29/04/2020
VALE

Lucro de US$ 239 milhões no trimestre

O Ebitda ajustado pró-forma da Vale, excluindo as provisões e despesas incorridas relacionadas a Brumadinho, totalizou US$ 3,041 bilhões no primeiro trimestre de 2020, ficando US$ 1,636 bilhão atrás do resultado dos últimos três meses de 2019, principalmente devido a volumes sazonalmente menores no primeiro trimestre, parada parcial da planta de Brucutu e a manutenções, programadas e não programadas, realizadas no período, impactando os volumes de vendas em Minerais Ferrosos (US$ 1,593 bilhão); a menores preços realizados de níquel e cobre (US$ 249 milhões); e menores volumes de vendas de metais básicos (US$ 149 milhões), que foram parcialmente compensados pelo efeito positivo da desvalorização do Real (US$ 179 milhões). A margem Ebitda passou de 35% para 41%, na mesma base de comparação. 

O fluxo de caixa da mineradora foi de US$ 380 milhões, abaixo US$ 947 milhões em relação ao último trimestre de 2019. Apesar da geração de fluxo de caixa livre de US$ 380 milhões e da redução de US$ 549 milhões no valor em dólar americano da dívida denominada em reais, devido à desvalorização da moeda, a dívida líquida permaneceu relativamente estável em US$ 4,808 bilhões, devido ao efeito compensatório de US$ 914 milhões da desvalorização cambial sobre o saldo de caixa onshore mantido em reais. A receita líquida no primeiro trimestre de 2020 somou US$ 6,989 bilhões nos três meses de 2020, bem inferior aos US$ 9,984 bilhões do último trimestre de 2019. 

A Vale registrou um lucro líquido de US$ 239 milhões no trimestre, contra um prejuízo de US$ 1,562 bilhão no quarto trimestre de 2019, favorecido pelo reconhecimento de despesas one-off no 4T19, tais como os impairments em ativos de níquel e carvão (US$ 4,202 bilhões) e provisões relacionadas a Brumadinho (US$ 898 milhões). Em março de 2020, a Vale desembolsou US$ 5 bilhões de suas linhas de crédito rotativo, reforçando sua posição de liquidez para enfrentar os riscos apresentados pela pandemia COVID-19. A Vale também decidiu desfazer suas posições de hedge de níquel, vendendo seus contratos de opção e realizando um total de US$ 230 milhões, a ser reconhecido nos resultados simultaneamente às vendas de níquel correspondentes. Em 31 de março de 2020, a posição de caixa da Vale era de US$ 12,267 bilhões, ficando US$ 4,091 bilhões superior à de 31 de dezembro de 2019.

O negócio de minerais ferrosos somou Ebitda ajustado de US$ 2,847 bilhões no trimestre, ficando US$ 1,691 bilhão inferior ao quarto trimestre de 2019, principalmente devido a volumes de venda 34% inferiores ao 4T19. O Ebitda ajustado das operações de níquel foi de US$ 350 milhões entre janeiro e março, ficando US$ 61 milhões inferior ao 4T19, principalmente devido a menores preços realizados de níquel (US$ 80 milhões), menores preços realizados de cobre como subproduto (US$ 48 milhões) e menores volumes de vendas de subprodutos de níquel e cobre (US$ 37 milhões), parcialmente compensados por maiores créditos de subprodutos PGM (US$ 62 milhões), menores custos e despesas (US$ 31 milhões) e variações cambiais favoráveis (US$ 9 milhões). O volume de vendas de níquel foi menor que o de produção devido à gestão ativa dos estoques pela Vale para lidar com as condições do mercado e pela parada regular de manutenção anual em sua refinaria no Japão. 

 O Ebitda ajustado das operações de cobre foi de US$ 160 milhões no primeiro trimestre, contra US$ 238 milhões no 4T19, principalmente devido a menores preços realizados (US$ 113 milhões) e ao efeito combinado de menores volumes de Salobo e maiores volumes de Sossego (US$ 64 milhões), que foram parcialmente compensados por menores custos e despesas (US$ 86 milhões) e, ainda, ao efeito favorável de variações cambiais (US$ 13 milhões). O desempenho do negócio do Cobre foi sustentado pela retomada das operações em Sossego, após a manutenção não programada que ocorreu no 4T19, e pelo custo caixa negativo de Salobo devido a maiores créditos de ouro como subproduto, que foram parcialmente compensados pela manutenção não programada na planta de Salobo no 1T20.

Investimentos de US$ 4,6 bi em 2020

A Vale anunciou redução dos custos de frete unitário no segundo trimestre de 2020 de pelo menos US$ 3/tonelada na comparação com os três meses iniciais do ano; custo caixa unitário C1 do negócio do Minério de Ferro abaixo de US$ 14/tonelada no segundo semestre de 2020 e investimentos (CAPEX) de US$ 4,6 bilhões para o ano corrente. 

A mineradora informa que os dados são mera estimativa, hipotéticos, que de forma alguma constituem promessa de desempenho por parte da Vale e/ou de seus administradores. As projeções apresentadas envolvem fatores de mercado alheios ao controle da Vale e, dessa forma, podem sofrer novas alterações. Adicionalmente, a Vale informa que reapresentará oportunamente o item 11 de seu Formulário de Referência, no prazo previsto na Instrução CVM nº 480, de 7 de dezembro de 2009, conforme alterada.