17/09/2019
MINÉRIO DE FERRO

Projeto da Bamin começa a sair do papel

Finalmente, começa a sair do papel o projeto Pedra de Ferro, da Bamin, que colocará o estado da Bahia no rol de produtores brasileiros de minério de ferro. De acordo com o presidente da empresa, Eduardo Ledsham, já foram iniciadas as obras do Porto Sul, em Ilhéus, um dos elos da cadeia logística que viabiliza o empreendimento, e o edital do leilão da Fiol—ferrovia que levará o minério até o porto – está prometido para maio do próximo ano, pelo Ministério dos Transportes.

O Porto Sul, que tem como sócios a própria Bamin e o governo do estado da Bahia, deverá ter capacidade de 40 milhões t, das quais 18 milhões t serão utilizadas pela mineradora e o restante se destinará ao embarque de grãos e desembarque de fertilizantes. Haverá folga, portanto, para ampliar a capacidade de embarque de minério, caso seja necessário no futuro. Os custos de implantação do porto – que poderá receber navios de até 220 metros de comprimento e tem calado de até 18,3 metros -- demandará investimentos da ordem de R$ 4 bilhões.

De acordo com Ledsham, assim que forem reiniciadas as obras da Fiol – que demandarão cerca de 28 meses para conclusão – começará a implantação da mina e usina, o que deve acontecer no segundo semestre de 2020, possibilitando que os primeiros embarques de minério sejam realizados já no primeiro trimestre de 2025. O período de ramp up previsto – até que o empreendimento atinja sua capacidade total projetada, de 18 milhões t/ano – é de dois anos.

O investimento total previsto para o projeto Pedra de Ferro – incluindo mina, conclusão da ferrovia e porto -- é da ordem de US$ 2,6 bilhões, sendo US$ 1 bilhão na mina, mais US$ 1 bilhão no porto e US$ 600 milhões para conclusão da ferrovia. O presidente da Bamin acredita que o financiamento do projeto não terá maiores dificuldades, porque não há risco de mercado. “Em 2018 realizamos um road-show, nos mercados chinês e japonês, que têm demanda três vezes maior do que a empresa consegue produzir. O produto é de alta qualidade, com 67 a 68% Fe (pellet feed para redução direta ou alto forno), e trata-se de uma especificação que o mercado está demandando. Hoje, na China, para se reduzir a emissão de CO2 só há uma saída, que é usar minério de alta qualidade e consumir menos carvão. Outros mercados menores também têm demanda por esse produto”. O minério a ser lavrado no Pedra de Ferro é composto por hematita com teor de 67% Fe e itabirito, que tem 38% Fe e por isto precisa ser concentrado. Como a hematita é de alto teor, o beneficiamento será a seco, o que reduz o consumo de água no processo. Quanto ao preço, o projeto também tem uma margem confortável, já que trabalha com break-even de 45 dólares a tonelada, enquanto o preço do minério premium (com 62% Fe) atualmente está na faixa de 90 dólares a tonelada. “Isto nos permite sobreviver inclusive nos ciclos de baixa e alavancar nos momentos de alta”, diz o executivo da Bamin.

Ele salienta que também não há qualquer risco geológico, já que foram realizados 375 furos totalizando mais de 61 mil metros de sondagem, comprovando as reservas. Também foram realizados dezenas de testes de beneficiamento e o estudo de viabilidade, feito em 2016, foi atualizado. Portanto, hoje o projeto depende apenas do equacionamento da logística, ou mais precisamente da Fiol. Tanto o projeto da mina quanto o do porto já estão com Licença de Instalação.

Para disposição de rejeitos, será usada uma barragem com alteamento pelo método a jusante, que também está devidamente licenciada. Segundo a empresa, a barragem terá características pioneiras de construção e gestão. Para isto, foram demandados mais de 15 mil estudos técnicos e cerca de 3 milhões de horas/homem no desenvolvimento do projeto da barragem.

Incluindo mina e porto, o empreendimento da Bamin vai gerar mais de 10 mil empregos diretos e 60 mil indiretos na fase de implantação, além de 1.500 empregos diretos e 9 mil indiretos durante a operação. A meta é contratar pelo menos 60% de mão de obra local. Segundo Ledsham, o grau de aceitação do empreendimento por parte da comunidade local é muito alto, mas mesmo assim a empresa continua os esforços no sentido de explicar todos os detalhes do projeto, porque “não vai fazer nada que a comunidade não queira”, conforme o dirigente. Ele lembra que Pedra de Ferro será o primeiro projeto de minério de ferro após Brumadinho e por isto pretende ser uma referencia em segurança. “Não somos grandes, mas seremos os melhores”, promete.

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