada do consumo. O mês de abril, ainda que negativo, teve resultado melhor do que o projetado e um surpreendente crescimento a partir de maio e junho impulsionando os resultados do primeiro semestre. 

Um dos fatores que contribuíram para a retomada do setor foi a chamada autoconstrução (residencial e comercial) e a continuidade de obras do setor imobiliário. Atualmente, esses vetores de consumo respondem por aproximadamente 80% da demanda no país e colaboraram com as vendas do cimento no mercado interno. No caso da autoconstrução, muitas pessoas resolveram realizar pequenas obras em suas casas. Em paralelo, aproveitando a paralisação forçada pela pandemia, micro e pequenos empresários também decidiram executar as reformas e manutenções de maior monta em seus estabelecimentos a fim de se prepararem para a retomada das atividades e se adequarem ao novo cenário. 

“Apesar da preocupação com as incertezas que cercam a construção civil no segundo semestre, principalmente pela ausência de novos lançamentos imobiliários e o aumento do desemprego, enxergamos o desempenho do setor, até agora, de forma bastante positiva. Seguimos em uma trajetória ascendente que se iniciou em 2019 depois de quatro anos de queda, uma capacidade ociosa acima dos 45% e fechamento de 20 fábricas e dezenas de fornos acarretando numa brutal queima de capital. Esta recuperação ainda é pouco perto do prejuízo acumulado, mas já enxergamos um novo momento para a indústria do cimento no país” afirma Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC. O setor afirma que a falta de lançamentos, a ausência de grandes obras de infraestrutura e a pandemia impede uma visão mais consistente para a indústria até o final do ano. A instituição do Marco Legal do Saneamento e uma aprovação da Reforma Tributária podem abrir caminho para novos investimentos na economia e consequentemente fomentar o consumo de cimento, principalmente em 2021.

Outro ponto relevante está na definição do Governo Federal em relação ao novo programa habitacional. “Temos acompanhado de perto e aguardamos com grande expectativa o lançamento do “Casa Verde Amarela” que deverá alavancar com mais força o mercado imobiliário e de reformas, e reiniciar para os próximos dois anos obras de mais de 100 mil unidades habitacionais que até então estão paralisadas”.  A indústria do cimento é responsável por mais de 70 mil empregos (para cada emprego direto são gerados 4 indiretos), gera uma renda de R$ 26,4 bilhões ao ano e uma arrecadação líquida anual de R$ 3 bilhões em tributos.

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