11/01/2017
METAL

Nanopartículas em escala industrial

Startup com sede na cidade paulista de São Carlos, a nChemi está desenvolvendo nanopartículas de óxidos de metal que podem ter aplicação em variados setores industriais, como embalagens (maior proteção contra a umidade e oxigênio), tintas(superfícies metálicas om proteção contra corrosão) entre outros.

As nanopartículas também podem ser aplicadas em meios de contraste para exames por ressonância magnética e em material para recobrir dutos da indústria de óleo e gás. Outra importante aplicação se dá em tintas nanoestruturadas para uso em eletrônica impressa, em células fotovoltaicas orgânicas flexíveis (OPV, na sigla em inglês para "organic photovoltaic"), que convertem energia solar em eletricidade e representam uma inovadora fonte alternativa de energia. “O desenvolvimento de nanopartículas em escala industrial, de forma customizada, de maneira rápida, com custo competitivo e dentro do território nacional é pioneiro no Brasil e há poucas empresas no mundo que comercializam esses produtos”, disse Bruno Henrique Ramos de Lima, doutor em Ciência e Engenharia de Materiais.

Ele, juntamente com o químico Lucas Daniel Tognoli Leite e o engenheiro físico e também doutor em Ciência e Engenharia de Materiais Tiago de Góes Conti, todos egressos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), formam o trio de sócios-fundadores da nChemi. Outros três pesquisadores colaboram com o desenvolvimento dos produtos. “Nossa principal motivação para a criação da empresa foi a falta de fornecedores desse tipo de material no mercado nacional e o alto custo de importação. Com nossa experiência no desenvolvimento de nanopartículas, vimos uma oportunidade de explorar esse mercado”, contou Lima.

Um dos sócios diz que o principal diferencial das nanopartículas da nChemi em relação às demais concorrentes é a capa formada por moléculas orgânicas colocadas ao redor do núcleo de óxido metálico. Tanto o núcleo – que abriga propriedades como magnetismo, condutividade e absorção de raios UV – quanto a capa – que torna a nanopartícula compatível a diferentes meios (água, solventes orgânicos, polímeros, adesivos, entre outros) – podem ser modificados. Dessa forma, é possível escolher a propriedade do núcleo e o meio em que se quer aplicar, de acordo com a demanda do cliente. A tinta nanoestruturada, por exemplo, que é uma dispersão de nanopartículas em um solvente, pode ser ou não transparente, dependendo do tipo de nanopartícula. Se o material for óxido de ferro (Fe2O3), a tinta será quase preta. Se o material for óxido de zircônio (ZrO2), ela será quase transparente. Portanto, as tintas de corrosão e as usadas para integrar algumas das camadas das células fotovoltaicas orgânicas flexíveis (OPV) são baseadas em nanopartículas de óxidos metálicos diferentes, com aplicações diferentes.

“Essa capa de moléculas orgânicas ao redor do núcleo das nanopartículas aumenta a compatibilidade desse material com diferentes tipos de solventes, por exemplo, além de impedir que as nanopartículas se aglomerem, o que é essencial em algumas aplicações”, explicou Lima.

Criada em 2015, a nChemi é uma spin-off do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (Liec) da UFSCar, centro científico de excelência na pesquisa de nanomateriais que integra o Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP. Incubada na Fundação ParqTec de São Carlos, a nChemi foi a primeira a utilizar a infraestrutura do Núcleo de Inovação do CDMF.

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