01/07/2020
BENS DE CAPITAL

Setor tem pior maio em cinco anos

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o faturamento o setor alcançou R$ 9,5 bilhões (em termos absolutos) em maio de 2020, uma queda de 13,7% sobre o mesmo mês de 2019. Esse foi o pior resultado para o mês de maio dos últimos cinco anos. 

A queda no faturamento pelo segundo mês consecutivo refletiu os desdobramentos da crise pandêmica numa economia já enfraquecida.

A recuperação das receitas do setor observada no primeiro trimestre foi revertida em abril com a queda de 25,5%, que rebaixou o faturamento para R$ 7,9 bilhões. 

No acumulado até maio, o faturamento do setor registrou R$ 46,3 bilhões, um recuo de 7,7% na comparação com o mesmo período de 2019. No mercado interno, as vendas caíram 14,3% em maio – em abril a retração foi de 26,2%. Entretanto, no ano, as receitas internas encolheram 7,4% frente a 2019.

Em maio, as exportações atingiram US$ 516 milhões, 34,7% a menos que no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, as receitas de exportação já contabilizam queda de 23,6%. As vendas externas foram prejudicadas pelos mercados fechados e restrições à entrada de produtos estrangeiros por causa da pandemia do COVID-19. Os investimentos de clientes estrangeiros também foram adiados. 

O consumo aparente (total de máquinas e equipamentos absorvidos) cresceu 12,2% em 2020. No desmembramento, o consumo aparente mostra o aumento da participação das máquinas importadas a partir de 2018. Em contrapartida, as vendas internas permanecem constantes. Em maio, a queda de 10,7% do consumo aparente refletiu a forte queda das importações, devido à recessão da atividade econômica brasileira e à cautela dos setores produtivos quanto a novos investimentos no curto prazo.

A carteira de pedidos da indústria de máquinas permaneceu no patamar observado nos últimos três meses, de nove semanas em média para atendimento dos pedidos. A manutenção da capacidade instalada - - em torno de 70% -- e da carteira de pedidos, juntamente à menor queda das vendas internas e externas, mostram o setor bastante impactado pela pandemia. Segundo a Abimaq, a reversão desse cenário dependerá ainda das medidas de estímulo à economia no plano de recuperação. A interrupção das atividades produtivas nos principais países industriais como medida de precaução ao contágio do novo coronavírus gerou inúmeras dificuldades às economias, com empresas de diversos setores modificando contratos de trabalho e demitindo funcionários. Na indústria de máquinas e equipamentos, o mês de maio marcou a terceira queda consecutiva no número de pessoas empregadas que chegou a 295.904. Em relação a maio de 2019 a queda foi de 4%, redução de quase 12.500 postos.

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