Carolina Albernaz, da BCCC – Brazilian Canada Chamber of Commerce

08/03/2021
PDAC 2021

O tema ESG na visão de 16 mulheres

Durante a programação da “Brazil Mining Sessions 2021”, que marca a participação brasileira no PDAC 2021, uma tarde interessante, no dia 8 de março, dedicada ao principal assunto em discussão no mundo da governança empresarial da atualidade: ESG, sigla em inglês para Ambiente, Social e Governança e que atualmente é a principal tendência de adequação dos negócios a uma responsabilidade socioambiental sob correta governança por parte das empresas e instituições financeiras. 

E para debater 3 assuntos relacionados ao tema, em três painéis, 16 mulheres dividiram suas experiências, estudos e conhecimentos com os participantes deste evento virtual. Não por coincidência, por ser no Dia Internacional da Mulher, os painéis contaram como a participação apenas  de mulheres, que atuaram como moderadoras, expositoras ou debatedoras. Justo o destaque a elas. E sob a batuta de Carolina Albernaz, da BCCC – Brazilian Canada Chamber of Commerce.

No primeiro painel, a moderadora Simone Rocha conduziu o tema: “Negócios & Direitos Humanos: o impacto da nova regulação da comunidade europeia na sua empresa”. Tema muito oportuno, por ocorrer na data em que se celebram os 10 anos da publicação dos “Princípios Orientadores da ONU: Empresas & Direitos Humanos”. Participaram Nathalie Laureano, Especialista em Recursos Humanos da Braskem, Liesel Filgueiras, Gerente Geral de Recursos Humanos e Sustentabilidade da Vale e Raquel Althoff, Consultora Líder da Loening.

Raquel Althoff iniciou apresentando as diversas regulações quanto aos Direitos Humanos em vigor na União Europeia e em alguns de seus países específicos, para embasar a principal questão: se já existem tantas regulações em vigor, por que discutir uma nova? Simone Rocha levantou a importância de se registrar dois pontos: a adesão e antecipação a estas normas por consciência prévia é muito importante e não se pode deixar de olhar para a cadeia de suprimentos. Liesel Filgueiras apresentou as estratégias, políticas e gestão de RH da Vale. E Nathalie Laureano contou como a Braskem definiu os Direitos Humanos e Governança como metas prioritárias dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030 e como garantir o respeito aos direitos humanos nas práticas da empresa. 

Relatórios ESG: Regulação e Tendências” foi o tema do segundo painel, moderado por Fernanda Montorfano, sócia do Cescon Barrieu e com participação de Claudia Salles, Gerente de Assuntos Ambientais do IBRAM, Roopa Dave, da área de Sustentabilidade e Impactos da KPMG Canada, Magali Gable, Vice Presidente de Financiamento Sustentável do BMO e Luciane Moessa, fundadora da Soluções de Inclusão Sustentável. 

Luciane iniciou sua explanação explicando o ´Grupo de Trabalho sobre Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza”, da qual é membro. Mostrou, entre outros pontos relevantes, que mais da metade do PIB mundial é relacionado a recursos da natureza, como um dos exemplos que mostram que esta força tarefa de alto nível é necessária para delinear a materialidade financeira da perda de biodiversidade. Também a gestão de riscos para a biodiversidade não pode ser deixada de lado, apesar de precisar ser muito melhorada. Ela ainda abordou a relação específica com a mineração e segmento de metais. 

Em seguida, Claudia Sales mostrou a visão e o significado de ESG para a indústria mineral brasileira, na ótica do IBRAM, enfatizando as iniciativas mais recentes da mineração no Brasil para atingir uma melhor governança socioambiental e interação com a sociedade. A seguir Roopa Dave mostrou as diferenças das práticas de sustentabilidade tradicional com essa nova tendência, que inclui a Governança como fator chave. E enfatizou a perspectiva de negócios neste contexto. Magali Gable abordou como a ESG afeta as mineradoras e explicou que o banco não olha a melhor ou pior performance, mas sim qual a estratégia em vigor para alcançar uma boa performance. 

Por fim, o terceiro painel abordou “Compromisso ESG: Pegadas de Carbono e Biodiversidade” e foi moderado por Rebeca Stefanini Pavlovsky, Associada Sênior do Cescon Barrieu e teve a participação de Ana Cabral-Gardner, presidente do Conselho e Diretora de Assuntos Estratégicos da Sigma Lithium, Camila Goldberg, sócia do BMA Law e Thais Laguardia, Chefe Global de Sustentabilidade da NEXA. 

Rebeca começou lembrando do capital natural, definitivamente incorporado na discussão empresarial. E assim construiu a ponte para o tema, passando a palavra para Camila Goldberg, que enfatizou a necessidade de definir estratégias claras de redução da pegada de carbono e da valorização dos recursos naturais como mensagem clara ao mercado e às instituições financeiras. 

Em seguida, Ana Cabral Gardner abordou a análise de ciclo de vida e do capital natural. E citou exemplos de metas ESG e metas globais de sustentabilidade, tomando como base a experiência da Sigma e as metas que a empresa amadureceu e adotou. Para ela, não se deve apenas pensar em números que medem indicadores individuais, pois é necessário enxergar um todo, o ecossistema inteiro, a pegada em todas as suas dimensões. Questionada se uma empresa pode ser social e ambientalmente engajada e ainda ter resultados financeiros satisfatórios, ela foi categórica: “absolutamente, sim”.

A última painelista foi Thais Laguardia, que usou como gancho de sua fala e exemplo de ação responsável o “Legado das Águas”, programa da NEXA para preservação da Mata Atlântica, que é reconhecido pela UNESCO e por outros programas internacionais de conservação da natureza, um exemplo de como preservar o equilíbrio natural. A partir deste exemplo, Thais demonstrou as estratégias da empresa em diversas operações para atender aos preceitos de ESG, notadamente no campo da preservação da biodiversidade e da redução de emissões, buscando um modelo econômico de baixo carbono.  

Em resumo, as quatro horas de debate serviram para mostrar, sob vários aspectos, que alguns pontos do ESG precisam ser discutidos de forma mais ampla, a fim de que se crie e sedimente a consciência de que o tema deve ser definitivamente assimilado por todos no mundo dos negócios, como bem mostraram 16 mulheres profissionais, destacadas e competentes. (Rolf Fuchs, conselheiro de Brasil Mineral

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