10/06/2020
ARTIGO

Meio ambiente e mineração

Por Esteves Pedro Colnago *

Todos concordamos que precisamos dispor de bens minerais para o desenvolvimento do país e para promoção do bem-estar da sociedade. É por isso que o setor mineral é estratégico para o Brasil. 

Somos o oitavo país no ranking mundial de valor produzido pela extração mineral, com muitas potencialidades a serem descobertas e explotadas. A mineração é uma das atividades que mais gera empregos e recolhe impostos, movimentando as economias locais e nacional. 

Neste contexto, o Serviço Geológico do Brasil atua para identificar as potencialidades minerais, por meio de mapeamentos geológicos básicos e sistemáticos, em todo o território nacional. No mesmo tempo em que cuida do meio ambiente, ao desenvolver relevantes projetos de geoquímica ambiental e de diagnóstico geoambiental, com foco na preservação e na melhoria da qualidade de vida das populações, atendendo assim aos três pilares da sustentabilidade: respeito ambiental, responsabilidade social e desenvolvimento econômico, com geração de emprego e renda. 

Na semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, quando todos somam esforços para refletir sobre a interdependência entre saúde humana e a saúde do planeta - debate central em um cenário de pandemia - merece destaque o projeto de recuperação de um dos maiores passivos ambientais mineiros do Brasil. 

Este trabalho, pioneiro, coordenado pelo Serviço Geológico do Brasil, está devolvendo vida à natureza na região sul de Santa Catarina, transformando áreas degradadas pela extração mineral em campos reflorestados e com rios mais limpos. 

O carvão mineral impulsionou o desenvolvimento socioeconômico daquela região, promovendo desenvolvimento que atingiu seu auge nos anos 1980. Na época, sem uma legislação ambiental clara e uma fiscalização efetiva, a mineração ocorreu de forma desordenada e sem a preocupação com a recomposição das áreas mineradas após o esgotamento das jazidas, levando a uma expressiva degradação do meio ambiente local. 

Em 2000, uma ação judicial condenou as empresas carboníferas e a União a promoverem a recuperação desse passivo. Coube, então, ao Serviço Geológico do Brasil, recuperar 1.100 hectares de áreas degradadas pela mineração do carvão e 1.000 km de cursos d’água impactados pela drenagem ácida de minas, com investimento projetado de R$ 490 milhões, sob supervisão do Ministério de Minas e Energia. 

Os resultados, extremamente positivos após seis anos de atuação, servem de exemplo: se é possível transformar a realidade degradada da região carbonífera de Santa Catarina, bem mais fácil será iniciar novos empreendimentos organizados de maneira sustentável. 

Com essa convicção, o Serviço Geológico do Brasil segue atuando firme na missão de gerar e disseminar o conhecimento geocientífico com excelência, contribuindo para melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento sustentável do Brasil.


 Esteves Pedro Colnago é Diretor-Presidente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM)