26/02/2020
VALE

Prejuízo, apesar do bom Ebitda

Apesar de ter obtido um Ebitda pró-forma (excluindo as provisões e despesas correntes relacionadas a Brumadinho), de US$ 18 bilhões em 2019, ou US$ 1,4 bilhão a mais que em 2018, a Vale registrou prejuízo de US$ 1,683 bilhão, contra um lucro de US$ 6,860 bilhões em 2018. O aumento do Ebitda deveu-se principalmente devido a maiores preços e variações cambiais favoráveis, parcialmente a menores volumes (US$ 2,796 bilhões), maiores custos, despesas e outros (US$ 1,404 bilhão) e despesas de parada devido a Brumadinho e outros (US$ 968 milhões). 

De acordo com a empresa, a redução de US$ 8,543 bilhões ocorreu, em especial, devido a provisões e despesas incorridas relativas à ruptura da barragem de Brumadinho, incluindo a descaracterização de barragens e acordos de reparação (US$ 7,402 bilhões); ao registro de impairment e contratos onerosos sem efeito caixa, principalmente relacionados aos segmentos de Metais Básicos e Carvão (US$ 4,202 bilhões); a provisões relacionadas à Fundação Renova e à descaracterização da barragem de Germano (US$ 758 milhões), que foram parcialmente compensados por uma menor perda com variações cambiais no ano (US$ 2,555 bilhões). 

A Vale reduziu os níveis esperados de produção pelo restante da vida útil da operação e reconheceu um impairment de US$ 2,511 bilhões. No segmento de Carvão, a reavaliação das expectativas sobre o yield de carvão metalúrgico e térmico, a revisão do plano de mina, que levou à redução das reservas provadas e prováveis, bem como a redução nas premissas de preço de longo prazo, levaram ao reconhecimento do impairment de US$ 1,691 bilhão. 

Mudanças após Brumadinho

A Vale informa que o novo Departamento de Segurança e Excelência Operacional, que tem autoridade para interromper as operações com base em razões de segurança, delineou seu plano de trabalho para os próximos dois anos com ações que cobrem as quatro áreas em torno das quais está organizado: Gestão de Barragens, garantindo que as barragens da Vale são seguras e alinhadas com os padrões internacionais; Integridade de Ativos, assegurando a manutenção dos ativos e a segurança das operações; Excelência Operacional, implementando o Vale Production System (VPS) por toda a Companhia, garantindo a continuidade das melhorias que estão sendo implementadas; Saúde e Segurança e Risco Operacional, aprimorando a cultura de segurança e mapeando os riscos de forma abrangente na companhia. 

A companhia também informa que no futuro planeja reduzir significativamente o uso de barragens e investirá em alternativas que permitirão substituir as operações de processamento a úmido por processos mais seguros e sustentáveis. O processamento a seco atingirá 70% da produção de minério de ferro nos próximos três anos e a Vale investirá US$ 1,8 bilhão nos próximos anos para aumentar o uso de filtragem e dry stacking em mais de 50% no volume processado a úmido restante; A Vale vai investir também no desenvolvimento de novas tecnologias, como a concentração a seco da New Steel, atualmente em fase de teste. 

Navio encalhado

Um navio carregado com 300 mil toneladas de minério de ferro da Vale encalhou na costa maranhense no dia 24 de fevereiro. Sobre o ocorrido, a Vale informou que “foi comunicada pelo operador do navio MV Stellar Banner que a embarcação sofreu avaria na proa após deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), na noite de segunda-feira (24), já fora do canal de acesso ao porto. Foi reportado ainda à Vale que, por medida de precaução, os 20 tripulantes foram evacuados com segurança e que o comandante do navio adotou manobra de encalhe a cerca de 100 quilômetros da costa de São Luís. A embarcação, construída em 2016, é de propriedade e operada pela empresa sul-coreana Polaris. Como operadora portuária, a Vale está atuando com suporte técnico-operacional, com o envio de rebocadores, e colaborando com as autoridades marítimas”.

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