07/01/2021
CIMENTO

Vendas crescem 11,7%, mas confiança cai

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), as vendas de cimento somaram 5,3 milhões de toneladas em novembro de 2020, um crescimento de 11,7% em relação ao mesmo mês de 2019. No acumulado dos onze meses do ano, as vendas totalizaram 56 milhões de toneladas, 10,4% a mais que no mesmo período de 2019. Novembro foi o pior resultado mensal no ano desde junho. 

Apesar do bom desempenho em novembro, Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC, disse que a confiança dos consumidores recuou pelo segundo mês consecutivo, reflexo da piora da situação atual e das expectativas para os próximos meses. “A incerteza relacionada à continuidade da pandemia e seu potencial impacto sobre a economia geram a desconfiança. Com a provável extinção dos benefícios emergenciais, muitos consumidores sentirão pela primeira vez, de fato, o impacto da pandemia na renda familiar. Ao mesmo tempo, os empreendedores da construção civil também demonstraram um menor otimismo sobre o desempenho da atividade”. 

Camillo Penna disse, ainda, que a incerteza de um programa de vacinação em massa e da própria vacina no Brasil faz com que a economia corra o risco de desaceleração. “Isto acentua a perda de confiança dos consumidores e empreendedores, já que muitos terão o fim do auxílio emergencial, além da alta do desemprego e a falta de perspectivas da criação de novos postos de trabalho que substituam a renda do benefício governamental”. 

Apesar de várias obras em andamento, a confiança do empresariado também recuou em relação à demanda e ao ambiente de negócios nos próximos meses. O movimento deu-se nos três segmentos da construção civil – Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados - indicando a insegurança com as elevadas incertezas do cenário geral.

Mesmo com a geração de mais de 138 mil postos de trabalho até outubro de 2020, o PIB do setor registrou uma queda de 7,8% no acumulado até setembro. Na mesma direção, o número de lançamentos caiu 10,5%, comparando o terceiro trimestre de 2020 com o mesmo período de 2019. 

A indústria do cimento é um setor muito sensível ao cenário macroeconômico e aos estímulos governamentais. Por isso, a indústria do cimento considera fundamental a aprovação das reformas (administrativa e tributária), da MP que trata do programa habitacional “Casa Verde Amarela” – com a regularização fundiária e o financiamento às reformas -, a volta do investimento em obras de infraestrutura (via recurso público, concessões ou parcerias público/privadas) e iniciativas economicamente sustentáveis que contribuam para a redução de riscos do setor e o desenvolvimento do país.