18/03/2020
COVID-19

Vale adota medidas de proteção

A Vale anunciou medidas e políticas de proteção para seus empregados e suas operações contra as ameaças que estão sendo apresentadas pelo surto de COVID-19 (coronavírus). A mineradora criou um comitê técnico de crise e um comitê executivo para gerir as ações resultantes da pandemia; viagens de negócios e eventos não-essenciais foram cancelados ou adiados até novas orientações e empregados retornando de viagens no exterior são instruídos a contatar o departamento de saúde da companhia por telefone antes de retornar às atividades, mesmo que não apresentem nenhum sintoma de contaminação. Em escritórios em países onde o COVID-19 tem apresentado um impacto mais severo, a Vale implementou a rotina de trabalho remoto (home office). 

No Brasil, a Vale não registrou impactos materiais nas operações, logística, vendas ou situação financeira por causa do coronavírus, além de não ter nenhum funcionário infectado. Globalmente, a companhia está em conformidade com os protocolos de saúde e segurança estabelecidos pelas autoridades e agências de cada país e está monitorando o desenvolvimento da situação. 

A Vale afirma que pode enfrentar dificuldades operacionais relacionadas à força de trabalho, dependendo da evolução do vírus nos países onde possui operações. Neste caso, a mineradora pode ter que adotar medidas de contingencia ou eventualmente suspender operações. Uma parcela significativa das receitas é originada em vendas realizadas para clientes na Ásia e Europa (63,3% e 13,8% da receita no ano encerrado em 31 de dezembro de 2019, respectivamente), assim como a companhia depende de uma extensiva cadeia de logística e de fornecedores, incluindo diversos portos, centros de distribuição e fornecedores que tem operações nas regiões afetadas.  

Canadá

A Vale decidiu desacelerar a operação da mina de Voisey's Bay e colocá-la em care and maintenance por um período de quatro semanas, como precaução para ajudar a proteger a saúde e o bem-estar das comunidades indígenas Nunatsiavut e Innu em Labrador, diante da pandemia do COVID-19. 

Até o momento nenhum dos funcionários da mineradora foi testado positivo para o COVID-19 em nenhuma das operações globais da Vale. A companhia tomou essa ação preventiva devido à localidade especialmente remota dessa área, com operações fly-in e fly-out e alta exposição a viagens. A Vale trabalhará em conjunto com as comunidades e autoridades para garantir que as operações não atuem como catalisadores para inadvertidamente introduzir o vírus nessas comunidades.

A planta de processamento de Long Harbour (LHPP) continua em operação e a produção de níquel e cobalto não deve ser afetada, dado que há disponibilidade de concentrado armazenado para alimentar a LHPP bem além do período de quatro semanas do care and maintenance. A produção de cobre em Voisey's Bay, no entanto, será reduzida na proporção do tempo de parada da mina (Voisey's Bay produziu 25 mil t de cobre em concentrado em 2019). A decisão também afeta o projeto de Expansão da Mina de Voisey's Bay, atualmente em transição para operações subterrâneas. 

A companhia informa restrições também e revisa seus planos para a paralisação das plantas de processamento de carvão em Moçambique. A suspensão das operações teria início no 2T20 e a nova data está em avaliação, o que poderá afetar o guidance de produção de carvão para 2020. 

A grande maioria dos empregados da Vale e terceirizados nos escritórios da companhia trabalhará em home-office a partir de 17 de março). A medida visa proteger funcionários e reduzir o número de pessoas no mesmo espaço de trabalho e a exposição a espaços públicos, como ônibus, metrôs e elevadores. 

Logística 

A Vale informa ainda que poderá interromper temporariamente, a partir de sábado, seu centro de distribuição na Malásia (Terminal Marítimo Teluk Rubiah, "TRMT", 23,7 Mt de Minério de Ferro enviado em 2019) até 31 de março, devido a supostas restrições impostas pelo governo local ao transporte entre cidades, o que poderia limitar o acesso dos trabalhadores ao TRMT.

Nesse cenário, os navios que se dirigem ao TRMT serão redirecionados e redistribuídos entre as instalações de blendagem da empresa na China, sem impacto no volume de produção e vendas esperadas no ano de 2020, mas com impacto nas vendas de aproximadamente 800.000 t no primeiro trimestre de 2020. Um aumento imaterial dos custos é esperado devido à logística adicional.