17/12/2020
ARTIGO

Resultados de 2020 estimulam setor de rochas ornamentais

Por Arnaldo Francisco Cardoso *  

O elevadíssimo grau de incertezas com que todos tivemos de lidar neste ano que se aproxima de seu encerramento exigiu resiliência e criatividade para o enfrentamento de velhos e novos problemas. 

No tocante a manutenção de atividades econômicas produtivas, responsáveis por empregos, renda e abastecimento de bens e serviços, a compatibilização destas com as necessárias medidas de segurança sanitária se pôs como um imperativo a todos. 

Entre os setores que servem como parâmetros da atividade econômica nacional merece destaque o desempenho da construção civil, responsável por milhões de empregos diretos e indiretos e que, após enfrentar acentuada queda no primeiro semestre do ano, quando teve seus canteiros de obras paralisados nos meses mais críticos da pandemia, conseguiu entrar no segundo semestre em movimento de recuperação em "V" contribuindo para atenuar os números gerais de queda do PIB nacional, uma vez que o setor representa 7% da economia nacional. 

Integrante da extensa cadeia da construção civil, o setor de rochas ornamentais caminha para o encerramento do ano com números muito próximos aos de 2019. Com forte vocação exportadora, o setor engajou seus melhores recursos técnicos e humanos visando ao aproveitamento de oportunidades e a manutenção de contratos com clientes e fornecedores do mercado externo, transmitindo sinais de profissionalismo e confiabilidade. 

A interação das entidades do setor de rochas ornamentais em nível estadual e nacional também revelou a maturidade do setor e contribuiu para que trocas de experiências e soluções ocorressem entre seus profissionais, sendo um exemplo disto as várias edições do Stone Summit promovido pelo Centrorochas e Sindirochas do Espírito Santo, principal estado produtor e exportador do setor, através de eventos digitais de alta qualidade. 

Merece também menção a crescente incorporação de ferramentas digitais como o BI (Business Inteligence) no apoio à gestão e formulação de estratégias de empresas do setor. A qualificada leitura das informações que os dados carregam, associada aos fluxos de processos de negócios constituem-se em poderosa ferramenta de planejamento e gestão. 

Vivemos um tempo em que os dados se tornaram um valioso capital e que vem se afirmando no mundo todo como a nova vantagem competitiva. 

Números do BI Centrorochas referentes às exportações e importações apresentados por peso, valor receita/FOB total, preço médio US$/tonelada, participação de país-destino de exportações e origem de importações, entre outros, além de demonstrarem o desempenho do setor no comércio exterior comparativamente ao ano anterior, constituem-se em valiosa plataforma para a identificação de oportunidades e sustentação de estratégias para ampliação e qualificação da participação do produto brasileiro no mercado internacional de rochas ornamentais. 

Os Estados Unidos, por seu extraordinário potencial, tem catalisado os esforços de empresários brasileiros, sendo disto exemplo a nova planta do Grupo Guidoni no estado da Georgia, que recebeu investimento de mais de US$ 100 milhões. Também os números do comércio exterior acumulados de janeiro a novembro deste ano reforçam a importância desse mercado. Do total das exportações do setor, 63,20% foram para os Estados Unidos, somando US$ 567 milhões em receita e com preço médio/tonelada de US$ 694,93. Em segundo lugar entre os principais destinos das exportações do setor está a China e em terceiro a Itália. 

No tocante a China, o preço médio/tonelada de US$ 154,28, constituído majoritariamente pela exportação de blocos, só expõe o mesmo que configura quase a totalidade do comércio brasileiro para aquele país que é a ausência de produtos manufaturados, com valor agregado. 

Quanto à Itália, considerada um hub de distribuição de placas para todo o continente europeu, o valor total acumulado até novembro das exportações brasileiras do setor é de US$ 53 milhões e o preço médio/tonelada de US$ 513,33 dando ao país os contornos de um mercado que, ocupando o primeiro lugar entre os países de origem das importações brasileiras do setor, com US$ 3,8 milhões e preço médio/tonelada de US$ 640,38, gera US$ 50 milhões de superávit para nossa balança comercial e sinaliza para novas parcerias que ainda poderão ser construídas. Vale aqui lembrar que o Grupo Guidoni também está presente na Itália desde 2018 com showroom em Verona, região de Veneto, cidade onde ocorre anualmente a Marmomac, feira que integra a agenda internacional do setor. 

Oriente Médio e África são regiões das quais não há ainda países entre os dez principais destinos de exportações de rochas ornamentais do Brasil, mas, pontualmente há boas oportunidades que, vencidas barreiras burocráticas e de segurança para negócios, podem vir a adensar os fluxos comerciais do setor. 

A aposta em estratégias orientadas por inteligência de negócios, engajamento de profissionais com atitude empreendedora e visão internacional, e a capacidade de liderança dos gestores em sua condução poderão levar o setor a resultados surpreendentes, ainda melhores que os obtidos no desafiador ano de 2020.


* Arnaldo Francisco Cardoso é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville.