01/10/2020
MERCADO DE CAPITAIS

IBRAM quer atrair investimentos para o País

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) quer reunir mineradoras de médio porte que tenham condições de desenvolver seus projetos por meio da captação de recursos financeiros no mercado de capitais, no Brasil e em outros países, como Canadá e Austrália, onde esse sistema de funding para o setor está bem evoluído. A proposta é organizar uma lista de companhias com potencial de crescimento no mercado de capitais internacional. Para isto, o IBRAM espera contar com o Ministério de Minas e Energia (MME) e outras organizações. “Várias empresas médias operam no Brasil, com tendência de expansão. O IBRAM pretende ser o interlocutor desse segmento de empresas junto às bolsas de valores”, anunciou o presidente do Conselho Diretor do IBRAM, Wilson Brumer, durante o seminário online "Mineração: Financiamento e Acesso ao Mercado de Capitais", organizado pelo IBRAM e pelo MME.

No seminário, Wilson Brumer informou que nos últimos seis meses a mineração elevou a projeção de investimentos no Brasil, passando de US$ 32,5 bilhões para quase US$ 40 bilhões para o período 2020-2024, segundo estudo elaborado pelo IBRAM. Brumer disse ainda que pretende conduzir um trabalho de mudança de cultura e de comportamento dos empresários que ainda tenham em mente a necessidade de manter o controle de 100% de suas empresas, o que chamou de comportamento patrimonialista. Rogério Santana, diretor da bolsa brasileira B3, elogiou a proposta do IBRAM e disse que mudança de cultura, como a mencionada pelo dirigente Wilson Brumer, “leva tempo. Quanto antes começar, melhor e é importante esse papel e a relevância e capilaridade do IBRAM nesse sentido”.

O diretor-presidente do IBRAM, Flávio Penido, lembrou durante o seminário online do acordo de cooperação assinado pela IBRAM com as bolsas de valores do Canadá (TSX e TSX Venture Exchange) para ampliar aportes financeiros de investidores daquele e de outros países, principalmente, para financiar projetos de pesquisa geológica no Brasil. Penido disse que 36 projetos brasileiros buscam US$ 121 milhões na bolsa de valores no Canadá. “Já estamos em contato também com a embaixada da Austrália para fazer algo semelhante com o mercado de capitais daquele país, um dos líderes em mineração internacional”, afirmou. Somente as duas bolsas de Toronto, a TSX e a TSX Venture Exchange, contam com 3.200 empresas listadas, informou Guillaume Légaré, Head South America da Toronto Stock Exchange.

Luis Mauricio Azevedo, Presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM), vê que o sucesso das ações pode melhorar a imagem do setor porque esse público (não só de acionistas), mesmo distante geograficamente dos empreendimentos, passa a registrar benefícios diretos proporcionados na forma de lucratividade. A Secretária Executiva do MME, Marisete Dadald Pereira, disse que o governo federal apoia as iniciativas de expansão da atividade mineral empresarial sustentável e ambiental e socialmente responsável. “Indicadores econômicos recentes apontam para papel de destaque que o setor mineral exerce na retomada da economia”, com reflexos nos setores siderúrgicos e construção civil – consumidores diretos de insumos minerais – bem como nos resultados de comércio exterior. Segundo o IBRAM, o saldo da balança comercial mineral no 1º semestre correspondeu a 50% do saldo comercial total do Brasil.

O Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM/MME), Alexandre Vidigal de Oliveira, disse que o governo temse empenhado empenhado em proporcionar um ambiente seguro para os investidores, como adotar políticas favoráveis à expansão sustentável do setor e pelos aspectos como o de regulação, de monitoramento e fiscalização das atividades. “A relação investidor-captador demanda o componente da confiança, da credibilidade” para ser efetiva, declarou. Ele acrescentou que o Programa Mineração e Desenvolvimento, lançado no dia 28/9 pelo governo federal, estabelece novos rumos que vão proporcionar a construção de um modelo de mineração arrojada e moderna no Brasil.

Para Fernando Ferreira, Estrategista-Chefe e Head do Research da XP Investimentos, as mineradoras brasileiras interessadas em atrair investidores precisam dar atenção especial às boas práticas de ESG, ou seja, respeito ao meio ambiente, ao social e a uma governança sólida. Este é, disse, um dos filtros que os investidores utilizam para decidir onde aportar seu dinheiro, com o que concordou Ana Buchaim, diretora da B3. Guillaume Légaré, Head South America da Toronto Stock Exchange, afirma que o mercado de capitais no Canadá considera também a “qualidade do ativo e os relatórios geológicos técnicos específicos para comprovar as reservas minerais”. 

Paulo Castellari, CEO da Appian Capital Brazil, citou a Atlantic Nickel, que atua na Bahia como exemplo. “Aquela operação emitiu relatórios seguindo padrões internacionais e mesmo com a pandemia concluiu seu plano de exploração e pode ser candidata a ser listada em bolsas de valores no Brasil e em outros países”. Para Flávio Penido, o Brasil precisa estabelecer mudanças em normas e leis que favoreçam um ambiente de maior segurança jurídica para atrair investimentos de longo prazo. Ele citou como exemplo o que chamou de “complexidade do licenciamento ambiental”. Arão Portugal, Country Manager da Amarillo Gold, assim como Flávio Penido, disse que precisa haver mais segurança jurídica e, também, mecanismos que convençam o setor financeiro brasileiro a aportar recursos nos projetos minerais no país. “A falta de interesse das instituições financeiras no Brasil, fez com que a Amarillo tivesse que captar recursos no mercado financeiro do Canadá”.

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