20/05/2020
BRUMADINHO

Moradores interditam Mina Jangada

Moradores de Casa Branca, distrito de Brumadinho (MG) fecharam a entrada da Mina Jangada, administrada pela Vale, no último dia 18 de maio. Os moradores protestam contra a decisão da Vale em pagar auxílio integral somente para parte da população. Os manifestantes reclamam também que a mineradora não estaria cumprindo o termo de compromisso firmado com a Defensoria Pública, negando os pedidos de indenização por danos à saúde mental e danos econômicos.

A Mina Jangada segue fechada desde o rompimento da barragem do Fundão em janeiro de 2019, quando 259 pessoas morreram. Onze pessoas continuam desaparecidas e atualmente poucos funcionários trabalham no local, realizando apenas manutenção, segundo a Vale. Uma moradora do centro de Casa Branca carregava um cartaz cobrando o pagamento do auxílio para toda a comunidade, e não somente aos nove bairros definidos pela empresa – Tejuco, Planalto, Salgado Filho, Ponte das Almorreimas, Aurora, Varjão I, Varjão II e Regina Célia e Conceição de Itaguá. 

Os moradores afirmam não entender por que a Vale faz o pagamento emergencial para algumas pessoas, selecionando bairros, e não para todos. Eles querem pagamento integral para toda a população. 

A Prefeitura de Brumadinho não concorda com a decisão da Vale e tenta, até hoje, que o pagamento seja integral para todos os moradores da cidade. A Prefeitura disse ainda estar surpreendida com a nova decisão da Vale e com o valor que já foi pago.

Em nota, a Vale informa estar aberta ao diálogo e reforça que sua atuação em Brumadinho é o atendimento às pessoas impactadas pelo rompimento da barragem. "Com este objetivo, ampliou, na última semana, o número de pessoas que recebem o auxílio emergencial da empresa de forma integral (um salário mínimo por adulto, ½ por adolescente e ¼ para cada criança)". Segundo a Vale, o benefício foi estendido aos moradores dos bairros Tejuco, Planalto, Salgado Filho, Ponte das Almorreimas, Aurora, Varjão I, Varjão II e Regina Célia, em Brumadinho; e às comunidades de Córrego Frio, Ana Maria de Souza, Cohab I e Cohab II, Retiro do Brumado, José de Sales Barbosa e Residencial Bela Vista do município vizinho de Conceição de Itaguá.

Na nota, a Vale explica que a ampliação dos bairros atendidos levou em conta a proximidade destas comunidades com o epicentro de impacto causado pelo rejeito que escoou da barragem I, bem como a proximidade com as obras de reparação. Além dessas comunidades, já recebem o auxílio integral as pessoas que comprovadamente residiam, na data do rompimento, nas comunidades de Córrego do Feijão, Parque da Cachoeira, Alberto Flores, Cantagalo, Pires e nas margens do Córrego Ferro-Carvão, além das pessoas que participam dos programas de apoio desenvolvidos pela Vale.

A Vale informa que os demais beneficiários seguem recebendo 50% do auxílio, conforme acordo firmado na 2ª Vara da Fazenda Pública em novembro de 2019 pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Ministério Público Federal, Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, Defensoria Pública Federal e Vale.