17/09/2019
MINERAÇÃO

Setor tem que reconquistar reputação

O painel "Desafios da reconstrução da reputação da mineração brasileira”, realizado dia 11 de setembro, na Exposibram 2019, debateu como a mineração brasileira pode recuperar sua reputação após os acidentes de Mariana (2015) e Brumadinho (2019). "A escolha dos participantes foi estratégica porque são as pessoas que não atuam na mineração e, por isso, podem nos apontar quais as falhas que o setor comteu e como podemos solucioná-las para reconquistar a confiança da população", afirma o diretor de Comunicação do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Henrique Leal Soares.

Para ele, a indústria de mineração necessita mudar e alcançar um nível operacional mais seguro. "Temos que transmitir à sociedade – e convencê-la – de que o setor é capaz de aumentar a segurança operacional dos processos e, assim, evitar novos acidentes. Entendemos que reputação não pode ser comprada ou alugada, mas conquistada. Estamos trabalhando para que a sociedade volte a acreditar que estamos fazendo todo um trabalho para evitar novas ocorrências e estamos convictos de que isso depende mais da adoção de medidas práticas, que tenham resultados concretos do que de discursos e narrativas", pontua.

Entre algumas iniciativas para tais mudanças estão a Carta Compromisso do Ibram Perante a Sociedade, que teve seu conteúdo divulgado na cerimônia de abertura do evento (9), o lançamento do Guia Ibram de Boas Práticas de Gestão de Barragens e Estruturas de Disposição de Rejeitos, bem como a assinatura do acordo de cooperação entre o instituto e a Associação de Mineração do Canadá para implantar no Brasil a metodologia TSM.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Reputation Institute, sob encomenda do Ibram, a avaliação pública do setor não é positiva. Dos 450 entrevistados em todo o país, 74% registraram nenhuma ou pouca familiaridade e empatia com a mineração nacional. O nível de medo e desconfiança chega a 70%. A metade fez associações negativas com a atividade e 18% se referiram especialmente ao rompimento das barragens como exemplo.

A diretora executiva do Reputation Institute, Ana Luisa de Castro Almeida, disse que a retomada da indústria mineral passa, necessariamente, pela reconquista da confiança perdida nos últimos anos e pela adoção de práticas que estejam em consonância com o discurso praticado pelas companhias. "É preciso esquecer o passado. Vivemos na era da indústria 4.0, onde as empresas são acompanhadas durante todo o tempo e em todos os seus aspectos. Elas estão mais expostas. No caso da mineração, o setor foi impactado pelo descompasso entre o que foi prometido e o que foi realmente realizado no caso de Mariana", ressalta.

A jornalista e escritora Cristina Serra, autora do livro reportagem "Tragédia em Mariana", lançado em 2018 com base no seu trabalho de campo e na coleta de materiais e documentos sobre o caso, leu trechos da obra para demonstrar a quebra de discurso da mineradora Samarco em relação às consequências do rompimento da barragem para a comunidade local. "O discurso é perfeito, mas a prática deixou a desejar, o que comprometeu a percepção que as pessoas têm do setor", ressalta. Participaram do painel também o diretor executivo da Agenda Pública, Sergio Rodrigo de Andrade, a especialista sênior em setor extrativista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Natascha Nunes da Cunha e, ainda, o vice-presidente sênior da Mining Association of Canada (MAC), Ben Chalmers.

 

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