16/01/2020
CIMENTO

Vendas crescem 3,5% em 2019

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), as vendas de cimento somaram 4 milhões de toneladas no Brasil em dezembro de 2019, um crescimento de 1,6% na comparação com o mesmo mês do na anterior. Com o resultado, o setor encerrou o ano com vendas de 54,5 milhões de toneladas, 3,5% a mais que 2018 e o primeiro resultado positivo desde 2014. “O índice de confiança da construção civil apurado pela FGV está crescendo desde junho e alcançou, em dezembro, o maior patamar desde 2014, sinalizando um crescimento sustentável do setor”, afirmou Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC. 
 
Apesar do resultado favorável, o setor cimenteiro operou quatro anos consecutivos em queda e, por isso, ainda tem uma capacidade ociosa de aproximadamente 45%. O consumo aparente de cimento em dezembro, que corresponde às vendas internas somadas às importações, totalizaram 4 milhões de toneladas, uma alta de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No ano, o crescimento foi de 3,3%. A expectativa para este ano é de algo próximo ao registrado em 2019. “A crise iniciada em 2015 foi forte, a indústria perdeu mais de 25% da produção e mais de 20 unidades foram fechadas no período. Portanto, a recuperação será gradual e dependerá da manutenção do crescimento imobiliário, ambiente macroeconômico favorável e da retomada dos investimentos em infraestrutura” analisou Paulo Camillo.
 
A baixa inflação e os juros atingindo o menor patamar histórico, aliados a uma agenda positiva do governo (reforma trabalhista, previdenciária, MP da Liberdade Econômica, etc) trouxeram um maior otimismo para o mercado. Mas o principal responsável pela recuperação do consumo de cimento foi o setor imobiliário, com destaque para o residencial. O número de unidades financiadas para construção cresceu 38% no acumulado até novembro. Na mesma linha houve alta de 17%, nos lançamentos residenciais, no acumulado até setembro, com destaque para os imóveis voltados para as classes média e alta. “Tivemos uma efetiva redução da taxa de juros de crédito imobiliário e a introdução do novo funding, que utiliza juros pré-fixados acrescidos da variação do IPCA, barateando as linhas de financiamento. Há grande expectativa quanto ao lançamento de uma nova modalidade de crédito imobiliário sem a correção já divulgado pela Caixa Econômica” comentou Paulo Camillo.
 
Em 2019 o setor do cimento ganhou o Roadmap Tecnológico do Cimento, documento que traça as principais ambições e diretrizes para a redução de quase 35% das emissões de carbono da indústria cimenteira do Brasil até 2050. O documento propõe alternativas para reduzir, ainda mais, as baixas emissões de CO2 da atividade, além de novas matérias primas e fontes alternativas de energia, como lixo doméstico, resíduos agrícolas e industriais, dentre outros. “Deveremos reduzir significativamente nossa dependência do coque, combustível fóssil e principal fonte de energia do setor que se submete às variações de preços do mercado internacional, agravados hoje pelo conflito EUA x Irã. Iremos avançar ainda nos campos da eficiência energética, inovação e tecnologia, como a captura e estocagem de carbono”, completou o presidente. Ainda na área sustentável, destaque para a ação da indústria ao coprocessar como combustível e matéria-prima cerca 30% (2 mil toneladas) do óleo coletado nas praias de 11 estados e 129 cidades do Nordeste, eliminando este passivo ambiental indesejado do litoral brasileiro.

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